Elmar Carvalho - Da Academia Piauiense de Letras

 

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            Como é fácil de se ver, este livro é um autêntico dois em um, inclusive com duas capas. O leitor poderá começar a leitura por qualquer uma delas; quando chegar ao fim do livro escolhido, é só fechar o volume, e virá-lo de ponta-cabeça, mantendo a lombada sempre à esquerda, e iniciar a leitura do outro. Seus títulos são: Fenelon Ferreira Castello Branco e Castello Branco – Ontem e Hoje.

            Falarei um pouco de seu autor, imprimindo a este texto preambular um certo caráter de crônica, escrita ao “correr da pena”, melhor diria, da digitação. Homero é um sábio bem-humorado; e é bem-humorado exatamente porque é um sábio. Um sábio sem empáfia, discreto como convém, que disfarça a sua sabedoria nas anedotas que conta, quase as travestindo em parábolas de admoestação e exemplo.

Como o seu famoso xará grego, é um homérico contador de histórias e estórias, muitas delas verdadeiras anedotas verídicas. De algumas ele participou, senão como protagonista, ao menos como coadjuvante. Por isso mesmo, tenho insistido para que ele escreva um livro de memórias, as suas próprias, e as suas memórias dos outros. Ele sorri, mas negaceia, talvez por receio de magoar algumas pessoas de sua amizade.

Num dos livros conta a saga de Fenelon. Suas conquistas e perdas. Suas crises e alegrias. Narra a profunda tristeza em que ele mergulhou, após a morte da primeira esposa (Ana Fortes Castelo Branco), cujo consórcio durou apenas três meses, em virtude do prematuro falecimento de Nicota, seu apelido familiar e afetivo, pelo qual era mais conhecida. Por causa desse infortúnio, e da depressão que em consequência lhe adveio, escreveu 35 sonetos elegíacos, integrantes do livro Ano de Luto. Sobre essa obra, no livro “Academia Piauiense de Letras – Os fundadores”, disse o acadêmico Wilson Carvalho Gonçalves:

“Por ocasião do primeiro aniversário da morte de sua mulher, Ana Fortes Castelo Branco, ocorrido em 1902, o poeta publicou “Ano de Luto”, magoada elegia em que pranteou sua morte, em que lamentou “a mágoa sem remédio de perder-te”, como nos versos imortais do imensurável vate lusitano.”

O nosso poeta maior Da Costa e Silva também passou por semelhante calvário, ao perder a primeira esposa, Alice Salles Salomon, no quinquagésimo ano do casamento. Escreveu os versos elegíacos do livro Verônica sob o impacto desse infausto acontecimento. Fagundes Varela compôs uma das mais belas elegias da língua portuguesa – Cântico do Calvário – inspirado na morte de seu filho Emiliano, com apenas três meses de vida. Dessa forma, podemos dizer que esses três poetas contrariam os versos aforísticos de Fernando Pessoa, que afirmam: “O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.” Eles realmente sentiram as dores que, em versos, afirmaram sentir. Mas isso apenas confirma a regra de que toda regra tem exceção.

Contudo, na narração da vida de Fenelon, Homero não foi um simples biógrafo, o que já seria muito, mas traquejado em narrativas verídicas e fictícias, soube lhe imprimir certo tom de romance, ao contar determinadas nuanças, ao descrever a ambientação de alguns fatos, bem como ao lhe perquirir os estados da alma. Procurou encontrar a motivação psicológica para algumas tomadas de decisões na vida e para os vários textos de Fenelon que transcreve, e que ilustram, ornamentam e esclarecem a biografia. Portanto, nesse livro perpassa o ideário, o pensamento e a personalidade complexa do biografado.

No livro, além de o autor ter feito constar o manuscrito de um poema do biografado, dirigido a sua mãe, também fez a transcrição fac-similada de uma genealogia feita por ele, de seu próprio punho, que abarca várias gerações da família Castelo Branco no Piauí, desde o patriarca Dom Francisco da Cunha Castelo Branco, mostrando as suas ramificações em diferentes municípios, bem como os vários entrelaçamentos familiares, através de casamentos, com velhas e tradicionais estirpes piauienses.

Esse documento tem servido de base às mais importantes genealogias referentes ao nosso estado, vez que é bastante preciso, ao referir vários casais e respectivos filhos dessa linhagem. Dada a sua alta importância genealógica e histórica, Homero teve o cuidado de mandar digitá-lo e o transcreveu na íntegra, o que facilita a sua leitura, por qualquer consulente, genealogista ou historiador.

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No livro Castello Branco – Ontem e Hoje, dividido em várias partes, podemos constatar que Homero dá uma grande contribuição para a história e a genealogia piauienses, sendo o seu livro um repositório de dados e informações, que se encontravam dispersos, ou mesmo ainda sem a luz da publicidade.

Na primeira dessas partes, foi transcrito o Apontamento feito por Homero Ferreira Castelo Branco (1889 – 1946), o primeiro desse nome, filho de Manuel Thomaz Ferreira (1826 – 1907), o segundo do nome, que revela a origem desse apelido familiar, em que ele com muita verve e bom-humor diz que a “genealogia sempre esbarra, via de regra, na cozinha, no mato ou na sacristia”.

No Piauí mesmo temos vários casos de padres ilustres e abnegados, mas que também foram grandes reprodutores. Quanto ao mato e à cozinha, todos sabemos que o Brasil é um país de ampla miscigenação, por sinal bem estudada na Casa-Grande e Senzala do mestre Gilberto Freyre e nos livros de outros sociólogos, a qual tem dado à pátria belas mulatas e lindas caboclas, que pululam em nossos principais romances.

Por falar em romance, o velho Homero, avô de nosso genealogista, parece ser um cultor da melhor literatura, e poderia ter escrito belas páginas se o desejasse, conforme se pode inferir dessa pequena amostra em comento. No breve trecho que a seguir transcrevo, referto de belas imagens e metáforas, bem como de elegante e irônica verve, a par de notável habilidade descritiva, podemos observar o seu talento para uma prosa fluida, rítmica e mesmo poética:

“Manuel Thomaz Ferreira, meu pai, tinha um irmão que temperou seu sangue com uma negra nascida em Benin, um país estreito entre Tongo e Nigéria, na África. Coração do mundo, seios fartos, comoventes, o dorso formava uma imperecível topografia. O tio tremia com as carícias que desenvolvia. Ergueu seu membro viril ao encontro do sexo, placidamente acertou entre as coxas, venceu a superfície vã do desejo, conhecendo o prazer que habitava no fundo de seus corpos.”

Com certeza o enxerto acima trai o talentoso poeta e exímio prosador que ele poderia ter sido. E foi, não obstante as poucas laudas que produziu. Poderia ter escrito um belo livro de memórias, ou mesmo um grande romance, ou ainda fulgurantes poemas. O velho Homero poderia ser a prefiguração do outro Homero, neto que viria, o nosso estimado Homero, mestre de uma boa prosa sem prosápias e de não menos boas histórias e vasto repertório de anedotas, que bem dariam um magnífico livro.

Sem embargo de seu diletantismo e do que poderia ter alcançado nas letras, se a estas tivesse se dedicado com afinco, produziu no Apontamento de sua autoria três importantes biografias de seus ilustres ancestrais: Miguel de Sousa Borges Leal Castelo Branco (1778 – 1844), campomaiorense, magistrado, deputado da Corte Constituinte de Lisboa, o primeiro piauiense a se formar na Universidade de Coimbra; Lívio Lopes Castelo Branco (1813 – 1869), seu avô, que ele descreve como sendo um rebelde, de temperamento impulsivo e de espírito acentuadamente liberal, pelo que lhe repugnava “toda injustiça, principalmente se cometida contra  os mais desfavorecidos da sociedade”; Lívio aderiu à revolta dos Balaios, na qual gastou vastos cabedais e Manuel Thomaz Ferreira (1826 – 1907), segundo do nome, seu pai, que teve 21 filhos (11 do primeiro casamento e 10 do segundo), dos quais descendem boa parte dos Castelo Branco piauienses.

Em seguida (parte II), vem o Apontamento feito por Herbert Marathaoan Castelo Branco (1916 – 2006), no período de 1950 a 2006. Herbert é neto de Manuel Thomaz Ferreira (2º do nome) e pai do nosso bravo Homero Ferreira Castelo Branco Neto, que nasceu na aprazível, bela e bucólica Amarante, quando seu pai ali exercia o cargo de promotor de Justiça. Depois, foi ser magistrado no Ceará, onde se aposentou no cargo de desembargador do Tribunal cearense.

Herbert, após reconhecer, que “nos aproximamos de nossos ancestrais quando vamos obtendo informações sobre cada um deles”, e que eles gostam disso, afirma que esse “elo com os antepassados representa a perpetuidade desses parentes”, passa a escrever, em linguagem elegante e escorreita, um misto de crônicas memorialísticas e biográficas de seu pai, de si mesmo e de seus irmãos, além de alguns textos sobre acontecimentos importantes ou curiosos do seu tempo.

Na parte III, nos deparamos com o Apontamento de Moysés Ferreira Castelo Branco Filho (1905 – 1980), neto de Manuel Thomaz Ferreira, segundo do nome. O autor desse apontamento foi general de Exército, professor de História, engenheiro e geógrafo militar. Autêntica vocação para a historiografia, escreveu notáveis livros sobre a História do Piauí, conforme pode ser conferido na nota de pé de página. Nessa divisão, foi acolhido importante texto de sua lavra sobre a Balaiada (1838 – 1840), cujo estopim foi o campomaiorense Raimundo Gomes Vieira Jutaí, um de seus principais líderes, assim como Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, alcunhado o Balaio. Como já disse acima, também participou dessa revolta Lívio Lopes Castelo Branco e Silva, fazendeiro e político de Campo Maior, sobretudo com o objetivo, segundo Moysés, “de afastar do poder o brigadeiro Manuel de Sousa Martins, havia 15 anos na governança do Piauí”.

Moysés, apesar de sua formação militar, tendo chegado ao posto de general de Exército, e de ter falecido em 1980, quando a ditadura militar ainda estava a pleno vapor, não teve uma visão retrógrada, conservadora dos Balaios, pois no texto coligido observa que “a Balaiada não deve ser vista como rebeldia de um bando de assaltadores e facínoras, assim julgada na época”, e assinala que seus chefes populares “não eram bandidos afeitos ao crime”, aduzindo que Raimundo Gomes era um boiadeiro de confiança do padre Inácio Mendes de Morais e Silva, e Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, era um “caboclo pacífico e chefe de família”, que vivia do trabalho honesto de confeccionar e vender balaios de guarimã.

Afinal chegamos à IV e última parte, a mais volumosa, um verdadeiro livro dentro do monumental livro, também denominada Apontamento, todo da autoria de Homero Ferreira Castelo Branco Neto (1943), bisneto de Manuel Thomaz Ferreira (1826 – 1907), o segundo desse nome. Não tomei o vocábulo monumental em vão, nem tampouco de forma meramente laudatória, mas porque este livro, em seu todo, é realmente monumental, tanto por ser volumoso em laudas, como pela sua notável contribuição à historiografia e à genealogia de nosso estado.

No Apontamento, ora comentado, o autor, em suas páginas vestibulares, discorre sobre sua afetividade familiar, sobre suas preocupações existenciais e perquire os grandes segredos e as recorrentes dúvidas metafísicas, a respeito das quais, creio, nunca teremos certeza nesta etapa existencial, nesta atual dimensão de nossa vida. E seguindo o mandamento socrático, dialoga consigo mesmo, procurando conhecer-se um pouco mais, na tentativa de decifrar os seus próprios enigmas e mistérios, que todos os temos.

O autor traça a descendência de Manuel Thomaz Ferreira (1º do nome), a partir de Joaquim José do Rego (n. 1792, em Portugal, e f. na Fazenda Peixão, atual cidade de Nossa Senhora dos Remédios) até dias recentes. Com relação a alguns dos patriarcas e figuras mais proeminentes elabora breves biografias, contudo recheadas de fatos notáveis ou curiosos, sendo alguns revestidos de certo caráter jocoso e mesmo anedótico. Com referência a Manuel Thomaz Ferreira, o segundo do nome, anota que numa lápide do cemitério velho de José de Freitas (antiga Livramento) está escrito: “Aqui repousam os restos mortais de Manuel Thomaz Ferreira, pai de uma legião de filhos; dedicou sua vida de trabalho e canseiras à família”. Aos 14 anos de idade, quando residi nessa cidade por um pouco mais de um ano, joguei bola quase todo dia ao lado desse antigo campo-santo, chamado de cemitério dos ricos, no qual entrei muitas vezes, para “pesquisar” nas lápides de alguns mausoléus.

Perlongando seu Apontamento, verificamos que Homero discorre sobre as vetustas casas-grandes das fazendas agropecuárias piauienses, sobre os casarões, as casas solarengas e sobrados de nossas mais antigas cidades, situando-as, descrevendo-as, pelo que ficamos conhecendo os seus alpendres, os seus pátios, as suas capelas, os seus oratórios e mobílias. Com essas leituras, nos lembramos de velhas porcelanas, guardadas em antiquíssimas cristaleiras, de velhos potes e bilhas, sobre maciças bilheiras, de que ninguém mais ouve falar. Fala ainda de velhos costumes, festas e folguedos. Refere alguns dos principais sobrados, casarões e solares pertencentes a membros da família Castelo Branco, situados em diferentes rincões piauienses.

Ao fazer breve estudo sociológico de nossa genealogia e dos entrelaçamentos familiares, produz um conciso relato histórico dos Dias da Silva, das emblemáticas e patriarcais figuras de Domingos e Simplício. Fala da importância histórica deste, de sua influência política, da orquestra de escravos, que ele custeou, ele que foi um potentado, de vida nababesca, faustosa. Narra episódios pouco conhecidos de sua saga cheia de aventuras, venturas e desventuras. Com efeito, sua vida foi mesmo romanesca.

São apresentadas no Apontamento de Homero as biografias de inúmeros membros da família Castelo Branco que se destacaram nos mais diferentes campos das atividades humanas, mormente nos da política, do empreendedorismo, das artes, do jornalismo, do magistério, da historiografia e da literatura.

Deu realce a Antônio Sant’ Anna Castelo Branco (18.08.1879 – 1953), barrense, mais conhecido como Dondon. Jornalista de pena desabrida e ousada, bastando que se diga que o seu jornal tinha o nome de O Denunciante. E ele denunciava sem temor as mazelas da sociedade e da política, vergastando sem pena os maus governantes. Por causa de seu destemor em suas catilinárias e verrinas, seus desafetos jogaram a impressora de seu jornal nas águas barrentas do Parnaíba.

Dondon, que era ao mesmo tempo o seu proprietário, redator, repórter, e “compositor” tipográfico, teve ainda que ser um pescador, para retirar seu equipamento das águas turvas do Velho Monge. Conta-se que ele, por simples irreverência, ou talvez para agredir a empáfia de alguns familiares, pedia no Karnak, então uma espécie de chácara de ricos parentes, o seu almoço, mas exigia que ele fosse posto numa lata de doce vazia, que apresentava. Veraz e imparcial, escreveu sobre sua postura jornalística: “Tenho um veículo de comunicação com posicionamento necessário diante dos problemas sociais, políticos e econômicos. Não existe apenas um lado de um fato. O Denunciante não dissemina informação inverídica que só atende o interesse dos patrocinadores. Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique.”   

Propagandista e figura emblemática das Lutas pela Independência do Brasil em plagas piauienses foi Leonardo de Carvalho Castelo Branco, que inclusive, por isso mesmo, chegou a amargar prisão. Dedicou parte de sua vida a tentar inventar o chamado moto contínuo, conquanto sem sucesso. Escreveu importantes livros de poemas; alguns, a exemplo dos de Sousândrade, maranhense, pareciam se destinar a um tempo futuro, que melhor lhes compreendesse o fundo e a forma. Adotou, depois, o nome de Leonardo da Senhora das Dores Castelo Branco.

Vários Castelo Branco participaram da Guerra do Paraguai, entre os quais cito: Pacífico da Silva Castelo Branco, dono de vastas glebas de terra e inúmeras fazendas de gado, que por três anos comandou o Batalhão de Voluntários do Piauí; Teodoro de Carvalho e Silva Castelo Branco, cognominado o “poeta caçador”, por gostar de caçadas e haver escrito a Harpa do Caçador; e Hermínio de Carvalho Castelo Branco, autor de Lira Sertaneja, que contém belos poemas de sabor popular. Todos nasceram em território que, então, pertencia a Barras. Também foram combatentes da Guerra do Paraguai: Eudoro Emiliano de Carvalho Castelo Branco, que depois, no início da República, se rebelou contra Floriano Peixoto, seu amigo, e foi por este mandado fuzilar (a contraordem chegou tardiamente); e os irmãos Antônio Lopes Castelo Branco (1º do nome) e Pórcio Lopes Castelo Branco, mortos em combate. Brilharam nas batalhas de Tuiuti e Lomas Valentinas.

Pacífico da Silva Castelo Branco, apesar de possuir vastas fazendas e escravos, tinha o costume de libertar alguns escravos, por ocasião de seu aniversário. Ao retornar da Guerra do Paraguai, emancipou todos eles. Homero nos informa que ele foi “fundador e militante da Sociedade Abolicionista Libertadora Barrense, presidida por seu irmão, Estêvão Lopes Castelo Branco Júnior, n. 18.07.1836, na Fazenda Ininga, advogado formado no Recife – PE”. Essa sociedade foi fundada em 01.06.1884, e na oportunidade foram entregues 37 cartas de alforria, 12 das quais conferidas pelo presidente dessa entidade libertadora. Na solenidade de sua criação, foi cantado o Hino à Libertadora Barrense, composto por Leovigildo Belmonte de Carvalho, que se tornou um grande defensor da causa abolicionista. O seu estatuto foi aprovado pelo presidente da província, Dr. Raimundo Teodoro de Castro e Silva, em 08.11.1884. Este livro contém a partitura do hino dessa sociedade libertadora.

Pacífico, por problemas de saúde, passou a morar em Parnaíba, no edifício onde hoje fica a Santa Casa de Misericórdia.

No discurso com que recebeu o autor na Academia Piauiense de Letras, disse o acadêmico e notável historiador Reginaldo Miranda, na noite memoranda do dia 20 de junho de 2013:

“Meu caro Homero, esta Casa é sua, seus familiares ajudaram a construí-la. A família Castelo Branco tem profunda ligação com a assim cognominada Casa de Lucídio Freitas, ele próprio aparentado aos Castelo Branco. Sua família deu uma enorme contribuição à literatura piauiense.”

Carlos Castelo Branco, escritor e jornalista, titular da famosa Coluna do Castelo, no Jornal do Brasil, membro da Academia Brasileira de Letras, quando tomou posse em nossa Academia Piauiense, em 26 de setembro de 1984, reconheceu a forte presença de sua família nessa agremiação literária:

“A identificação da Academia com minha família salta aos olhos de qualquer um que conheça sua história e sua composição, mesmo a atual. Seis Castelo Branco figuram entre os patronos: Hermínio, o poeta de Lira Sertaneja, o padre Joaquim Sampaio, Teodoro, que lutou na guerra do Paraguai, onde morreram 11 membros da família. Antônio Borges Leal, Miguel de Sousa Borges Leal, meu tetravô e o primeiro piauiense a formar-se em Direito na Faculdade de Coimbra e Heitor. Entre os titulares serei a partir de hoje o oitavo. Os outros chamam-se Fenelon, Cristino, Arimathéa Tito, pai e filho, que amputaram o sobrenome por desavença familiar de seus avós, Maria Nerina, Emília e Emília Leite Castelo Branco, filha e mãe.”

Por conseguinte, Homero houve por bem estampar a biografia de todos os patronos e acadêmicos da Academia Piauiense de Letras oriundos dessa velha estirpe, tenham ou não o sobrenome Castelo Branco incorporado ao seu nome completo.

Com essa notável obra genealógica, memorialística, biográfica e historiográfica, Homero Ferreira Castelo Branco Neto passa a se ombrear com os maiores genealogistas do nosso Piauí, quais sejam, Edgardo Pires Ferreira, Abimael Ferreira de Carvalho, Reginaldo Miranda, Vicente Miranda e Valdemir Miranda.

É uma obra homérica, no melhor sentido da palavra, feita por um Homero e digna de um Homero, seja grego ou não.