Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 22 de maio de 2012
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A catedral de Max Carphentier

A catedral de Max Carphentier

A catedral de Max Carphentier

 
( “Catedral dos sacramentos” de Max Carphentier)

Rogel Samuel

Meu pai cresceu ouvindo os sinos da Catedral de Estrasburgo. No meu tempo de menino, de minha casa se ouviam os sinos da catedral, pois Manaus era uma cidade silenciosa e morávamos no centro. Creio que todos nós temos uma catedral íntima, interna, interior. É lá que nós nos recolhemos, nas nossas meditações e reflexões, na solidão de nosso encontro com nossos pensamentos.

O poeta Max Carphentier foi mais longe, ele mesmo construiu a sua própria “Catedral dos sacramentos” (Manaus, Academia Amazonense de Letras, 2010, 238 p.) em poemas em prosa articulados numa espécie de mural como aquele em que “Cristo que saía da parede e os abençoava” na página 37.

O autor (e aí eu arrisco a heresia clara) criou o Cristo para adorá-lo depois. Porque primeiro o escreveu, o inscreveu na sua Catedral do seu livro. Essa Catedral, feita de pedras da salvação, ele a teceu com suas frases, com seus capítulos.

Curiosamente, o livro todo é permeado por aquele minúsculo batismo, por aquele minúsculo dilúvio das águas amazônicas. Não é um livro europeu, ou asiático, mas interiorano na sua imensidão amazônica. A sua Catedral é pessoal, cheia de sol e de luz da Terra Santa de sua própria Terra. Sua Catedral é uma festa das águas de um renovado batismo.

O leitor de Max Carphentier não tem nas mãos um livro piedoso e triste, nunca a tristeza das novenas lamuriosas, mas sempre a alegria da claridade dos cantos. O livro nada tem a lamentar, mas a confirmar: “Criamos uma canção nova para a hora das crismas”. Suas palavras são aquelas “andorinhas que falaram como os sinos”.

Por isso mesmo há um capítulo chamado “Carisma e felicidade”, em que o jovem Lívio volta para casa para despedir-se dos pais e partir para terras distantes pregando e profetizando sobre o novo tempo: Mas “os que o ouviam aprendiam sem esforço, porque suas revelações eram revestidas de sua própria felicidade”.

O livro todo é atravessado por essa contagiante felicidade.

Essa é a sua mensagem poética. O seu triunfo

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