A Teresina FM,  veículo de radiofonia da capital piauiense, promoveu discussão sobre o mercado editorial e a importância da leitura, nesta quarta-feira, 9. O diálogo sobre o tema aconteceu no Programa Passatempo, revista da tarde diária, comandada pelos jornalistas Chagas Botelho e Simone Castro, sucesso de audiência na emissora. O convidado para a interlocução foi o diretor de Entretextos, o escritor Dílson Lages Monteiro.
 
Citando o jornalista e editor, Cláudio Soares, do Rio de Janeiro, Dílson argumentou que a crise vivida pelas maiores livrarias do País, crise que chegou também a pequenas  e a médias livrarias, não pode ser vista exclusivamente como uma questão econômica nem de gestão. “O mercado editorial insiste em dizer que a redução do faturamento não está vinculada à leitura em tela, levando em conta que apenas um por cento do faturamento do mercado livreiro é oriundo da aquisição de e-books. Ora, não podemos precisar isso, porque a leitura em suportes digitais é um vácuo. Como medir concretamente o que se lê diante de uma ferramenta tão revolucionária?”, indagou.
 
Para Dílson Lages, não há como saber concretamente quais livros de domínio público, ou mesmo pirateados, sejam técnicos ou de função estética,  lê-se online nos mais diversos formatos e suportes que não o livro em papel,  ainda que o mercado do livro diga o contrário.   “Como medir o que não conseguimos ver?”, questionou, argumentando que a leitura de livros em tela  se tornou um processo natural.
 
Ao ser indagado sobre como subverter os indicadores de leitura no país, o  escritor foi taxativo: “É um equívoco culpabilizar livrarias, embora elas também precisem se reinventar para atrair leitores. A questão fundamental é desenvolver políticas do livro e da leitura eficazes”, disse, enfatizando que  “não se pode esquecer de considerar os modos de recepção da leitura dos novos tempos”.