Lázaro. Esse é o personagem do escritor piauiense Assis Brasil, personagem que se surpreende com quedas sucedâneas. Empregado em um escritório, vivia uma existência trivial, igual, em sua rotina, a de milhares de trabalhadores dos grandes centros urbanos, até vivenciar as inquietantes quedas, para as quais busca uma resposta. Seria um problema espiritual? Seria alguma doença? Como entender a origem de cada queda?


As quedas dariam origem a um processo de mudança radical em sua vida. Lázaro é personagem de O Prestígio do Diabo, de Assis Brasil. É um romance sobre as muitas "quedas do homem", sobre a fragilidade do ser humano diante de forças complexas, desconhecidas, incontroláveis, que ele carrega dentro de si. Também uma profunda reflexão sobre a força do capital nas sociedades humanas.

 

Um mergulho no sentido da vida. Assim se poderia definir O Prestígio do Diabo, de Assis Brasil. O livro, editado pela Melhoramentos em 1988, ganhou nova edição da Academia Piauiense de Letras, em 2018. Em manhã abafada de abril, o escritor, de 89 anos, recebeu em sua casa, na zona Sul de Teresina, Entretextos. Eram 10 horas, quando retornando do banho, sentou-se próximo a uma escrivaninha, tomou a primeira refeição do dia e, animado e sorridente, absorvido em conversas do mundo dos livros, prontificou-se a gravar áudio sobre O Prestígio do Diabo.

 

Seria mais uma de suas entrevistas, entre as várias concedidas ao Entretextos ou a veículos de comunicação que o procuraram desde que se estabeleceu há alguns anos na capital do Piauí. Mas não era. Tratava-se de um diálogo sobre não apenas sua mais recente obra editada (escritores sempre nutrem um carinho desmedido pelo mais recente livro), mas também uma conversa envolvente sobre a obra considerada por muitos como um de seus melhores livros.