Correm pelo rio
flores sem perfume
e as faces do silêncio.
Correm as águas de dezembro
e a malícia das margens
germinando inundações.
As ondas na areia
arrastam os ventos áridos
e limpam os olhos das varandas.
As ondas na areia
aposentam o tempo
e o velho garimpa Debussy
a
n s
l s
u a
das deusas de vidro.
No cio do trânsito
o edifício faz travessuras.
As vidraças do prédio
acompanham os dragões
nas blusas das passantes
e das janelas dos apartamentos
a distãncia entre os mundos
curva-se aos breves versos
dos olhares.
Além da fronteira das ruas
o observador conta
nos detalhes da tarde
as pétalas das roas.
A cara
e o coração
do sábado
cortam o sabor da avenida.
A cara
O coração
O sábado
A avenida
O coração
O sábado
A avenida
O sábado
A avenida
A avenida
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