Rogel Samuel
ai! haiti
que inimigos tens, secretos
feitos de homens, feito de deuses?
monstruosidades calam em teu leito
mudas a cada grande dor teu enorme pleito
pela vida, pelas águas, pela multidão de
teus feitos
desde a colônia francesa de são domingos
desde a revolução francesa
desde teu líder Toussaint L'Ouverture
que derrotou a França e a Inglaterra
preso por Napoleão
desde Dessalines e os jacobinos negros
que prosseguiram o combate e a conquistaram,
em 1804,
a Independência cruel, sangrenta e definitiva,
que batizaram em sangue o País como o nativo Haiti
e onde meu amigo chinês mora ou morava
(não sei dele) e ensinava;
ai de ti, ó povo da Independência vitimado
que atrai da vitória a maldição
a maldição dos heróis
a maldição dos deuses
pelo que produziste
o café, o anil, o cacau, o algodão
e o açúcar melhor do que ninguém
e onde meio milhão de escravos africanos trabalharam
ó vítima da liberdade
que os deuses me protejam da tua maldição!
ó, haiti
ROGEL SAMUEL
Rogel: Simplesmente encantador, no que toca à poesia, simplesmente trágico, no que toca ao tema. No entanto, num caso e noutro, o que permance mesmo é a humanidade do poema em meio à trágédia de um povo.
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