A política partidária é um fanatismo ou mero jogo partidário?
Por Cunha e Silva Filho Em: 19/05/2026, às 13H41
Do meu livro inédidto
POLÍTICA, VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE NO BRASIL
( Do lulismo ao bolsonarismo)
A política partidária é um fanatismo ou mero jogo de interesses?
Cunha e Silva Filho
O tema é difícil e cercado de labirintos. Mas, dentro desses labirintos podemos inferir alguns fatos e tentativas de buscas de verdades humanas na relatividade em que o tema a elas conduz o observador atento e ávido de penetrar-lhes os segredos ou mistérios.
Umas das inferências possui até os seu tanto de truísmo, ou de obviedade: como pode um homem culto, competente em sua área principal de atuação profissional, quer artística, quer não-artística, quer filosófica, quer não-filosófica ou de outra natureza disciplinar ou teórica defender o indefensável levado - sabe Deus porque motivo – a defender cegamente a pretensas verdades doutrinárias?
Como pode um ser dotado de conhecimentos vastos, experiência e saberes pender, por facciosismo ou parcialidade intencional para a direita ou a esquerda, ou para o centro, ou e qualquer outra posição ideológica, e não enxergar os erros e os ações desonrosas de um partido e permanecer empedernido e preso a programas políticos que, na prática, escamoteiam seus princípios e agem de forma contrária? Onde fica aí a ética individual, ou do grupo partidário?
Se um partido político tem um suposto programa de governo a oferecer à sociedade, através de ações materializadas que levam ao descrédito mesmo daqueles que, afastados ou indiferentes, estão das questões políticas, não temos aí um exemplo de fanatismo? Este comportamento indicia na verdade, um cegueira, um modo de ver e sentir a realidade e toda a sua complexidade dos dias de hoje de forma falaciosa e seu seguidor não passaria de um simulacro no jogo político.
Quando se torna impossível ver os fatos e as circunstâncias mostrando-se contrários aos princípios e regras de um partido que não pretende modificar ou realinhar-se de modo a dar conta das principais carências e reclamos da sociedade é porque alguma coisa transmite falsidade e seus líderes não passam de cabotinos e enganadores da coletividade e dos próprios sectários que vivem a ilusão de ótica e, por essa razão, contribuem como co-agenciadores dos simulacros criados por lideranças fantoches, por malabaristas e saltimbancos travestidos de políticos, cuja conduta leva o país à derrocada na sua forma mais cruel: a da corrupção, do cinismo e da indiferença aos males da sociedade.
Donde se conclui que o fanatismo trabalha em favor de quem o produz: o partido sem ética nem dignidade. Assim o fanático partidário é um cego que não deseja ver além do seu próprio engano.
Quanto ao jogo de interesses a que o título deste artigo alude como alternativa, ele está imbuído dos mesmos procedimentos do embuste e da felonia e sua característica primordial é transformar a política da retidão e da ética, da moralidade e do bem-estar da nação em balcão de interesses os mais perniciosos possíveis, já que este tipo de “política” perde todos os fundamentos necessários à práxis política e à assunção de seus ideário em prol da coletividade, Tudo que desse simulacro resulte não será mais do que uma luta de interesses mesquinhos fora da órbita das práticas políticas sérias e pautadas pela dignidade da Política com p maiúsculo.
Um tal estado de coisas, se permanecer por muito tempo, pode descambar facilmente para situações ainda de maior risco não desejável por qualquer cidadão de bem. O agenciamento de atores que se servem dos mandatos políticos como manobra de enriquecimento a todo custo leva o eleitor a descrer da política correta, dos homens públicos e do desprezo pelo ato de votar.
No Brasil da atualidade vislumbro com clareza estas duas alternativas colocadas ao debate público. Na verdade, ambas se interpenetram insidiosamente e terminam, por contaminação se equivalendo em alguns aspectos visto que a cegueira do fanatismo concorre para a prática ignominiosa da segunda alternativa. São dois lados da mesma moeda podre do fanatismo e do jogo sujo da política nacional.
O leitor atento sabe de quem falo e do que deixo implícito a fim de que, meditando sobre o tema, tire suas ilações.Sei que estou dialogando com vários interlocutores de pensamentos e posições que podem ou não coincidir com o que exponho neste artigo. É bem que assim o seja. Não se mudam da noite para o dia os princípios enraizados profundamente na alma do fanatismo, seja, o político, o religioso, o esportista.
É preciso que do esclarecimento, da procura de posições abertas se extraia uma fresta da luz da razão e da imparcialidade, livrando os indivíduos dos males dos preconceitos e das visões distorcidas que existem no letrado e no ignorante.
Não custa nada de minha parte suscitar reflexões que levem ao caminho de um viver sem tantas angústias e perplexidade que a sociedade contemporânea, no Ocidente principalmente mas também já no Oriente, sob o império da mídia, da globalização, do brilho falso do sucesso financeiro inopinado e da mistificação em escala quase mundial, tão bem manipula as gerações mais novas e até, por contágio, os adultos e velhos sobreviventes de hoje.

