Dilson Lages Monteiro Quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Tamanho da letra A +A

As mãos negativas

As mãos negativas

 

Las Manos Negativas
 


 
Cuando me vio ninguno
 
cortando tallos, aventando el trigo?
 
Quién soy, si no hice nada?
 
Cualquier hijo de Juan
 
tocó el terreno
 
y dejó caer algo
 
que entró como la llave
 
entra en la cerradura:
 
y la tierra se abrió de par en par.
 


 
Yo no, no tuve tiempo
 
ni enseñanza:
 
guardé las manos limpias
 
del cadáver urbano,
 
me despreció la grasa de las ruedas,
 
el barro inseparable de las costumbres claras
 
se fue a habitar sin mí las provincias silvestres:
 
la agricultura nunca se ocupó de mis libros
 
y sin tener qué hacer, perdido en las bodegas,
 
reconcentré mis pobres preocupaciones
 
hasta que no viví sino en las despedidas.
 


 
Adiós, dije al aceite, sin conocer la oliva,
 
y al tonel, un milagro de la naturaleza,
 
dije también adiós, porque no comprendía
 
cómo se hicieron tantas cosas sobre la tierra
 
sin el consentimiento de mis manos inútiles.
 


 
(Pablo Neruda, em ‘Las Manos del Día’)
 

 

 

 

 

 
As Mãos Negativas
 


 
Quando me viu alguém
 
cortando talos, peneirando o trigo?
 
Quem eu sou, se não disse nada?
 
Qualquer filho de João
 
tocou o terreno
 
e deixou cair algo
 
que entrou como a chave
 
entra na fechadura:
 
e a terra se abriu de par em par.
 


 
Eu não, não tive tempo
 
nem ensinamento:
 
guardei as mãos limpas
 
de cadáver urbano,
 
me desprezou a graxa das rodas,
 
o barro inseparável das vestimentas claras
 
se foi a habitar sem mim as províncias silvestres:
 
a agricultura nunca se ocupou de meus livros
 
e sem ter o que fazer, perdido nas bodegas,
 
concentrei-me em minhas pobres preocupações
 
ainda que não tenha vivido senão nas despedidas.
 


 
Adeus, disse ao azeite, sem conhecer a oliva,
 
e ao tonel, um milagre da natureza,
 
disse também adeus, porque não compreendia
 
como se fizeram tantas coisas sobre a terra
 
sem o consentimento de minhas mãos inúteis.
 


 


 
(Tradução de Luiz Filho de Oliveira)
 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Últimas notícias

24.09.2016 - Discurso em Apresentação a Apenas memórias

Livro foi lançado na Livraria Entrelivros em Teresina, em 24.09.2016

10.09.2016 - Estilos do romance russo: 1918 a 1925

As três etapas do romance russo

10.09.2016 - Antônio Cândido:

A polícia de um soberano absoluto é ostensiva e brutal

10.09.2016 - Literatura brasileira e regimes autoritários

É na literatura que muitas vezes sobrevive o aspecto humano e pessoal das tragédias

07.09.2016 - A arte de intitular um livro

Dar título a um livro é como dar nome a uma pessoa

07.09.2016 - Morre Luiz Antônio Marcuschi

Liderou com Koch uma linha de pesquisa de investigação sobre análise da conversação

28.08.2016 - Discurso em apresentação a Teodoro Bicanca

Proferido em lançamento ao volume 81 da Coleção Centenário, da Academia Piauiense de Letras.

Listar mais

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br