Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 27 de junho de 2017
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Como revisar um livro infantil

Como revisar um livro infantil
Você sabe o que faz um revisor? Acha que revisar é apenas ajustar um texto de acordo com a norma gramatical? E o texto infantil, tem especificidades? Para responder essas e outras questões, convidamos a escritora e revisora Ana Elisa Ribeiro, responsável pela revisão do livro Buriti Grande. Vem ver o que ela contou pra gente!
 
 
Como revisar um livro infantil
 
Buriti Grande é o livro novo da querida Marismar Borém, para quem eu abri uma pastinha separada no meu computador. É que tenho feito as revisões dos textos originais dos livros da autora, que produz bastante! Nessa pastinha, há vários textos dela, e cada um teve um processo um pouco diferente do outro, na hora da revisão.
 
O caso do Buriti Grande foi assim: revisei o texto já com o livro diagramado e ilustrado. Às vezes, a Marismar me envia o texto cru, preto no branco, no arquivo do Word mesmo. A revisão fica legal, mas ainda é muito difícil imaginar o que vai ser o livro de verdade. (Não é Roger Chartier, grande historiador do livro, que diz que autores escrevem textos e editoras fazem livros? Pois é.) E aí, depois que o diagramador entra em cena e o ilustrador trabalha bastante, é sempre bom rever o livro para espiar se alguma coisa aconteceu de diferente com o texto. E sempre acontece.
 
Às vezes, na hora de compor o livro, uma letrinha sai do lugar, uma palavra escorrega, uma divisão silábica fica errada em português, uma ilustração sobe por cima de um trecho de texto etc. A divisão do texto nas páginas também pode ser melhorada. É muito importante rever. No caso do Buriti Grande, fui revisando na tela do computador, em PDF mesmo, e inserindo comentários em vermelho (podia ser azul, roxo, pink...), para que a Marismar e a editora vissem tudo direitinho. Depois enviei para elas e o livro foi ajustado, mais uma vez.
 
Engana-se quem pensa que o processo editorial de um livro infantil (ou qualquer um) possa ser feito a “toque de caixa”. É preciso ser detalhista e minucioso, para que nada dê errado. É tão chato quando alguém aponta um problema depois que o livro foi impresso... vamos evitar, né?
 
Além de revisar aspectos linguísticos do texto, eu sempre sugiro algumas coisas à autora. Ela às vezes acata porque sabe que o texto pode melhorar. E se ela não acatar, está tudo bem. Mas já dei pitacos em frases que poderiam melhorar, em trechos de texto que estavam estranhos ou que poderiam ser interpretados de maneira indesejada. Fazer um livro é mesmo uma parceria entre profissionais. Fico feliz por a Marismar ter me escolhido para esta colaboração.
 
Uma coisa importante sobre a revisão e a preparação do livro Buriti Grande, assim como de todo livro endereçado a um público bem jovem ou a um gênero mais literário, é que a gente não lida só com a norma gramatical. A gente precisa lidar, principalmente, com a sensibilidade e a poesia. Às vezes, há uma personagem falando e a voz dela precisa ser ouvida e sentida pelo leitor. Às vezes é uma fala informal, totalmente aceitável na nossa linguagem diária. E precisa ficar como está, não se pode transformar aquilo em uma fala artificial e forçada. Já vi livros infantis muito esquisitos, claramente revisados por profissionais que aplicam só gramática normativa em tudo. É preciso estar bem ciente do gênero do texto e de seu endereçamento a um público tal.
 
É uma alegria cuidar do texto da Marismar. Uma alegria ampliada fazer isso em colaboração com a Aletria. Tomara que o leitor e a leitora gostem.
 
Publicado originalmente no site da Editora Letria

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