A Casa de Lua Nova
 
   Lua Nova morava sozinha.
   Seus parentes residiam em outros estados.
   Por isso, preocupada com a solidão, Lua Nova resolveu abandonar
   sua casa e ir morar com os parentes.
    As plantas em vasos, retirou-as e deixou-as sobre
   os canteiros no jardim - para se fixarem e não dependenrem dos
   cuidados humanos.
   Lua Nova pegou um saco de viagem, enfiou nele os pertences neces-
   sarios e partiu dos arredores de Pquim, para uma longa viagem.

   Foram onibus pelas estradas, caminhões, carroças, carros...
   uma barulheira infernal a qual ela não estava acostumada.

   Para pegar outro onibus, Lua Nova guardou sua mochila numa estação
   e foi passear pelo lugarejo.
   Encontrou um Templo Budista.
   Ali, se achou no silencio a que estava acostumada.
   A serenidade da fiionomia do Grande Buda de Pedra, parecia lhe transmitir
   alguma coisa.
   - Essência Unica ou Unidade, pensou.
   A Atmosfera da Essencia Unica permanece;
   como uma matriz feminina, ela tem tudo para a vida de um feto.
   E nós a abandonamos, para gritar por ar para respirar e chorar de fome
       para comer.
   A penetração da Essencia Unica em Lua Nova foi tão real, que ela até a
   noite, não sentiu fome e...
   ... voltou para sua casinha abandonada.
   Chegou com o céu escuro, pois era Lua Nova.
   A porta de madeira vermelha parecia ter sido arrombada - mas não o fora
   totalmente - Lua Nova penetrou no ambiente que tinha seu cheiro,  seus
   sonhos abandonados, e um lastro de viver que se perdia no Universo...
   Aqui na Terra, nada havia para ela, a mulher solitaria, cuja solidão era um
   Livro Indecifravel, mas absurdamente compreensivel num céu escuro
   onde a Lua que viria tinha o mesmo luar da escuridão.