Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 23 de junho de 2017

Colméia de Concreto

Por: Herculano Moraes

              Dílson Lages Monteiro e o poder dos símbolos             
 

            A geração do terceiro milênio já não está apenas ensaiando passo em direção ao futuro, mas fixando com segurança as marcas de estilos que se definem no contexto das letras piauienses.

 

            Dílson Lages Monteiro estreou em 1995, com +Hum – Poemas, refletindo as inquietações da juventude diante do quadro e instabilidade política e social do país, à procura de alternativas para recompor os tecidos necrosados da sociedade.

Era ainda uma poesia experimental, tímida, de contornos juvenis, engajada, social e lírica.

            Sem perder as motivações iniciais, o poeta retorna com este Colméia de Concreto, retomando a temática, mas projetando uma visão amadurecida dos problemas existenciais, na redescoberta de valores onde a linguagem é o instrumento vivo do discurso poético:

 

            Apenas rejeito o açúcar das rimas

            Que acalenta o suicídio dos mortais.

                                                                       (“Na superfície”)

 

            O laboratório poético o conduz a novas descobertas, à expressão exata, concisa, segura, a consagrar o poema:

 

            Sem que ninguém ouça

            Sou a voz das águas

            Multiplicadas

            Quando o sol fecha a cara

            Com vontade de dormir.

                                                           (“Liberal”)

 

            A poesia do milenismo, como é fácil observar pelo poder de Dílson Lages Monteiro, tem o signo da reconquista e da reconstrução. Debruça-se sobre as perplexidades do tempo vivido, dos paradoxos e dos desencontros, e se prolonga na expectativa do sonho, nas paráfrases da reconstituição da forma e da essência.

            O mito poético não se destrói, mas a natureza criativa do poeta o induz a reconstruir os signos da fala. E então a sua poesia se impõe como fruto da razão construtiva:

 

            Inconscientemente

            Os caminhos cortam o campo.

                                                           (“Incêndio”)

 

            Muito mais do que a projeção dos flagrantes da memória, a poesia de Dílson Lages Monteiro instaura o poder dos símbolos, a metáfora conduzindo o fio da palavra.

            Os temas reproduzem os instantes de inquietação, as dúvidas ocasionais, ao amores nas tardes calorentas de Teresina.

            A expressão poética se impõe pelo domínio do processo laboral.

            E Dílson Lages Monteiro se faz presente na história da literatura, não mais como esperança, mas como uma realidade definitiva.

 

Herculano Moraes

Da Academia Piauiense de Letras

Da Academia de Letras do Vale do Longá

Da Academia de Letras do Médio Parnaíba


Por: José Ribamar Garcia

"Sua poesia reflete a excitação preocupante da alma humana, numa sociedade de desigualdades sociais. E dos desencontros frustrantes de quem chega antes ou depois – deixando sempre a expectativa de que podia ser possível. E dito numa linguagem objetiva e contundente, mas sem perder a beleza. Daí a graça de sua poesia"

Por: Carlos Evandro Martins Eulálio

"A poesia de Dílson se pauta por um estilo objetivo, direto, substantivo. A sentimentalidade é pulverizada pela subjetividade, o que mostra o trabalho racional e inteligente de sua poesia".

Por: Carlos Carvalho

Os poemas de Dílson Lages deixam transparecer uma"angústia existencial", um desejo incessante de ser, de passar de potência a ato, do sonho à realização.

O tempo (cronológico) é marcado através do ontem (passado) em busca de uma realização presente ou futura. É a vontade espreitando o fato, é o desejo de voar, de acordar para a vida, de realizar o poema que ainda não foi feito, de viver os sonhos e de encontrar a palavra! Estas vontades latentes não se concretizam, não se tornam realidade, há algo que impede a realização e que o eu-poético não sabe explicar. O que faz com que o destino desista e se reduza ao vazio? Por que o florescer das rosas é interrompido? Tudo é constatado, mas não fica explicado.

Talvez, a redução do desejo seja causada pelo conflito entre os resquícios de religiosidade que quer aflorar. É o querer pulsando e tentando sugar o máximo do que o dia pode proporcionar. Porém, a sensação de vitalidade e de desejo de mudança perde a força ao entardecer e "o sol fecha a cara", impossibilitando transformações reais.

Em alguns poemas, a figura feminina aparece de forma ambígua, ou seja como uma deusa e noiva ou como serpente e maliciosa. É a mulher vista como ser com características sacras e profanas.

Além do que foi dito, muitos detalhes poderiam ser observados nos poemas de Dílson, em função da variedade de cenas que aparecem como retratos do cotidiano, misturados a um "afã interno" composto por dúvidas e insatisfações. Porém, quero enfatizar a sensação do "querer-viver" que é passada para o leitor e a ansiedade que este sente durante todo o livro "Colméia de Concreto", esperando um extravasar, um final hedonista, um grito alucinante que, feliz ou infelizmente, não acontece!



Por: Wanderson Lima

"Seu livro, caro Dílson, agrada-me. Os poemas são bons. Sugestivos, substantivos, concisos, de um poder metafórico que beira o surrealismo e, ainda assim escrito em linguagem simples. Senti que você transpira muito: as imagens surpreendem ao ponto de chocar, as aliterações possuem um alto poder sugestivo, os temas são tratados de maneira insólita e acima das superficialidades."

Primeira12Última
Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Outras Obras

09.04.2010 - O morro da casa-grande

Poemas | Comentários

16.03.2005 - + Hum Poemas

Poemas | Comentários

17.03.2001 - Sabor dos Sentidos

Poemas | Comentários

16.03.1999 - Os Olhos do Silêncio

Poemas | Comentários

16.03.1997 - Colméia de Concreto

Poemas | Comentários

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br