Dilson Lages Monteiro Quarta-feira, 23 de maio de 2012
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No rasto da tristeza

No rasto da tristeza

 Mal entrei 

vi 
a mulher passeava os olhos
 
nas paredes cheias do café
 
duas lágrimas de vinho no copo branco
 
uma maçã mordida ao lado do jogo de xadrez
 

Entrou-me aqui - disse a dona do café-
 
só adivinho misérias
 

Voltei a olhar
vi
 
a mulher tinha uma medalha no fio
 
nas mãos dois anéis de coração
 
um de vidro outro de ouro
 
olhava o fim da tarde na serpentina
 
da televisão
 


Um ruído sobressaltado e decifrado pela dona do café
 
-não tenho visto nada em condições
 
só adivinho misérias_
 


A mulher dizia isto
 
naquele tempo os campos só davam estradas
 
as estrelas morriam no calor das noites
 
havia um coração peregrino que era o meu
 
não sofria caminhos nem dava morte
 
anoitecia tanto
 
eu ainda não estava aqui
 

Levantou -se e veio ao meu encontro
 
disse -me
 
vou contar-lhe um segredo
 
cheguei pela margem aqui
 
estendeu-me as mãos frias
 
fechou os olhos
 
no contentamento de calor humano
 

eu não incomodo ninguém

José Ribeiro Marto
http://vaandando.blogspot.com/

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Comentários (1)

Meu caro amigo Agora mesmo e sem o querer, encontrei este meu poema aqui no seu blogue , pelo que lhe agradeço sinceramente a simpatia . Um abraço José Ribeiro Marto

jose marto
postado:
19-01-2012 22:34:58

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