Da redação de Entre-textos

       Em 1981, Edgardo Pires Ferreira, sociólogo, nascido no Rio de Janeiro e com raízes familiares no Piauí, iniciava uma tarefa árdua. Estimulado pela curiosidade do poeta João Cabral de Melo Neto, principiava a construção da genealogia da família de Domingos Pires Ferreira, português que chegou ao Recife em 1725 e propagou sua descendência, além de Pernambuco, pelo Piauí, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo. Nesse percurso, em 1992, publicava  A mística do Parentesco – uma genealogia inacabada. Na obra, reuniu cerca de 25.000 nomes “espalhados por quase 300 anos de história”, em quatro volumes.com cerca de 350 páginas, cada volume.


        Agora, acaba de sair dos parques gráficos para as livrarias, o volume 5 de A mística do Parentesco: Os Castello Branco e seus entrelaçamentos familiares. Segundo o autor, o livro “objetiva documentar da mais extensa forma possível – e naturalmente sem propósito nobiliante – a história e a origem da família Castello Branco no Brasil”, fornecendo informações sobre as famílias com as quais ela se entrelaçou.


        Nesse sentido, nas páginas iniciais, escreve Edgardo que Os Castello Branco, que supostamente haviam recebido uma sesmaria na freguesia de Santo Antônio do Surubim de Campo Maior, entrelaçaram-se, na constituição do tecido social da estrutura familiar do Baixo Parnaíba, com algumas das primeiras famílias estabelecidas no Piauí: os Carvalho de Almeida (em Livramento, Barras do Marataoã e Esperantina), os Rego (de Parnaíba, do Peixe e do Estanhado), os Rodrigues Lages (em Barras do Marataoã), os Pires Ferreira (em Paranaíba), os Lopes (em Buriti dos Lopes), os Fortes (em Livramento) e os Almendra, Gayoso e Freitas.


        Diz o autor que o nome Castello Branco conservou-se no Brasil porque se optou, nos laços matrimonias com  as descendentes de Francisco da Cunha Castello Branco (primeiro do nome), Anna, Clara e Maria Serrate, casadas respectivamente com João Gomes do Rego Barros, Manuel Carvalho de Almeida e João Gomes do Rego Barros, pela adoção do nome materno e não paterno. Também contribuiu para a adoção do nome “o grande número de alianças matrimonias dentro da mesma família”, o que resultou, acrescenta, “na formação de uma grande parentela endogâmica, sobretudo nos séculos XVIII e XIX”.


        Escrevendo sobre o autor e a obra Os Castello Branco e seus entrelaçamentos familiares, o historiador Evaldo Cabral de Mello, ressalta: “ O percurso intelectual de edgardo Pires Ferreira é no mínimo estimulantemente insólito. Concluída sua formação sociológica, ei-lo que, porventura entediado com as generalizações monótonas da especialidade, emigra para a museologia e para a arqueologia, inclusive a zooarqueologia, e daí para as pesquisas genealógicas, conduzido talvez pela mão de um daqueles anjos proustianos que, sussurrando ao pé do ouvido dos seus eleitos, logram por fim diverti-los para o reino do passado familiar.” Para  Cabral de Mello, “com a publicação da genealogia dos Castello Branco, o autor contribui não só para a história genealógica (gênero que, ao contrário da genealogia propriamente dita, nunca prosperou entre nós), como também para a história da vida privada brasileira,  que oferece campo ideal onde o historiador pode tirar todo o partido possível da tão reivindicada cooperação interdisciplinar com as ciências sociais”. 


        Na busca de reconstruir os entrelaçamentos familiares dos Castello Branco, o autor reúne, em diálogo com os outros volumes já editados, a descendência de João Gomes do Rego Barros, dos irmãos Manuel Carvalho de Almeida e Antônio Carvalho de Almeida, de Antônio Pereira da Silva, de Luiz Pereira Ferraz de Moura Pinto, de Carlos César Burlamarqui, de José Pires Ferreira, de Luiz de Sousa Fortes Bustamante de Sá Menezes, de Manuel Rodrigues Lages, de Joaquim José do Rego, de Jacob Manuel d’Almendra, de José Rodrigues de Almendra da Fonseca Freitas e de Thomé do Rego Monteiro. Reúne nesse volume mais de 13.000 nomes.


        O AUTOR -  Edgardo Pires Ferreira nasceu em Teresópolis-RJ. Tem formação em sociologia pelo IEPES (PUC-RJ); em Museologia, no Museu do Louvre (França); em Arqueologia, no Instituto de Pré-história de Jerusalém (Israel) e em Zoorqueologia na Universidade de Michigan (USA). Foi membro de missões arqueológicas em Israel, Irã, México, Peru e Equador. De 1992 a 1994 dirigiu a Fundação Bienal de São Paulo.

OS CASTELLO BRANCO E SEUS ENTRELAÇAMENTOS FAMILIARES
A mística do parentesco – volume V
Edgardo Pires Ferreira
268 páginas.

Preço – 30, 00 reais.

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