Dilson Lages Monteiro Quinta-feira, 31 de julho de 2014
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As mãos negativas

As mãos negativas

 

Las Manos Negativas
 


 
Cuando me vio ninguno
 
cortando tallos, aventando el trigo?
 
Quién soy, si no hice nada?
 
Cualquier hijo de Juan
 
tocó el terreno
 
y dejó caer algo
 
que entró como la llave
 
entra en la cerradura:
 
y la tierra se abrió de par en par.
 


 
Yo no, no tuve tiempo
 
ni enseñanza:
 
guardé las manos limpias
 
del cadáver urbano,
 
me despreció la grasa de las ruedas,
 
el barro inseparable de las costumbres claras
 
se fue a habitar sin mí las provincias silvestres:
 
la agricultura nunca se ocupó de mis libros
 
y sin tener qué hacer, perdido en las bodegas,
 
reconcentré mis pobres preocupaciones
 
hasta que no viví sino en las despedidas.
 


 
Adiós, dije al aceite, sin conocer la oliva,
 
y al tonel, un milagro de la naturaleza,
 
dije también adiós, porque no comprendía
 
cómo se hicieron tantas cosas sobre la tierra
 
sin el consentimiento de mis manos inútiles.
 


 
(Pablo Neruda, em ‘Las Manos del Día’)
 

 

 

 

 

 
As Mãos Negativas
 


 
Quando me viu alguém
 
cortando talos, peneirando o trigo?
 
Quem eu sou, se não disse nada?
 
Qualquer filho de João
 
tocou o terreno
 
e deixou cair algo
 
que entrou como a chave
 
entra na fechadura:
 
e a terra se abriu de par em par.
 


 
Eu não, não tive tempo
 
nem ensinamento:
 
guardei as mãos limpas
 
de cadáver urbano,
 
me desprezou a graxa das rodas,
 
o barro inseparável das vestimentas claras
 
se foi a habitar sem mim as províncias silvestres:
 
a agricultura nunca se ocupou de meus livros
 
e sem ter o que fazer, perdido nas bodegas,
 
concentrei-me em minhas pobres preocupações
 
ainda que não tenha vivido senão nas despedidas.
 


 
Adeus, disse ao azeite, sem conhecer a oliva,
 
e ao tonel, um milagre da natureza,
 
disse também adeus, porque não compreendia
 
como se fizeram tantas coisas sobre a terra
 
sem o consentimento de minhas mãos inúteis.
 


 


 
(Tradução de Luiz Filho de Oliveira)
 

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