Igaraçal:mais recente livro de Diego Mendes Sousa

O termo "Igaraçal" carrega um contexto linguístico, ambiental e cultural profundo, que une as raízes indígenas do Brasil Central e do Nordeste à literatura contemporânea de Diego Mendes Sousa. 

O prefixo "igara" tem origem direta no tupi-guarani e refere-se a canoa ou embarcação, enquanto o sufixo "al" designa um coletivo ou um local abundante em algo.

Assim é a Parnaíba mítica do poeta Diego Mendes Sousa, rica em paisagens desde o rio Igaraçu, primeiro braço do Delta do rio Parnaíba, até a beleza rara da praia da Pedra do Sal, que banha a cidade da Parnaíba em sua total claridade. 

A fotografia de capa do livro "Igaraçal" (Litteralux, 2026) são lentes de Jairo Nunes Leocádio. 

"Igaraçal" é dedicado a Antônio Cajubá de Britto Neto, Jorge Lopes e Luiz Ayrton Santos Junior. 

As orelhas são assinadas por Ana Arguelho, Elias Borges e Ana Maria Bernardelli.

Na obra de Diego Mendes Sousa, os termos de origem tupi-guarani deixam de ser meras localizações geográficas e transformam-se em dispositivos de memória afetiva e ancestralidade. O autor utiliza a sonoridade nativa e a força desses nomes para construir o que a crítica chama em sua vasta poética de "alma litorânea" piauiense. 

O poema central do livro "Igaraçal" ilustra perfeitamente como essa linguagem opera em três camadas estéticas principais: 

 1. A Flutuação linguística da infância

* O rio Igaraçu como cenário: nos versos de Diego Mendes Sousa, o rio "Igaraçu" aparece como a artéria que rega o "quintal da infância".

O termo ancestral deixa de ser um acidente geográfico distante para virar o espaço físico onde o menino pescava os sonhos e moldava a imaginação.

* Catálogo da fauna nativa: o resgate do tupi se expande diretamente para as águas. Em seus poemas, o autor evoca longas listas de peixes que emergem do Rio Parnaíba:

"...trazendo consigo os seus peixes encantados: fidalgo, curimatã, piaba, surubim, manjuba, piratinga, sardinha, piau, carazinho, lambari..."


2. O Chão dos ancestrais (arqueologia poética)

* Conexão com a terra natal: o poeta escreve explicitamente: "Dos meus ancestrais, tudo guardei no chão". O uso de nomes como Parnaíba e Igaraçu atua como uma escavação arqueológica por meio das palavras.

* O Mito de origem: ao utilizar a palavra Igaraçal (o coletivo de canoas), ele cria um símbolo para a resistência do povo ribeirinho. A poesia funciona como a madeira que flutua nas águas da história, conectando o presente urbano (o autor reside em Brasília) ao passado indígena profundo de sua terra natal, Parnaíba, na costa atlântica do Piauí.

 3. A fusão entre o local e o universal

* Geografias inventadas: da mesma forma que os povos originários criavam nomes para dar sentido ao mundo, Diego Mendes Sousa criou seu próprio espaço mitológico chamado "Riatla" (uma palavra-enigma que mistura o rio com o deus Atlas).

* Mitologia das águas: os termos tupis dividem espaço com imagens clássicas e universais. O barro do rio Parnaíba e o sal do mar do Piauí se transformam em metáforas para as dores, os sofrimentos e o próprio destino humano.

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IGARAÇAL 


Dos meus ancestrais, 
tudo guardei no chão.

Fiz da minha cidade 
o meu paraíso ignorado.

Pela corda do barco, 
estiquei a imaginação 
temporã
e fui discreto
ao cavar com os dedos 
as dunas
do meu quintal.

Inventei um país diverso,
emergido do rio Parnaíba
trazendo consigo 
os seus peixes 
encantados:

fidalgo, curimatã, piaba, surubim, manjuba, piratinga,
sardinha, piau, carazinho, lambari, 
bagre, joaninha,
branquinha-do-olhão, doirado, dorme-dorme,
enguia-d´água-doce 
e outros seres semelhantes
a vigilarem o velário da paisagem 
mais enebriante
derramada sobre a minha vida 
de habitante
da vazante inteligente 
com sofrimentos
e estrelas estilhaçadas. 


 Diego Mendes Sousa

(*) Notas do editor

COMO ADQUIRIR

O lançamento oficial ocorrerá em Brasília, a capital federal, no dia 17 de junho de 2026, no Beirute 109 Sul. 

Para aquisição do exemplar  autografado pelo autor:
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