DEVEM OS POLÍTICOS SER DESBOCADOS?

Miguel Carqueija

 

Sempre aprendi que dizer palavrões é feio. Antigamente uma criança era castigada se falasse algum. Hoje elas são expostas a toda a sorte de sujeiras e baixarias, inclusive nas festas infantis.

Mas, devemos aceitar isso conformadamente? Devemos aceitar que os nossos políticos sejam em grande parte uns mal-educados?

Certa vez, conversando com uma amiga, vi que ela apreciava o Lula e, sem querer polemizar muito, apenas observei que ele era um desbocado. A resposta me surpreendeu: “Todos eles são!”.

Bem, isso não é verdade. Nem todos os políticos são desbocados. Mesmo porém que todos fossem, não justificaria o desbocamento de um único. Os palavrões estão geralmente ligados ao temperamento fescenino, muitas vezes machista (fazer pouco das mulheres, vistas como objetos sexuais) e à agressividade. Basta perceber a passagem nas ruas de pessoas falando colericamente, frases sempre pontuadas pelo baixo calão. Ou então, o hábito do deboche, mesmo em pessoas tranquilas e pouco inclinadas a brigas.

Lembro da vergonheira do então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, cujo desbocamento ficou patente numa conversa telefônica grampeada com o ex-presidente Lula. Ao entregar as chaves de um apartamento popular para uma senhora humilde, o demagogo declarou que ela agora iria poder “trepar bastante”.

É esse o nível de muitos dos nossos políticos e governantes. Mas, graças a Deus, não o de todos.

Talvez alguém ache que o desbocamento é coisa de somenos importância. É raro, porém, que uma pessoa tenha um vício e não tenha outros... vamos pressionar para que os candidatos a cargos eletivos sejam pessoas mais educadas, e não pessoas mal-educadas. Se você sabe que um político é desbocado, não vote nele...

Afinal, usar linguagem nobre é um claro sinal, um indício, de bom caráter. Pode não ser um indício conclusivo mas é sempre um bom sinal.

 

Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2017.