[Whashington Ramos]

     A primeira ocorreu na panificadora perto de minha casa. Uma das atendentes estava grávida. Sua barriga gestando um feto estava bem grande. Cheguei perto e falei:

  • Que barriga grande! Parece que Você está grávida de gêmeos.
  • Fale isso não, professor! É só um mesmo! Só um menino já é trabalho demais! Não! Nada de gêmeos!

     A segunda cena é num filme com Al Pacino em que ele atua como um mafioso e começa a se relacionar com uma loura muito bonita e elegante. Ele fala pra ela:

  • Quero fazer um filho em ti; tu gosta de criança?
  • Gosto... Se tiver babá pra cuidar - ela responde de um jeito desinteressado e indiferente.

     A terceira cena foi na casa de uma prima minha. Ela estava pronta para ir a uma festa. Usava um lindo tailleur. Era a primeira vez que ela o vestia. Os sapatos eram novos também. Caiu na besteira, porém, de pedir que a empregada lhe entregasse o filho(dela minha prima) para um cheiro antes de sair.

  • Espere um pouco dona Márcia, deixe eu botar uma fralda nele - a empregada falou.
  • Não! Traz ele assim mesmo, que eu quero dar um cheiro nessa pinta linda.

     Mal ela recebeu o menino, que tinha apenas onze meses de idade, e um jorro de mijo a atingiu. Ela afastou a criança, mas um restinho de urina caiu nos sapatos.

  • Ô, este filho duma égua me mijou toda! E agora?! Droga! Não vou mais pra festa nenhuma, não!

     O marido interveio:

  • A única culpada é Você mesma, que não deixou a Juliana botar uma fralda nele.

     A continuação foi uma briga entre marido e mulher, que prefiro não recordar.

     Essas três cenas suscitam muitas questões sérias sobre a criação de filhos. Vou tocar de leve em poucas, umas duas ou três. A primeira e realmente a mais importante é que para gerar e criar filhos é preciso que se tenha vocação, muita paciência e pulso firme. Para ganhar dinheiro honestamente e viver com dignidade, trabalha-se em qualquer atividade. Mas, para cuidar de crianças e educá-las de verdade, são necessários muito sacrifício, muita vocação, muito esforço. Já pensou o que é estar no melhor de um sono profundo às duas da madrugada e ter que levantar para levar o filho ao médico? Pois é! Não é mole fazer isso! Eu mesmo fiz mais de uma vez. No entanto diz a sabedoria popular que, em alguns casos, o pior vem depois, já que filho criado, trabalho dobrado.

     Outro aspecto a ser comentado é que uma grande parte dos adultos que reclamam muito dos filhos agem como se não tivessem sido crianças, como se não tivessem dado trabalho a seus pais, ou ainda como se não tivessem curtido uma gozada bem gostosa para ajudar a perpetuar a espécie. Cada casal parece uma dupla dinâmica na reclamação contra os filhos. Pois é, dupla dinâmica, Vocês apreciaram muito a penetração na carne macia e cabeluda. Agora, então, vão ter que roer o osso.

     O terceiro aspecto é uma pergunta e um comentário: se a dupla dinâmica não tem condição financeira e vocação para criar menino, principalmente a vocação, por que os dois não evitam a gravidez? Antigamente, quando não havia tantos métodos contraceptivos nem tantas informações disponíveis, entendia-se a gravidez indesejada. Mas hoje engravidar involuntariamente é muita irresponsabilidade ou muita ignorância. Ou as duas coisas juntas.