E SE DILMA ROUSSEFF, A PRESIDENTA, VOLTASSE?
Por Cunha e Silva Filho Em: 17/01/2026, às 22H19
O BRASILIRO TEM MEMÓRIA CURTA . RECORDAR É APRENDER E, SE POSSÍVEL, CORRIGIR O PASSADO.
E SE DILMA ROUSSEFF, A PRESIDENTA, VOLTASSE?
Cunha e Silva Filho
Temer é interino. Todos sabem disso. Já compôs o seu ministério, Inclusive, diminuiu uns dez. O seu governo teoricamente já está organizado e, bem ou mal, dando seus resultados, ainda que descontentando parte do eleitorado, sobretudo petista. Somos dilmistas ou somos temeristas? Que valham os neologismos. Afinal, a gramática da língua já entrou no rol das flexibilizações petismo. Está terceirizada.
Os usos da língua se tornaram funcionalmente políticos. Nada a obstar. Nihil obstat, conforme o figurino dos maristas na aprovação de uma obra a ser editada há décadas, na famosa coleção antiga da F.T.D. Os erros, a agramaticalidade estão na ordem do dia. Ela é inclusiva e, neste sentido, é petistã, reiteremos. A propósito, Temer gosta das tmeses assim como delas gostava o ex-presidente Jânio Quadro. Esses forams de topologia pronominal , hoje em dia, são consideradas coisa de museu da norma culta e gozação dos novos conhecedores do Vernáculo.
Uma senadora inova a língua por influxo, analogia ou contaminação da flexão empregada por Dona Dilma, a presidenA, embora isso não seja um erro, mas passou a ser estranho que a política partidária mudasse a língua no seu uso mais consagrado. Nunca vi uma ideologia política ser tão linguística. Penso: o que é capaz de fazer uma esquerda tupiniquim servida a caviar e com temperos à la propina.
Contudo, essa introdução já vai me cansando e, quem sabe, cansando igualmente o leitor. A minha “narrativa” (esse termo está na moda.Eu o detesto. Será por que o meU uso dele se restringe aos estudos teóricos de de análsie de ficção? Não sei ao certo. Só sei que o abomino porque virou um truísmo ou foi o quê? Hoje, tudo se resume a “narrativas.” A "narrativa" que estou tentando deenvolver neste artigo versa sobre a hipótese de Dilma voltar do afastamento legal. Primeiro, constato uma premissa: a volta de Dilma,no mínimo, seria o maior evento piadístico que o Brasil poderia introduzir nos anais da história política brasileira.
O leitor já imaginou a situação excêntrica de, mais uma vez, reforçar-se a ideia cristalizada no inconsciente brasileiro a partir da célebre frase de De Gaulle 1890-1970): “Brésil n’est pas un pays sérieux.” Como iríamos enfrentar essa reviravolta digna de uma comédia de Martins Pena (1815-1848)? Gargalhadas gargantuanas se espalham, reboando pelos quatro cantos do planeta: “Dilma voltoooooou!” Tudo vai ser revertido para a estaca zero. Um furdunço, uma embrulhada geral, um país às avessas, um povo entre o espanto e a alegria do populacho - epicentro da desordem político-social-econômica. Manchetes de jornais estrangeiros morrendo de rir. A piada universal.
Eis o leit-motif: os senadores, no último instante, viraram a casaca e deram um voto de confiança à presidentA. Temer seria destronado, assim como seus ministros. O Meireles, então, sairia cabisbaixo, sem aquele modo de, friamente, dizer que, se precisar, vai aumentar impostos, tudo por amor ao emblemático “ajuste fiscal” - a pedra de toque da administração Temer.
Dona presidentA baixou o primeiro decreto: “Tudo vai ser como sempre foi: ajudar os pobres e ao mesmo tempo enriquecer mais os ricos.” As migalhas ( “Minha Casa, Minha Vida,” o bolsa-família, o bolsa-estudo no exterior, as cotas, a Lei Rouanet, a bolsa-gás e quejandos) ficarão imunes a retrocessos. Serão causas pétreas em sua nova fase de governo. “O salário mínimo - prossegue a primeira mandatária -, não se preocupem com ele, vou aumentar, já para este segundo semestre, por decreto, para R$3.000,00 (Três mil reais!.).
Os empresários que se virem para pagá-lo.” E as pedaladas, senhora presidentA? “Ora, darei continuidade e até a intensificarei.” E a dívida pública? “Essa é o que de menos me preocupa. Vou mandar fazer dinheiro na Casa da Moeda sempre que necessitar. Não tenho que dar contas ao Tribunal de Contas”(me perdoem o leitir pela rima mal posta. . E a Previdência, os altos juros, os maiores do mundo, a educação pública, a saúde em pandarecos, presidentA, a insegurança das pessoas nas ruas, em casa, em qualquer lugar? “Isso não são grandes problemas, darei conta de tudo isso com uma canetada só.”
Só para finalizar, mais uma pergunta, presidentA: Como enfrentará a oposição agora mais raivosa, indignada e humilhada do que antes tendo que, legalmente, interromper o brevíssimo tempo de interinidade do Temer? “Isso é o de menos, pois agora vou mesmo agir como o Maduro, o bigodudo. Tudo será conseguido na marra, para isso tenho as Forças Armadas de unhas e dentes. Ninguém me manda e eu sou a “cara”( mais uma neologismo dílmico que vai repercutir às gargalhadas entre os brasileiros da oposiição).
Faria voltar todos os ex-ministros, inclusive o José Dirceu para a direção da Casa da Moeda. Todos os implicados no “Mensalão”, no Petrolão e em outros escândalos serão readmitidos com cargos do primeiro escalão. O primeiro a ser cogitado foi o Lula. Para onde? Para a Casa Civil e ponto final. As afirmativas de Lula “Eu sou o Brasil. Não posso ser preso” tornar-se-iam o bordão do ex-sindicalista e, hoje, um cidadão bem endinheirado, assim como sua família nuclear.A Polícia Federal, o Ministério Público, os incriminados e tornados réus, por pior que fossem, seriam beneficiados com a anistia ampla, geral e irrestrita.
O Nordeste, sobretudo, faria um carnaval durante uma semana celebrando a volta da presidentA Dilma. Tudo é consumado. Consmatum est. “Vou engarrafar o vento. Vou falar como bem quero a ‘última flor do Lácio, inculta e bela” e vou continuar a viajar com largas comitivas (incluindo sempre o Mercadante a tiracolo) e me hospedar nos melhores hotéis do mundo. Continuarei a ajudar os médicos cubanos. Darei apoio ao Irã”. Farei o diabo! Prendo e arrebento."
“Darei apoio ao ditador Maduro e, se possível, ao Estado Islâmico. Só terá vez comigo, seja para que for, se for pobre ou rico. Classe média, nem que a vaca tussa.Ninguém, de agora em diante, terá o topete de me enfrentar. Sou ilibada. Vou cumprir inteirinho o que me falta e aviso: Lula, alegria do povo e dos intelectuais da esquerda, no pais e fora dele, voltará eleito, como meu sucessor, em 2018.É só ver para crer. Quem manda aqui (traduza-se Palácio do Planalto) sou eu” (soltando uns palavrões).
Com o retorno de todos os ministros da primeira fase do seu segundo mandato de governo, Dilma recriou todos os inúmeros ministérios anteriores. Fez mais: aumentou em mais cinco do antigo ministério, um deles com o nome de Ministério da Propina, incluindo os Departamento de Vigilância contra a Honestidade, e criou um outro departamento, o Departamento contra as Investigações do tipo Lava-Jato.O Ministério Público se calou, assim como outros órgãos da Justiça. O Supremo teve um desfalque. Aquele ministro que denominou o governo petista de “governo da cleptocracia” foi destituído para o bem do serviço público.
O empresariado vinculado aos maiores escândalos contra a economia brasileira foram todos regiamente beneficiados com uma lei de anistia sine diem. Declarou Dilma: ao lhe ser devolvido o mais alto cargo da nação: “Tudo que faço é pensando no bem do Brasil e da felicidade geral da Nação. Todos são livres para fazerem o que bem quiserem.Se fui afastada por pedaladas fiscais, outros, que me precederam, inclusive o FHC, já haviam feito o mesmo e ninguém piou, muito menos o Tribunal de Contas.
Não sou alegre nem sou triste, sou presidenAa com “a” mesmo e que se lixem os gramáticos, ligusitas e filólogos que nem estou aí. Vou continuar cometendo meus solecismos, silabadas, flexionais, léxicos, semânticos e o escambau, e tudo o mais que me dê na telha. Minha língua é minha pátria. A educação faz o ladrão. No entanto, a pátria continua educadora. Lula, bem posto no cargo da Casa Civil, com foro privilegiadíssimo, blindadíssimo e, numa voz entre estentória e rouquenha, esbraveja, furioso, aos quatro ventos: “Ninguém me manda. Sou o segundo pai dos pobres” ( e eu com os meus botões, acrescento: e dos ricos também). Viva o povo brasileiro! [Este é um texto ficcional (quase uma crônica à clef. Qualquer dessesemelhança é quase uma mera incoincidência.]

