Dia desses lemos matéria reproduzida por vários jornais, em que o presidente do grupo gay da Bahia informava que cento e vinte e dois homossexuais haviam sido assassinados no Brasil em dois mil e sete; o que nos tornava campeões na modalidade, tendo como colegas de pódio México e Estados Unidos.


 Não há como negar que se trata de uma tragédia; contudo, principalmente, por ser um assunto de tamanha seriedade, não se deve utilizá-lo para fins demagógicos.


 No mesmo artigo, aquele senhor aproveitava para dizer que, ou se erradica esse tipo de crime, ou passaremos a ser conhecidos como o país do “homocausto” – neologismo criado, espuriamente, a partir do radical/raiz de homofobia, homofóbico, para servir de sinônimo a assassinato de homossexuais. Acrescentava, ainda, que a quantidade enorme de mortes deve-se ao descaso das autoridades de segurança com relação a esse segmento da população. Isso é demagogia, hipocrisia e não ajuda.


 Se, uma vez voltadas suas preocupações e atenção para esse nicho populacional minoritário, os organismos de segurança determinassem o fim de todos os assassinatos no Brasil, estaria o crítico inteiramente correto. Ele não disse, talvez porque não lhe interessava demonstrar o mesmo zelo e cuidado para com os demais indivíduos (se fosse um representante da maioria a dizer o contrário, certamente, estaria agindo com discriminação, preconceito, segregação e outros que tais, usualmente utilizados por prepostos das minorias, tantas vezes, como anacolutos); porém, infelizmente, aquele quantitativo de mortes representa um percentual moderado quando tomado em relação ao conjunto dos assassinatos praticados no país, vitimando integrantes de grupos majoritários como o dos heterossexuais (homens e mulheres), das crianças e, por tão incrível quanto pareça, dos índios. Para se ter uma idéia, em período idêntico ao mencionado pelo representante homossexual, no Brasil foram mortos noventa e dois índios.  Dispensável, pois, quantificar as demais mortes por assassinatos, para não cairmos na mesmice.


 A segurança por aqui não anda boa para ninguém, esta é que é a verdade; todavia, não será com proselitismo, sectarismo, arroubos de demagogia e meias verdades que a colocaremos num patamar de maior eficiência.


 Nenhum inocente, seja ele quem for, exerça a opção sexual que julgar conveniente, deveria morrer em conseqüência de atos de violência. O estado, é fato, precisa melhorar sua máquina de segurança, dotá-la de condições humanas satisfatórias, de inteligência e tecnologias das mais avançadas, de modo a garantir tranqüilidade a todos os cidadãos, indistintamente de credo, religião, cor, raça ou preferência sexual.


 Sirvamo-nos da denúncia feita pelo presidente do grupo gay baiano, dos preocupantes números que levantou no tocante a vítimas fatais integrantes de seu nicho populacional, como ponto de partida para uma cruzada por maior segurança. Que ele seja tomado como arauto desse movimento de levante contra a insegurança, pois, ainda que haja se mostrado egoísta, ao dar a conotação de que só houve a tragédia porque as vítimas foram gente do grupo que dirige, o que não é verdadeiro, involuntariamente, prestou um ótimo serviço público.
 Vamos à luta, porque segurança é um direito de todos.


   Antônio Francisco Sousa – Auditor-Fiscal
              antonio_fcs@hotmail.com

 

(86)3233-9444

 

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