A  professora e jornalista Graça Targino, Profa. Doutora em Ciência da Informação Pós-Doutora em Jornalismo, lança no próximo dia 18, às 17 horas, no auditório da Biblioteca Carlos Castello Branco, da UFPI, o livro de crônicas Palavra de honra: palavra de Graça. Em prefácio à obra, o escritor e publicitário Celso Japiassu escreveu:

"UM OLHAR FEMININO SOBRE A VIDA E SOBRE O MUNDO

 Este é um livro feminino e sem pudor.

 O leitor, a leitora, vão entrar em contato com textos escritos por mãos experientes, que conhecem o ofício de escrever e que transmitem o olhar sensível e a experiência de uma mulher sobre o estar no mundo. E o faz sem medo de desnudar os seus sentimentos e o orgulho de ser mulher, título, por sinal, de um dos belos textos que compõem este volume.

 Existem, sim, formas diferentes de se relacionar com o mundo através da escrita e o texto masculino, por mais sensível e sentimental que possa eventualmente ser, é diferente da forma com que a mulher expõe suas emoções, um modo de ver através da experiência subjetiva muitas vezes levada até à revelação dos profundos desvãos da alma. A escrita do homem é, na maioria das vezes, tendente à objetividade e, por isso, carente de uma forma em que sujeito e objeto se fundem numa única verdade, que caracteriza de modo mais freqüente os textos femininos.

 A crônica é um gênero cujo valor literário foi discutido durante muito tempo e a opinião de parte da crítica era no sentido de que se tratava de jornalismo, e não de literatura, porque sua motivação era a vida diária, comentários sobre costumes e o dia-a-dia das pessoas em determinado momento. O aparecimento de grandes autores que a adotaram como forma de expressão mudou essa opinião e transformou a crônica num gênero literário cultuado em todas as épocas a partir dos primeiros anos do séc. XIX.

 Maria das Graças Targino traz a público as suas crônicas e exibe o seu talento de escritora em fortes depoimentos que passam pela sua vida pessoal e também pela forma engajada com que se envolve nos acontecimentos do tempo em que vive.

 São depoimentos fortes, jamais desprovidos de emoção, capazes de nos transmitir tristeza, decepções, alegrias e também a indignação da autora com os fatos que agridem a sua sensibilidade e lhe exigem participação.

 Mesmo que afirme não ser feminista, Maria das Graças Targino participa da discussão sobre a condição da mulher nesta época de tantas mudanças que afetaram a vida, os direitos e todas as circunstâncias das mulheres em todo o mundo. A geração da autora é aquela que viveu, testemunhou e sofreu todas as transformações ocorridas na segunda metade do século XX e no princípio deste século em que estamos vivendo. O mundo nunca havia mudado tanto, em tão pouco tempo, quanto agora.

 O livro se divide em três partes e a primeira é a mais intimista, pois nela a autora apresenta-se e fala de si mesma, da sua forma de ver o que se passa em sua volta e da aventura de viver. Na segunda parte, escreve sobre livros e filmes que marcaram sua sensibilidade e na última conduz o leitor em extraordinária viagem mundo afora. De suas inúmeras visitas a culturas e civilizações diversas, traz suas observações e reflexões sobre as pessoas que estão distantes, mas tão próximas de nós, comungando conosco as perplexidades diante da vida.

 Acostumada ao método acadêmico, Maria das Graças Targino organizou seu livro expandindo-lhe os temas; tomando como ponto de partida seu universo pessoal e íntimo para, em crescendo, ultrapassar as fronteiras do seu país e chegar a lugares distantes.

Em todos os textos, no entanto, existe uma única e verdadeira mensagem, que ultrapassa a fronteira do Eu e se junta a toda a Humanidade em seu destino passageiro.

 Esta é a viagem."

 

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