Dilson Lages Monteiro Quarta-feira, 23 de maio de 2012
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Nós, os quase extintos

Nós, os quase extintos

Nós, os quase extintos


 
(Na foto: Coelho Neto)

 
Rogel Samuel

 
Nós, escritores independentes, somos seres quase extintos na face da terra.
Nossa sobrevivência hoje se deve aos blogs e sites.
Somos todos nós, poetas, cronistas, romancistas, homens de letras, que fazemos da literatura nossa razão de ser, uma centena de milhares de seres, esquecidos da media, cuja produção continua firme, mas que raramente recebemos dos leitores a capacidade de “viver da pena” como se dizia antigamente.
Poucos conseguem viver do que escrevem no Brasil, como Coelho Neto, Humberto de Campos que sobreviveram do que escreviam. Até Machado era funcionário público.
Creio que hoje somente poucos, como Márcio Souza, vivem de direitos autorais.
Uma solução curiosa e inteligente foi a alemã. Pelo menos era assim na década de 90: as bibliotecas públicas cobravam uma pequena taxa de uso para o fundo de aposentadoria do escritor alemão, e as livrarias eram “obrigadas” a colocar os autores alemães na frente dos demais. Na vitrine.
No Canadá as livrarias emplacavam assim cada livro nacional: “ESTE É ORGULHOSAMENTE UM AUTOR CANADENSE”.
Por que hoje estou neste estado deprimente?
- Ontem eu entrei na Livraria Saraiva no Shopping Rio Sul e vi que os autores nacionais sumiram de cena. Só nas estantes laterais, marginais. Nenhum programa da tarde de domingo da TV homenageia um poeta, um cronista nacional.
Seremos seres em extinção?

 

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Comentários (1)

Prezado Rogel: Sua brevíssima e oportuníssima crônica, "Nós, os quase extintos", fala por todos nós que amamos a ativide da escrita literária em suas várias modalidades de expressão. V. bem resumiu o sentimento comum de nossa classe, muitas vezes tão dividida, tão cheia de susceptibilidades. O Brasil é muito injusto com os que se dedicam, de graça, à pena. É preciso que o leitor em geral valorize o nosso trabalho na literatura sobretudo. ´E preciso também que sejamos unidos entre nós mesmos. Que a vaidade não nos atrapalhe. Valorizemos os nosso colegas de pena. Sempre que possível,quando mereçam, que comentemos seus textos. Assim nossos colegas se sentirão estimulados. O leitor, da mesma forma, deve prestigiar nossa produção com palaavras de encorajamento ou crítica construtiva. Todo escritor gosta de ser lido e apreciado. não escrevmeos para as pedras, mas para os homens, as mulheres, a juventude, a sociedade em geral. Sua crônica, Rogel, posto que um tanto melancólica, merece ser meditada por todos, escritores, leitores, o público. Compartilho, pois, destas suas justas observações. Um abraço do Cunha e Silva Filho

Cunha e Silva filho
postado:
26-11-2011 22:45:35

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