Obama lidera encontro bipartidário para discutir reforma da saúde nos EUA
Por José Fortes Em: 26/02/2010, às 02H55
O presidente norte-americano, Barack Obama, se reuniu na tarde desta quinta-feira (25) com líderes democratas e republicanos para buscar um acordo sobre a reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos.
Transmitido ao vivo pela televisão norte-americana, o encontro teve mais de seis horas de duração e foi realizado na Blair House, em frente à Casa Branca. Nele, Obama pediu aos cerca de 40 legisladores presentes que se concentrassem nos pontos em que há acordo, evitando o “teatro político”.
“Todos nós sabemos quais os problemas”, declarou Obama durante a reunião. “Não podemos ter mais um ano de debate sobre isso.”
O tema representa um desafio de conciliação bipartidária para o presidente, cujo resultado pode marcar um ponto de inflexão no governo do líder democrata.
“As diferenças fundamentais entre os presentes não podem ser evitadas”, afirmou o senador republicano John Kyl, que disse ser “muito difícil” para seu partido apoiar alguns dos pontos principais da reforma.
Já Obama, que em vários momentos do encontro se mostrou tenso e visivelmente incomodado, voltou a destacar a importância do projeto. “Todos sabemos que é algo urgente e infelizmente no ano passado se transformou em uma batalha ideológica e partidária demais, e acho que a política acabou sobrepondo o bom senso”, afirmou.
A reunião, da qual participaram também o vice-presidente, Joseph Biden, e a secretária de Saúde, Kathleen Sebelius, teve um formato de quatro sessões, nas quais foram discutidos diferentes pontos da reforma: os aspectos são o controle de custos, a reforma dos seguros médicos, a ampliação da cobertura aos cerca de 30 milhões de americanos que carecem dela e o corte do déficit fiscal.
Durante a reunião, o líder democrata no senado Harry Reid citou um estudo da prestigiosa Universidade de Harvard, segundo o qual “45 mil norte-americanos morrem a cada ano por falta de plano de saúde”.
“O governo agora dirige mais de 60% do sistema de saúde do país. Se jogar dinheiro aí e criar novos programas públicos pudesse resolver o problema, nós não estaríamos sentados aqui hoje porque nós já fizemos isso. Não funcionou”, declarou o senador republicano Tom Coburn.
A reforma de saúde, grande prioridade legislativa do presidente, se encontra travada no Congresso desde que, em janeiro passado, os democratas perderam a maioria absoluta no Senado.
Os Estados Unidos são o único país industrializado que não proporciona um sistema de cobertura médica para todos os cidadãos.
*Com agências internacionais

