O DESERTO 

  Todos nós temos um deserto em nossa alma.

  O deserto de nossa alma não é estático.
  Seu solo não é uniforme e a areia e as pedras têm várias
  nuances de cor.

  E sobre o deserto de nossa alma, passa o vento em ondas
  que levantam as areias, fazendo-as rodopiar sobre
  os lugares mais doridos de nossa alma.

  No entanto nesse deserto é o único lugar em que podemos
  ficar sós, pois ninguém sabe que estamos lá, e de nós só
  é conhecida a face que mostramos, "quando saimos dele"
  - pois até mesmo no deserto, às vezes procuramos nos
  ocultar, para nos refazermos, nos recrearmos, estarmos
  em algum momento, satisfeitos conosco mesmos.

  O deserto é aberto, escancarado ao mundo, à vida, e como
  não tem nada nele além das pedras e da areia, a imaginação
   não é maior do que a realidade, e é para ele que nos
  postamos para nos refazer, como fizeram os profetas
  bíblicos - se bem que não consigo imaginar que deserto
  teve os profetas, como Yocanahan e Yesus, pois 
  árido e deserto mesmo, só conheço o Saahra - uma vez
  que o Tamil Nadu no Sul da India, é de terra dura e vegetação
   rasteira, com rochas que formam até "portões" naturais,
   como os construidos pelo homem em Stonehenge.

   Mas, na sua aridez, o deserto concentra uma força 
   magnética, que armazena para toda a vida, e que no-la
   devolve como mistério a desvendar um dia - ou nunca,
   mas é agradavel sentir-se o cheiro de musgo de cripta
   de santuário de magos.