Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Os Olhos do Silêncio

CHUVA NA ALMA DO RIO

Correm pelo rio
flores sem perfume
e as faces do silêncio.

Correm as águas de dezembro
e a malícia das margens
germinando inundações.



UTOPIA

Descobri o Brasil
na brasa
que queimou
 as árvores
 da
 E
 S
 T
 A
 D
 A



À SOMBRA DOS COQUEIROS

As ondas na areia
arrastam os ventos áridos
e limpam os olhos das varandas.

As ondas na areia
aposentam o tempo
e o velho garimpa Debussy

  a
 n  s
 l  s
      u      a

das deusas de vidro.



PERIPÉCIA URBANA

No cio do trânsito
o edifício faz travessuras.

As vidraças do prédio
acompanham os dragões
nas blusas das passantes
e das janelas dos apartamentos
a distãncia entre os mundos
curva-se aos breves versos
dos olhares.

Além da fronteira das ruas
o observador conta
nos detalhes da tarde
as pétalas das roas.

 

 



POR-DO-DIA

A cara
e o coração
do sábado
cortam o sabor da avenida.

A cara
O coração
O sábado
A avenida

O coração
O sábado
A avenida

O sábado
A avenida

A avenida



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