Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 23 de junho de 2017

+ Hum Poemas

POR TRÁS DAS PALAVRAS

O homem mergulha na imensidão do livro
e as letras agigantam-se
diante dos olhos.

Letras gordas, dançantes, temíveis
sob a retina do observador
valsam no velejar da aventura.

As palavras marcham nas páginas da mesa
e misturam histórias diferentes
ligadas pelos laços do amor.



O VAGA-LUME VOA NA TARDE

O vaga-lume veste a tarde
com as cores da noite
e compõe no asfalto
a trajetória do dia.

Mas o brilho do sol
amanhece nos edifícios
e despacha as sombras
que escurecem o caminho.

O vaga-lume veste a tarde
com as cores da noite
e sua luz luta
contra a loucura da manhã.

O vaga-lume veste a tarde
com as cores da noite
e a claridade da cidade
some no clarão
das praças solitárias.


 



OLHOS NO INFINITO

A palavra seca
o rio que nasce
nos meus olhos.

Semeio suor
nos ombros do tempo
e a vida do silêncio
brota nos jardins
que o olhar esconde.

 



FAROL DO APOCALIPSE

No banco da praça
o corpo da árvore rega
a galáxia onírica dos namorados.

O pecado cai das nuvens
feito chuva passageira
e arrasta a tábua da salvação.

As portas do céu abrem-se
para a dama de branco dançar
com o anjo do apocalipse.

O poeta se veste de padre
e a poesia do paraíso
soa o sermão do juízo final.


 



ROSTO QUE SE REFAZ

Quebro a cabeça
no quebra-cabeça que montei
na água do riacho.

A correnteza fria
gela-me o corpo
cansado da última batalha.

Tento tolerar
a imagem de pedra desfazendo-se
na descida do precipício.

De repente me misturo à terra
e atiro-me dos penhascos do sonho.



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