Almejando a reconstituição da história piauiense tenho traçado o perfil de diversos personagens que contribuíram na formação de nossa sociedade. Este trabalho se torna importante porque é pioneiro, ancorado quase sempre em fonte primária. E entre aqueles que governaram a capitania de São José do Piauhy, na qualidade  de membros da Junta Trina de Governo, por quase vinte e três anos(1775 – 1797), figura o tenente Manoel Pacheco Tavira.

Nasceu ele à volta de 1720, na cidade de Tavira, daí a origem do nome, distrito de Faro, no antigo Reino de Algarves, sul de Portugal, filho de Manoel Pacheco Tavira, o primeiro deste nome e de sua esposa Ignez Maria de Jesus. Era neto paterno de Antônio Pacheco, capitão-mor e governador da praça de Santo Antônio, e de Maria da Luz; e materno de Francisco Rodrigues Messias e Catharina Rodrigues, todos naturais de Tavira.

Ainda jovem, atraído pela prosperidade advinda das minas auríferas, mudou-se para a vila de Pitangui, em Minas Gerais, onde cedo impôs-se como um dos principais moradores do lugar. Foi eleito e serviu por duas vezes o cargo de juiz de órfãos da municipalidade.

Ainda nesta vila, no ano de 1747, casou-se com Archangela Maria Angélica de Menezes, de distinta família do lugar. Era filha de Maria Rosa Sodré Sandoval e de seu segundo esposo, Nicolau de Sousa d’Eça, este filho de outro do mesmo nome e de Domingas, naturais da Bahia e de velha cepa portuguesa.

Conforme anotou o genealogista Luiz Gonzaga da Silva Leme, em sua Genealogia paulistana (vol. 9.º. São Paulo: Duprat & Comp., 1905), de seu casal teve Manoel Pacheco Tavira os seguintes filhos, todos nascidos em Pitangui(com retificações e acréscimos nossos): 1. Padre João José de Siqueira Tavira e Eça, que foi vigário de São Bento das Balsas, no Maranhão; 2. Maria Rosa Sodré e Sandoval, foi casada com Antônio Madeira Brandão, o moço; 3. Ana Joaquina de Menezes e Eça, foi casada com o ajudante Antônio do Rego Castelo Branco; 4. Antônia Maria da Luz e Aguirre; 5. Catharina de Aguirre Menezes e Eça; 6. Manoel Pacheco de Sousa Sodré e Aguirre. Embora não  conste na lista de Silva Leme, seja por equívoco editorial ou por já ter nascido no Piauí, temos também como filha do casal, Joana Angélica de Menezes, que foi casada com o ajudante Félix do Rego Castelo Branco, irmão de Antônio do Rego, sendo muito comum naquele tempo o casamento de irmãos na mesma família; e, por fim, também era filha do indicado casal Antônia Maria Benedicta, que faleceu solteira.

No ano de 1755, Manoel Pacheco Tavira mudou-se com sua família para o termo da vila da Mocha, depois cidade de Oeiras, que logo mais com a instalação da capitania seria efetivada como capital do Piauí, onde se estabeleceu com lavoura e fazendas de gado. Com a mudança assumiu o posto de Tenente de Cavalaria do Regimento Auxiliar da Capitania e recebeu por doação de Sua Majestade a fazenda o Tatu, onde estabeleceu sua residência, com quatro léguas de comprimento e largura irregular variando entre uma légua em algumas partes e menos em outras. Esta fazenda havia sido sequestrada aos Regulares da Companhia de Jesus, sucessores de Domingos Afonso Sertão.

No novo domicílio logo ascende às melhores posições, elegendo-se por algumas vezes para o cargo de vereador do Senado da Câmara de Oeiras. E nesta condição, por ser o mais velho em idade, em 2 de janeiro de 1778, foi alçado à Junta Trina de Governo do Piauí, inserindo-se, assim, entre os governantes do Piauí. Porém, afastou-se desse exercício em 23 de junho do mesmo ano por incompatibilidade com o cargo de Almoxarife da Real Fazenda, que passou a exercer. Novamente, reassume suas funções na Junta de Governo durante todo o exercício do ano seguinte.

Ao falecer deixou um nome honrado e numerosa e ilustrada descendência, embora sem o seu apelido familiar, ainda hoje muita ativa na vida pública brasileira. Para o resgate de sua memória e reconstituição da história administrativa do Estado publicamos as presentes notas.

(Meio Norte, 25.11.2016).