Elmar Carvalho
doce amaro
pródigo
avaro amarante
ante-amar-te
anti-amar-te
antes sempre após
agora
sem agouro sem demora
sem pressa e sem presságio
pé ante pé
perante tuas casas sonolentas
diante das fráguas das serras
que descerras em cortinas de azuis
descortinas neblinas
na paisagem – plumagem/brumagem fixada
na retina retentiva redentora do poeta
amarante
amaranto de
memórias atávicas de catimbós
murmúrios ancestrais de urucongos
requebros lascivos de velhos congos
resquícios longínquos de quilombos
encravados em abissais cafundós
dos antepassados cativos altivos dos mimbós
perante ti
amarante
a água escorre lacrimal
pela sinuosidade do morro da saudade
deságua na desembargador amaral
e de val em val
de sal em sal
boceja nas bocas de lobo dos esgotos
gargareja nas gargantas gosmentas dos gargalos
mergulha e deriva singular
nas águas plurais do parnaíba
amarante
perante ti
imperante
o vento verdeja agreste nos ciprestes
rumoreja aguado nos aguapés
sacoleja sem leste oeste
a copa fagueira das faveiras
tuas tardes tardas dolentes amaras
abres das janelas
debruçadas em melancolias
e alicias e (re)velas
as moças nas modorras mormacentas macilentas
em que delicias cilicias e acalentas ...
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