Mário de Andrade
Velas encarnadas de pescadores
Velas coloridas de todas as cores
Águas barrosas de rios mares
Mangueiras mangueiras palmares palmares
E a barbadianinha que ficou por lá
Ôh alegre porto
Belém do Pará!
Ó alegre porto, Belém do Pará
Vamos no mercado, tem mungunzá
Vamos na baía, tem barco veleiro
Vamos nas estradas que têm mangueiras
Vamos no terraço beber guaraná
Que alegre porto
Belém do Pará!
O Sol molengo do pouso ameno
Calorão batendo que nem um remo
Que gostosura de dormir de dia
Que luz que alegria que monotonia
É a barbadianinha que ficou por lá
Óh alegre porto
Belém do Pará!
A barbadianinha que ficou por lá
Relando no branco dos moços de linho
Passeando no Sousa, que lindo caminho
Na sombra de enorme e frondosa mangueira
Depois que choveu a chuva para-já.
Ôh barbadianinha
Belém do Pará!
Lá se goza mais que New York ou Viena
Só cada grelada de cada pequena
De tipo mexido ianque-brasileiro
Alimenta mais que um açaizeiro
Nosso gosto doce de homem com mulher
No Pará se pára, nada mais se quer
Prova tucupi, prova tacacá.
Ôh alegre porto
Belém do Pará!...
(Foto de Ronaldo Salame)
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