“São Paulo, 3-6-1944.
Anísio,
Passou por aqui um engenheiro baiano, Nery, que muito me falou de você; e também um moço da livraria do Otales, que te levou me abraço. Mas esta não é para nada disso – nem para comentar a entrada americana em Roma, o grande fato do dia de hoje. É para te comunicar algo muito importante. Todos nós, Anísio, temos o vago sonho de encontrar um livro que nos seja uma casa definitiva – a casa de sonho que procuramos. Um livro no qual; moremos, ou passemos a morar como um rato dentro de um queijo. Um livro que seja casa e comida. E se como D. João saltava duma mulher para outra em busca da única, ou da certa, nós vivemos como gafanhotos, a pular de livro em livro, é que nunca aparece o nosso livro. Quando Sto. Agostinho dizia temer o homem de um só livro, ele se referia ao perigo que é o homem que encontra o seu livro (...).
Pois creio que encontrei o meu livro – o queijo para casa e comida do rato velho que sou. E chama-se A Grande Síntese, de Pietro Ubaldi.
Quis mandar-te o livro em vez de apenas indicá-lo, mas não achei nenhum nas livrarias, estão tirando nova edição. Fica aí de alcatéia, para fisgar um quando saia. E leia-o como estou fazendo: sem pressa nenhuma, com a simpatia aberta como uma flor (...). Estou ainda pouco avançado na leitura tanto me deslumbro e paro pelo caminho, e tenho um medo imenso de que com você não se dê a mesma coisa. Mas há de dar-se. Impossível que você não veja o que esse livro é. E sabe que A Grande Síntese está cá em casa há quase dois anos, e só agora eu a descobri? Purezinha morou nela todo esse tempo, e foi essa persistência que me atraiu a atenção: Abria-a ao acaso, comecei a lê-la... e eis-me evangelizante ! Eis-me a escrever ao Anísio, para que a leia também. Por que ao Anísio e não a outro qualquer? Porque você é a Inteligência pura, Anísio, e tenho a certeza de que, a tua opinião sobre o livro podia coincidir com a minha – e que glória para mim por tê-la a indicado ?
Mas se acaso seguires meu conselho e leres A Grande Síntese, não quero que me escreva logo após a leitura – e sim um ano depois; isto é, depois que a leitura amadurecer como os vinhos...
Adeus. Dê-nos a tremenda notícia de que anda projetando uma daquelas famosas vindas a S. Paulo. Venha levantar o ânimo de S. Paulo que está “crest fallen” com a tua já tão longa ausência.
Mil abraços do
Lobato”
(trechos da carta do escritor Monteiro Lobato ao educador Anísio Teixeira. O original encontra-se no CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas, na Praia de Botafogo, Rio. Conforme www.pietroubaldieditora.com.br
Postagem de Antônio Carlos Rocha
Morre Mindlin, homem culto, da ABL, uma grande figura nacional.
Essa realidade histórica de nosso ensino público tem antecedentes
Juridiquês é apelido dado à linguagem rebuscada e pomposa utilizada pelos operadores do Direito
Eu recebi o dinheiro e coloquei o mesmo nas minhas vestimentas
Dílson Lages Monteiro Para onde vão as lembranças quando o tempo não se cuida de guardar? Acaso se
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