[Helder Pinheiro]

Soube, dia 5 de agosto, via postagem da amiga Zélia Versiani, do falecimento de Graça Paulino. Conheci-a através do livro didático Literatura: participação & prazer, publicado na década de 1980. Gostei muito do livro e tentei adotá-lo em mais de uma escola, mas não consegui. A abordagem do texto literário era diferenciada da maioria dos livros da época. Trazia unidades como “A circulação social dos textos”, “O cordel e a música popular”, “Relações entre textos”, dentre outros bastante significativos. Fiquei de olho nela. E ao longo dos anos fui descobrindo seus escritos sobre ensino de literatura, leitura literária em livros, artigos publicados em revista.


Até que em 2004 ou 2006, ela veio a Campina Grande para um evento que temos aqui (SELIMEL). Conversamos bastante, fomos ao São João. Perguntei por que o livro não vingou... Se não tinha vontade de voltar a ele, ampliar algumas discussões e tentar publicá-lo novamente. Ela riu, disse que agradecia a proposta, mas não sabia de acharia espaço para publicação. 


De sua palestra, lembro-me do aproveitamento que fazia do pensamento pedagógico de Tardif, autor que não conhecia e tive a grata surpresa de conhecer.


Graça tinha uma preocupação com o trabalho de Extensão. Ah, a extensão, todos querem ser lembrados como pesquisadores, quase nunca como professores ou extensionistas. Daí a importância de seu trabalho no grupo de extensão LIED - Literatura para Educadores, que realizou várias publicações voltadas para a leitura do texto literário na escola.


Fiquei aqui pensando: será que os amigos de Belo Horizonte não poderiam juntar tantas reflexões de Graça Paulino e publicar num livro?


Seria uma grande contribuição. Foi ela que iniciou entre nós a reflexão sobre Letramento literário. Embora eu não siga essa vertente, considero que tem uma importante contribuição.


Deixo minha homenagem trazendo a imagem de vários livros que organizou junto com outros professores. 

É, por certo, uma graça ter tido entre nós a professora Graça Paulino. Ler sua obra talvez seja a maior homenagem. 

Publicado originalmente pelo professor Helder Pinheiro em sua página no Facebook