Dilson Lages Monteiro Quarta-feira, 23 de maio de 2012
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Outra inscrição para um túmulo no ar

Outra inscrição para um túmulo no ar

          [Por Luiz Filho de Oliveira]    

          Especial no aniversário da "Cidade Verde"

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                      

                                                                                   Meninos,
nas matinês dos
domingos, lá pras
bandas da curva do
rio – com o Poti abaixo
(sim, uma garantia?) –, um
passarinho de metal desovava
no céu sementinhas; e vinham caindo
velocíssimas para, em seguida, abrirem-se
como florzinhas: pequeninas ilhas de cores teresinas,
paridas pelo voo dessas aves ocas, loucas pelas alturas terrenas!
Os meninos esperávamos, sobretudo, sobre todas as altitudes, pelo Louro,
o principal pontinho do grupo dos pulos nos ares do abismo, o príncipe dos
comentários dos caras do bairro, do Primavera  (sempre abismados, os meninos);
entanto, estávamos tão abaixo de entendermos a altura dessa Física, de um artefato
saltado do entendimento davinciano e longíquo. Ah, seos meninos, eu vi também os
saltos do Louro pelo brancinzazul do céu do meu bairro soltos; primaveral flor do céu
que voa, e todas voam: o pouso sobre o desejo tão grande e tão baixinho (mítico?) de voar acima dos telhados dos olhos primaverinos. – Lá vai o Louro saltar! – Lá vem o louco! – Lá vai no vento indo. – Vai pro aeroporto. Esse foi o salto que caiu dentro do encanto dos meninos de boca aberta: – Quede os paraquedas? – Quedê? – Cadê? Que pena. Ninguém mais os-espera. Como flores soltas na corrente de ar: elas, pelos louros do desafio à queda-livre, presas dentro deste poema, dos céus das páginas, saltam nos

 

 

 

 

 

 

 

 

 
olhos
dum menino
teresino.
 
Foto: Ponte Estaiada Mestre Izidoro, em Teresina-PI

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Comentários (1)

Luiz Filho de Oliveria: Observo atentamente que você costuma, nesta coluna como uma introdução como se fora um mote se o fosse uma bela e ousada crônica, ousado não por ser atrevida pra por expressar com estilo individual, cheios de marcas que já lhe posso notar nos sesu texto em prosa. É com se fosse uma introdução , a gênese de um poema que se vai criando, se vai tornando forma e fôrma até resultar num poema moderno e ao mesmo tempo impregnado de boa tradição lírica. Seu centro é , primeiro a linguagem, segundo, a estrutra em verso, quase sempre criando aqueles estranamentos que começaram com a o surgimento da poesia da modernidade. E aí estão a crônica e o poema, a prova e acontraprova: o artefato literário em versos que brilham como o sol e reverbaeram imagens inesquecíveis alegias pueris de um menino em Teresina no seu bairro de morada. O paraquedas é a alegoria de um tempo de felicidade, que é o tmepo da infância e da mjuvnetude inicial. O uso do carmem figuratum , muito antigo, à semmelhança de Da Costa e Silva em Zodíaco, nos Ádito, caiu bem nos seus versos modernos e que , na queda gráfica do espaço em brnaco, dá um susto no leitor, como se este estivesse participando do olhar vivo da criança ao acompanhar, em "alumbramento" a simples queda aterrisagame de um para-quedas:"olhos de um menino teresino".

Francisco da cunha ae SilvaFilho
postado:
19-08-2011 14:30:49

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