PSYCHO PASS EPISÓDIO 2: AKANE ABRAÇA O SEU DESTINO
Miguel Carqueija


Modesta, humilde, tímida, comedida em gestos e palavras, a jovem Tsunemori Akane torna-se detetive da Secretaria de Segurança do Japão, num futuro estranho e distópico. O Sistema Sybila domina a sociedade, medindo o coeficiente criminal das pessoas; em toda a parte drones e aparelhos de precisão controlam a segurança pública e a polícia inclui em seus quadros os chamados caçadores, justiceiros ou coatores, também apelidados “cães de caça”, indívíduos de alto coeficiente criminal mas que trabalham para as autoridades, assumindo os serviços perigosos e sujos, pois são capazes de matar, atendendo ao “julgamento” das armas de alta precisão “dominators”, conectadas ao sistema e que falam com seus portadores, estabelecendo quais as pessoas cujo CC subiu demais e que devem ser presas e tratadas ou, nos piores casos, sumariamente eliminadas.Em seu primeiro dia de trabalho Akane impede um dos caçadores de eliminar uma pessoa, aparentemente quebrando as regras do jogo.

Resenha do episódio 2 – Aqueles que são capazes – do animê “Psycho Pass”, produzido por Koji Yamamoto e outros, e dirigido por Katsuyuki Motohiro – Production I.G., Japão, 2012-2013.

“O que precisa ser feito, é feito por aqueles que são capazes.”
(regra do Sistema Sybila)

“Eu tirei A para todos os 13 ministérios e agências, e seis companhias. Mas para todos os outros trabalhos havia pelo menos mais uma ou duas pessoas além de mim, que havia tirado a mesma nota. Eu fui a única que tirou A para a Secretaria de Segurança. Haviam mais de 500 alunos e eu fui a única. Por isso, pensei, haveria um trabalho aqui que apenas eu posso fazer. E que se eu viesse poderia encontrar minha vida real, poderia encontrar o porque de ter nascido aqui nesse tempo.”
(Inspetora Tsunemori Akane)


No segundo episódio, ficamos conhecendo melhor a protagonista Tsunemori Akane. Ela passa por um pequeno período de incerteza, sem saber se agiu certo ou não ao derrubar, com a função paralisante de sua arma “dominator”, o caçador Kogami Shinya que a acompanhava em sua primeira missão. Por isso ela vai visitá-la no hospital, onde está no soro, e lhe pede desculpas. Kogami porém já pôde refletir, e respondeu: “É muito raro uma inspetora pedir desculpas a um justiceiro”. Ele então disserta em como, nas suas funções de coator servindo ao Estado, nunca pensou em questionar as ordens dadas pela sua arma. Por isso, se a dominator liberava a função letal ele atirava para matar, afinal estava lidando com assassinos em potencial. Mas agora, admite ele, “com uma chefe assim talvez eu possa ser um detetive e não apenas um cão de caça”. Com a consciência aliviada, a jovem inspetora chega às lágrimas e agradece Kogami, que ainda comenta: “Também é muito raro uma inspetora agradecer a um justiceiro.” Pois eles, afinal, eram considerados seres inferiores, os executores do trabalho sujo da polícia.
É por isso que Akane vai decidida encontrar o Inspetor Ginoza, que exigira uma satisfação. Na presença de toda a equipe Akane defende o seu ponto de vista. Ginoza, pouco acostumado a ver alguém questionando os métodos da polícia, pergunta com ares de mau humor: “Está dizendo que agiu certa?”
Relembrando o capítulo 1 já resenhado, uma moça havia sido sequestrada, ameaçada de morte e violentada por um psicopata, num prédio abandonado. Akane e dois caçadores, Masaoka e Kogami, cercam o criminoso e Kogami consegue matá-lo antes que matasse a jovem. Mas quando a dominator mede um coeficiente criminal extremamente elevado na vítima, libera o disparo letal nela também. Kogami vai obedecer à arma, porém Akane o paralisa com a sua. O aumento do coeficiente era compreensível, os pensamentos homicidas deviam-se ao descontrole emocional pela tremenda injúria sofrida. Qualquer um, que não fosse um aparelho de precisão, podia entender isso, como Akane entendeu prontamente e salvou uma vida humana inocente. Assim, ao enfrentar Ginoza, após um instante de hesitação o olhar da inspetora endureceu e foi com segurança que ela argumentou: o CC aumentara sim, mas provisoriamente; a cidadã estava sendo tratada e seu Psycho Pass estava baixando e normalizando.
Todas as pessoas podiam ter seu índice de potencialidade criminosa medido de forma visual, e pequenas telas mostravam isso em forma de cores, sendo o verde escuro carregado, característico de alta periculosidade, psicopatas mesmo. Já o “psycho pass” de Akane revelava um coeficiente criminal nulo: a sua cor era permanentementeazul-turqueza, ou seja, uma pessoa sem nenhuma inclinação para o crime. Na prática, incorruptível.
Ginoza não pode contestar os fatos que Akane lhe apresenta, mas ainda se dirige a Kogami, pois esperara a sua alta para fazer a acareação. “Tem alguma coisa a declarar?”, indaga. E Kogami, simplesmente responde: “A Inspetora Tsunemori cumpriu o seu dever.”
Diante disso Ginoza não tem mais argumentos e é obrigado a engolir o seu despeito e sua má vontade com a jovem inspetora.
Uma gigante moral entrou para a Secretaria de Segurança do Japão e as coisas já não serão mais como eram.


Rio de Janeiro, 18 de outubro de 2015