Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 22 de maio de 2012
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A enchente de 53

A enchente de 53

A enchente de 53

Rogel Samuel


Sim, um amigo me fala da enchente de 1953, em Manaus, e eu lhe digo que a conheci, tinha dez anos de idade, até já escrevi sobre isso. Ele me pede a crônica para ler e eu não encontro - escrevo diariamente uma mini-crônica, a maior parte das vezes no próprio blog, on-line, não guardo nada comigo...

Vejo esta foto, copiada de "
Palavra do fingidor", do poeta Zemaria Pinto. A rua Marquês de Santa Cruz esquina com não sei qual. Duas pessoas caminham no primeiro plano. São duas mulheres, possivelmente mãe e filha, a menina tem até a saia no joelho, atual. Atrás tem um cachorro, até hoje Manaus tem muitos cachorros de rua. Coitados. Mas tem poucos mendigos. À direita se podem ver dois "burros sem rabo", para transporte de carga, tração humana, não existem mais, que eu saiba. Ao fundo se pode ver um grande navio, a moda antiga, grande chaminé. Dominando a foto está a passarela sobre
a rua inundada no centro da cidade. E a Drogaria Fink, famosa. Debaixo dágua.

Mas me lembro bem de cena como esta, possivelmente estava com minha mãe. Eu na
época morava perto, na rua 24 de maio.

Curioso: os homens andavam de branco. Quando apareceu um rapaz de camisa vermelha foi um escândalo. E só muito recentemente de camisa estampada.

Sim, em Manaus só se andava a pé. Com guarda-chuva aberto, contra o sol. Não sei por que não se usam mais as sombrinhas e guarda-chuvas debaixo do sol.

Quem será aquela senhora que sobe a rua com sua filha? Já terá morrido? A vida é curta, a vida é sonho.

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