Francisco Miguel de Moura é um experimentado escritor piauiense, de longo curso e vasta obra, versando sobre a literatura piauiense, notadamente o romance, a poesia e a crítica. Dono de um estilo apurado, desde muito ganhou reconhecimento além-fronteiras. É hoje um dos principais escritores de nossa terra.

Depois dessa longa trajetória, o consagrado romancista e poeta retorna às origens para escrever a sua história de Picos, em cujos arredores nasceu e onde viveu parte de sua mocidade. Aliás, nesse aspecto o autor já havia se imiscuído ao escrever a biografia de seu pai, Miguel Guarani, morador ali no Jenipapeiro, velho povoado de Picos, hoje cidade de Francisco Santos.

Francisco Miguel de Moura, com a sua capacidade e experiência, depois de acurada pesquisa, vai revelando ao leitor as origens de uma das mais importantes cidades do centro-sul piauiense. Penetra fundo nas origens de Picos, desde o período colonial aos dias de hoje, revelando aspectos interessantes de seu povoamento, assim como da constituição das primeiras famílias. Nesse aspecto, traz importante contribuição ao compilar dados relevantes sobre esses pioneiros, discutindo pontos controvertidos, confrontando informações para, afinal, tirar suas próprias conclusões.

Complementando essas informações, traça o perfil dos principais vultos do lugar. Dessa forma, pode o leitor conhecer aspectos relevantes da vida daqueles que ajudaram a construir aquela sociedade.

Mas o autor não esquece a formação político-administrativa, abordando a criação da freguesia, distrito, vila, cidade, comarca, assim reconstituindo a vida política e administrativa de Picos.

No entanto, lendo o presente livro o leitor vai conhecer, não somente a história de Picos, assim como a das demais comunidades que a circundam, girando em torno de sua economia. Interessante, por exemplo, é o capítulo em que investiga as origens de Bocaina e dos Borges Marim, ainda envolta em muitas incertezas. Uma coisa, porém, é certa, que aquela comuna foi fundada por volta de 1712, pelo português Antônio Borges Marim (e não Marinho, nem Marinho de Brito), natural de Vila Marim, daí a origem do nome, quando ali se estabeleceu com fazenda. Depois de sua morte, a esposa iria casar-se com um Brito, razão pela qual os descendentes deste segundo consórcio e não os seus, iriam tomar este apelido. O mais é conversa sem base documental.

Finalizando, trata-se de uma bela contribuição sobre a cidade de Picos e sua região, esclarecendo dúvidas, preenchendo lacunas, corrigindo lapsos, de sorte que o povo daquela região só tem a ganhar, pelo conhecimento de suas origens e pelo fortalecimento do amor à terra, afinal já se disse que ninguém ama aquilo que não conhece. Também, interessa a obra a todos nós que amamos a gleba mafrense e temos gosto especial pelos estudos históricos. Parabéns ao notável escritor, pela extraordinária contribuição que vem dando à cultura do Piauí

(Texto para a orelha do livro Minha história de Picos, de Francisco Miguel de Moura).