DE RIBEIRA DE PENA AO PIAUÍ: A TRAJETÓRIA DA FAMÍLIA CARVALHO DE ALMEIDA NOS SÉCULOS XVII E XVIII.

Generalidades

A colonização do Piauí não data do século XVI, mas somente da segunda metade do século XVII, quando os paulistas capitaneados por Domingos Jorge Velho e Francisco Dias de Siqueira, assentam arraial na bacia do Poti(1661); e Domingos Afonso Sertão, Julião Afonso Serra, Francisco Dias d’Ávila e Bernardo Pereira Gago, da Casa da Torre, na Bahia, conquistam os vales dos rios Piauí, Canindé, Gurgueia, Itaueira e outros da região sul(1672). Em pouco tempo esses últimos estão recebendo as primeiras sesmarias e, assim, repartindo entre si a nova conquista.

Com eles e depois deles chegam as levas de colonizadores para efetivarem a posse da terra, assentarem as fazendas e, assim, a base colonial portuguesa. O primeiro marco do Estado, no suceder à concessão de sesmarias, é fundar a freguesia, erguer a cruz e erigir a capela, divulgando o Evangelho. Entre os primeiros párocos desse sertão em conquista estão os padres Miguel de Carvalho (Vigário de Rodelas), Tomé de Carvalho (vigário da Mocha) e Inocêncio de Carvalho (vigário da Barra, com jurisdição no médio e alto Gurgueia e Curimatá, território que iria se constituir no antigo termo de Parnaguá, todas no Bispado de Pernambuco. No entanto, algum tempo depois essa segunda freguesia(da Mocha), recebe o território do médio e alto Gurgueia em permuta com o território do São Francisco, que lhe pertencia, e com suas peculiaridades próprias iria se transformar em capitania, depois província, hoje Estado do Piauí, no Nordeste do Brasil.

Contemporaneamente a esses três Carvalho da fé, aqui também chegava Bernardo de Carvalho, que iria ser mestre-de-campo do novo território, plantar fazendas e constituir descendência. Duas décadas depois chegavam Manuel Carvalho de Almeida e Antônio Carvalho de Almeida(2º), ambos também militares, que iriam casar na família Castelo Branco e constituir numerosa progênie. Portanto, temos aqui seis membros da família Carvalho, todos portugueses, três religiosos e três militares, que se fizeram notáveis por aqueles dias da conquista. Desde então, por século e meio, quando se começou a escrever a história da conquista, das fazendas, freguesias, vilas, cidades e das famílias, muito sobre eles já se escreveu, porém, sempre com equívocos sobre nomes completos e graus de parentesco.

Porém, com o avanço provocado pela Internet, o acesso a documentos digitalizados e estudos sérios, foi possível avançar nesse assunto. Em março último(2017), o conterrâneo Gustavo Conde Medeiros divulgou interessante nota sobre o Pe. Tomé de Carvalho e Silva, esclarecendo sobre nascimento, filiação e algum parentesco, colhidas num processo de habilitação de um sobrinho à herança do tio vigário (Atrás de uma herança no Piauí, http://gustavocondemedeiros.blogspot.com.br/2017/).

Em Portugal, um estudo revelador foi publicado pelo advogado e genealogista Manuel Abranches de Soveral, trazendo a origem dessa importante família lusitana desde o final da era dos mil e quatrocentos, reportando-se a Damião Leitão, governador de Cabo Verde, casado com uma senhora da família Almeida (Famílias de Ribeira de Pena: subsídios para a sua genealogia – séculos XV a XVIII). Nesse estudo fica esclarecida a origem e nome do Pe. Miguel de Carvalho e Almeida (ou Miguel Carvalho de Almeida, como também assinava, na verdade, todos os seus parentes ora são tratados por Carvalho de Almeida, ora por de Carvalho e Almeida). Foi um avanço importante no esclarecimento da origem dessa família.

No entanto, recentemente tivemos a oportunidade de examinar diversos autos de inquirição de genere desses e de outros vigários da aludida família, autos cíveis, criminais e de habilitação para familiar e comissário do Santo Ofício, a mesma fonte de Soveral, autos de habilitação de um herdeiro do Pe. Tomé de Carvalho e Silva, com testamento, certidão de batismo, óbito e diversos outros documentos, a mesma fonte de Gustavo Conde Medeiros, cujo artigo somente li depois, tudo arquivado na Torre do Tombo, de Lisboa, podendo assim comparar dados, contrastar informações e, por fim, esclarecer muitos pontos  até agora obscuros na genealogia desse construtores do Piauí.

Ribeira de Pena: a origem em Portugal

O concelho de Ribeira de Pena localiza-se no distrito de Vila Real, sub-região do Alto Trás-os-Montes, no norte de Portugal, limitando-se a norte com o concelho de Boticas, ao sul com Vila Real, a leste com Vila Pouca de Aguiar e, por fim, a oeste com Mondim de Basto e Cabeceiras de Basto.

Ao tempo em que interessa a esse estudo, era esse concelho dividido em três freguesias: Salvador, Santo Aleixo de Além Tâmega e Santa Marinha, as duas primeiras separadas pelo rio Tâmega, daí os diversos casamentos entre gente dos dois lados. É de pequena população, igual a qualquer pequena cidade do Piauí, razão pela qual naquele tempo, uma família antiga como a Carvalho de Almeida, ali residindo por séculos era bem aparentada, existindo muitos casamentos endogâmicos.

As principais famílias desse concelho vêm sendo estudadas pelo advogado e genealogista Manuel Abranches de Soveral, que sobre o assunto já publicou alguns trabalhos interessantes. Falando sobre os Leitão e Almeida, traz importantes revelações sobre os ancestrais dessa família ali radicada e uma das principais do lugar. A seguir delinearemos breve resumo sobre as notas de Soveral, reportando o leitor mais interessado para o seu blog (http://www.soveral.info/mas/RibeiradePena.htm), onde colherá mais detalhes sobre o assunto. Conforme os dados por ele revelados essa família tem origem com DAMIÃO LEITÃO (n.c. 1485), cavaleiro fidalgo da Casa Real e governador de Cabo Verde, casado com uma mulher da família Almeida, ele provável “irmão de Fernão Leitão, que foi morador em Negreiros, termo de Barcelos, e abade reitor da igreja do Salvador de Ribeira de Pena, onde instituiu em 1520 a capela de S. Pedro, concluída a 22.1.1521 (esta capela tem um escudo, certamente religioso, composto por uma cruz e dois leões assaltantes), e ambos filhos de Álvaro Leitão, tabelião do judicial (17.7.1482) e juiz das sisas de Aguiar de Pena (6.5.1490)” (SOVERAL); filho:

F.1-    Francisco Leitão (de Almeida)

#

F.1- FRANCISCO LEITÃO (DE ALMEIDA) (c. 1509 – c. 1570), “que sucedeu na quinta do Outeiro, em Salvador de Ribeira de Pena, e viveu em Vila Real, onde casou cerca de 1530 com Beatriz Correa (da Mesquita), referida no meu Ensaio sobre a Origem dos Mesquita como filha de João Correa (da Mesquita). A justificação de nobreza (1718) do seu descendente António Leitão de Meirelles, senhor da antedita quinta, diz serem ‘descendentes legítimos dos verdadeiros Farias, Leitões, Almeidas, Borges, Correas e Mesquitas destes Reynos’. Francisco Leitão ainda vivia a 23.7.1567 quando testemunhou um casamento em Vila Real. Beatriz Correa sucedeu a seu pai, em 2ª vida, como senhora do prazo do casal de Donelo, em S. Pedro da Cova (Vila Real). Algumas genealogias, como Gaio, dão este Francisco Leitão como filho de um Cristóvão Leitão, capitão de Arzila, e de D. Josefa Hidalgo, filha de D. Isidoro Hidalgo, de Briche (Galiza), mas é fantasia” (SOVERAL); filhos:

F.1.1- Cristóvão Leitão de Almeida

F.1.2- Isabel Leitão, falecida solteira.

F.1.3- Antônio Leitão de Almeida, escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena e sucessor na quinta do Outeiro, c.c. Isabel Gomes; c.g.

F.1.4- Gonçalo Leitão da Mesquita, residente em Vila Real, c.c. Violante Guedes, filha de Pedro Álvares Galego e sua mulher Filipa Dias, ricos cristãos-novos; c.g.

F.1.5- Pedro da Mesquita Leitão, segundo Gaio, que diz ter casado em Mirandela.

F.1.6- Ana da Mesquita, segundo Gaio, que diz ter casado em Mirandela.

F.1.7- Maria Correa de Almeida, c.c. Jerónimo de Souza Machado, “da casa de Eiriz, em Vila Pouca de Aguiar, de ascendência conhecida, fidalgo da Casa Real que depois esteve em Alcácer Quibir, onde ficou cativo, sendo remido em 1583, sendo então alcaide do castelo de Aguiar até 1594, data em que foi viver para Ribeira de Pena, onde instituiu o morgadio de Stº António de Trezena em Salvador do Outeiro, a que vinculou a casa que aí mandara fazer e o prazo do vale de Senra de Baixo, foreiro à Casa de Bragança, que sua mulher levara em dote e era então a principal propriedade agrícola de Ribeira de Pena” (SOVERAL); c.g.

#

F.1.1- CRISTÓVÃO LEITÃO DE ALMEIDA (c. 1508 - ?) Capitão da Ordenança de Ribeira de Pena, senhor da quinta do Bruxeiro, teria “sucedido na capela de S. Pedro, instituída por seu presumível tio na igreja do Salvador de Ribeira de Pena” (SOVERAL), não se sabendo com quem casou; filhos:

F.1.1.1- Jerônimo Leitão de Mesquita, “serviu na Índia e morreu na defesa de Ormuz, como se diz na mercê da Ordem de Santiago a seu sobrinho José, herdeiro dos seus serviços” (SOVERAL).

F.1.1.2- Cristóvão de Almeida (c. 1543 - ?), “foi abade reitor do Salvador de Ribeira de Pena e sucessor na quinta do Buxeiro e na capela de S. Pedro”(SOVERAL); c.g.

F.1.1.3-  Camila Leitão

#

F.1.1.3- CAMILA LEITÃO (c. 1550 - ?), sucessora na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro, foi c.c. JOÃO FERNANDES DE ALMEIDA; filhos:

F.1.1.3.1- José Leitão de Almeida, n.c. 1571, em Ribeira de Pena, foi cavaleiro fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Santiago, serviu em Ceuta, foi vedor do 2º correio-mor do reino e familiar do Santo Ofício(22.5.1629); c.g.

F.1.1.3.2- Gervásio Leitão de Almeida, instituiu a capela de N. Sra. do Amparo ou de Copacabana, na Ribeira de Baixo (Salvador).

F.1.1.3.3- Maria Leitão de Almeida

#

F.1.1.3.3- MARIA LEITÃO DE ALMEIDA (c. 1580 - ?), foi c.c. António Gonçalves de Matos, “provavelmente dos Matos da casa de Terças, em Stª Marinha de Ribeira de Pena” (SOVERAL); filhos:

F.1.1.3.3.1- Catarina de Almeida (1ª)

 

Ribeira de Pena: o tronco comum dos Carvalho que passaram ao Piauí

F.1.1.3.3.1- CATARINA DE ALMEIDA, n.c. 1608, no lugar da Ribeira de Baixo, da freguesia do Salvador do concelho de Ribeira de Pena, foi c.c. DOMINGOS CARVALHO, natural do lugar de Bragadas, moço da câmara da Casa Real, juiz de órfão de Ribeira de Pena, senhor da quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Santo Aleixo, onde faleceu a 7.7.1668, deixando herdeiro e dotado o filho Miguel Carvalho de Almeida (SOVERAL); filhos:

F.1.1.3.3.1.1- Cap. Miguel Carvalho de Almeida (três filhos passam ao Bispado de Pernambuco, no Brasil, sendo dois padres e um militar).

F.1.1.3.3.1.2- Gaspar Carvalho de Almeida, residente em Santa Marinha, foi c.c. Senhorinha Gonçalves, falecida em 30.9.1642, vítima de complicações no parto; filho: Domingos de Carvalho, nascido em 22.9.1642, em Santa Marinha, foi c.c. Maria de Souza Machado; c.g.

F.1.1.3.3.1.3- Catarina de Almeida (2ª) (dois filhos padres e quatro netos, sendo um padre, passam ao Piauí, no Brasil).

#

F.1.1.3.3.1.1- Cap. MIGUEL DE CARVALHO E ALMEIDA, n.c. 1630, capitão de infantaria dos Auxiliares de Ribeira de Pena, sucessor na quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Santo Aleixo, onde faleceu a 6.4.1695, ficando pelos bens de almas seu filho Domingos Carvalho; foi c.c. HELENA GONÇALVES DE MATOS, natural e falecida a 15.9.1684 em Santo Aleixo, provavelmente sua parente, filha de Domingos Dias de Matos (provavelmente dos Matos da casa de Terças, em Santa Marinha de Ribeira de Pena) e de sua mulher Senhorinha Gonçalves, ambos naturais da freguesia de Santo Aleixo (SOVERAL); filhos (quatro, sendo que no final do século XVII, três deles passaram ao Brasil, capitania de Pernambuco, a cujo território pertencia o Piauí):

F.1.1.3.3.1.1.1- Pe. Miguel Carvalho de Almeida, natural de Ribeira de Pena, ordenado no Seminário de Braga, foi vigário da freguesia de Rodelas, no Bispado de Pernambuco, oportunidade em que visitou o Piauí por duas vezes, fundando a freguesia de Nossa Senhora da Vitória, que deu origem à vila da Mocha, hoje cidade de Oeiras, primeira capital do Piauí, depois retornando para a terra natal, onde faleceu depois de muitos anos de sacerdócio; sobre ele escrevi ensaio biográfico, ao qual reporto o leitor: Padre Miguel de Carvalho e Almeida: fundador de paróquias e missionário do sertão (http://www.portalentretextos.com.br/materia/pe-miguel-de-carvalho-e-almeida-fundador-de-paroquias-e-missionario-do-sertao,12648).

F.1.1.3.3.1.1.2- Domingos Carvalho de Almeida

F.1.1.3.3.1.1.3- Cap. Antônio de Carvalho e Almeida (1.º do nome), natural da freguesia de Santo Aleixo da Ribeira de Pena, comarca de Vila Real, Arcebispado de Braga, capitão-mor da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, morou em Lisboa, em casa de Manoel Mendonça Arraes, até março de 1701, quando mudou-se para servir no posto de capitão-mor de Natal, no Rio Grande do Norte, onde praticou atos notáveis; cavaleiro da Ordem de Cristo, familiar do Santo Ofício, moço da câmara da casa Real, foi casado com Maria Teresa Pereira Rebello Leite; c.g.

F.1.1.3.3.1.1.4- Pe. Inocêncio Carvalho de Almeida, natural de Ribeira de Pena, vigário da freguesia de São Francisco da Barra do Rio Grande, hoje cidade de Barra, na Bahia(Brasil), sobre quem ainda pretendemos escrever ensaio biográfico.

#

F.1.1.3.3.1.1.2- DOMINGOS CARVALHO DE ALMEIDA, natural do lugar de Bragadas, freguesia de Santo Aleixo, onde é morador, Familiar do Santo Ofício, c.c. MARIA GONÇALVES DE CARVALHO, filha de Tomé de Carvalho e sua mulher Maria Gonçalves, ambos naturais da sobredita freguesia de Santo Aleixo; neta paterna de Tomé Francisco e sua mulher Senhorinha de Carvalho, ambos naturais do lugar de Bragadas, freguesia de Santo Aleixo; neta materna de Pedro André e sua mulher Ana Gonçalves, ambos naturais do lugar e freguesia de Santo Aleixo; filhos:

F.1.1.3.3.1.1.2.1- D. Maria de Almeida, foi casada com Baltazar Pacheco de Andrade, de Stª Marinha de Ribeira de Pena.

F.1.1.3.3.1.1.2.2- D. Helena de Almeida, residente em Fontes, onde constitui família(SOVERAL).

F.1.1.3.3.1.1.2.3- Luiza (bat. 11.2.1703, em Stº Aleixo), parece que faleceu solteira.

F.1.1.3.3.1.1.2.4- Pe. Miguel de Carvalho e Almeida (3º do nome), b. a 3.8.1704, sendo padrinhos Domingos Dias de Matos, de Senra, Salvador, e Ângela de Almeida (irmão do padre Tomé de Carvalho e Silva). “Tirou IG em Braga a 31.12.1721        (SOVERAL).

F.1.1.3.3.1.1.2.5- Rosa, b. a 25.9.1707.

F.1.1.3.3.1.1.2.6- Domingos, b. a 21.12.1710.

F.1.1.3.3.1.1.2.7- Francisco, b. a 25.3.1714.

 

#

F.1.1.3.3.1.3-  CATARINA DE ALMEIDA (Santo Aleixo, c.1640 – 17.10.1703), foi c.c. JOSÉ DA SILVA (Soveral, anota José da Silva Carvalho), morador em Bragadas, onde faleceu a 21.11.1687; filhos:

F.1.1.3.3.1.3.1- Cristóvão da Silva (herdeiro do casal, cf. Soveral).

F.1.1.3.3.1.3.2- Domingas Carvalho, madrinha do irmão Pe. Tomé de Carvalho e Silva.

F.1.1.3.3.1.3.3- Antônia (bat. 21.2.1669, cf. Soveral).

F.1.1.3.3.1.3.4- Pe. Tomé de Carvalho e Silva (bat. 23.1.1673, padrinho Tomé Carvalho e madrinha sua irmã Domingas Carvalho); foi o primeiro vigário do Piauí, sobre quem escrevia ensaio biográfico (http://www.portalentretextos.com.br/materia/padre-tome-de-carvalho-e-silva-primeiro-vigario-do-piaui,12645).

F.1.1.3.3.1.3.5- Pe. Miguel de Carvalho e Silva (3º vigário da família com o prenome Miguel), paroquiava no Piauí, ao tempo do testamento do irmão padre, conforme consta no documento.

F.1.1.3.3.1.3.6- Catarina Almeida, moradora na freguesia de Gondiães, Portugal; c.g.

F.1.1.3.3.1.3.7- Maria Almeida, c.g, nomeadamente a filha Ângela de Almeida, contemplada no testamento do tio Pe. Tomé.

F.1.1.3.3.1.3.8- Izabel de Almeida

F.1.1.3.3.1.3.9- Ângela de Almeida

#

F.1.1.3.3.1.3.8- IZABEL DE ALMEIDA, residente em Aroza, freguesia de São João de Cabés, parte do concelho de Ribeira de Pena; em 24.1.1782, c.c. DOMINGOS DIAS (bat. 28.4.1755, tendo por padrinho Sebastião, irmão da mulher de Francisco Dias, e madrinha a mulher de Lucas Francisco, todos do lugar da Aroza), natural do lugar de Aroza, freguesia de São João de Cabés, comarca de Braga, filho de Francisco Dias, de Aroza e sua mulher Maria Pacheco (Francisco Dias, filho de Domingos Dias e sua mulher Maria Gonçalves, do lugar de Bragadas, freguesia de Santo Aleixo, casou-se em 7.1.1655, na freguesia de São João de Cabés, com Maria Pacheco, filha de Agostinho Sanches); filhos:

F.1.1.3.3.1.3.8.1- Dr. Manoel Carvalho da Silva e Almeida, nascido em 18.12.1710, no lugar de Aroza, freguesia de São João de Cabés, parte do concelho de Ribeira de Pena, bacharel em Leis pela Universidade de Coimbra; morou parte da infância e juventude na vila da Mocha(Oeiras), no Piauí, em companhia do tio padre Tomé de Carvalho, depois passando à Bahia e, por fim, a Coimbra, onde estudou e se formou às expensas do tio padre, não mais retornando ao Brasil; foi casado com D. Tereza Maria de Almeida e muito lutou para receber uma herança que lhe deixou o referido tio e protetor, fato que nos proporcionou conhecer muito da história da família.

F.1.1.3.3.1.3.8.2- Cap. Antônio Carvalho de Almeida (2.º do nome), nascido em 1703, no lugar de Aroza, freguesia de São João de Cabés, parte do concelho de Ribeira de Pena (bat. 25.3.1703, sendo padrinho Antonio Sanches e Maria, solteira, filha de Luiz Antunes, todos do mesmo lugar), capitão-mor do Piauí, para onde veio em companhia do irmão e sob proteção do tio padre; rico fazendeiro, foi casado com Maria Eugênia de Mesquita Castelo Brando, natural do Piauí, de cujo consórcio deixou numerosa e ilustrada descendência.

#

F.1.1.3.3.1.3.9- ÂNGELA DE ALMEIDA, residente em Ribeira de Pena, foi c.c. MANOEL SANCHES; filho:

F.1.1.3.3.1.3.9.1- Antônio Sanches de Carvalho, n. 5.5.1709 (bat. 10.5.1709, na freguesia de São João de Cabés, sendo padrinho Antônio Gonçalves de Carvalho, de Bragadas, freguesia de Santo Aleixo, e Antônia, filha de Sebastião Sanches, do lugar de Aroza); veio morar na vila da Mocha, hoje cidade de Oeiras, no Piauí, em companhia do tio padre Tomé de Carvalho e Silva, sendo um dos agraciados em seu testamento, herdando a fazenda Sítio Novo, no rio Piracuruca, com duas léguas e meio de comprimento e uma de largura; povoou e conseguiu data de sesmaria da fazenda Taquari, no riacho de mesmo nome, freguesia de Piracuruca, com três léguas de comprimento e uma de largura, mais tarde as vendendo ao primo Antônio Carvalho de Almeida(2.º). 

Conclusão

Com essas notas fica elucidado o parentesco existente entre os três padres que chegaram ao Bispado de Pernambuco, no final do século XVIII, sendo Miguel de Carvalho, irmão de Inocêncio de Carvalho, ambos primos do padre Tomé de Carvalho (embora tivessem outros sobrenomes complementares era assim que costumavam assinar e assim eram conhecidos).

Também, o parentesco destes com o capitão-mor Antônio Carvalho de Almeida, que colonizou o norte do Piauí e deixou grande parentela na família Castelo Branco. Era este sobrinho, protegido e herdeiro do Pe. Tomé de Carvalho. Da mesma forma, fica esclarecido que um seu homônimo e não ele foi o capitão-mor do Rio Grande do Norte, este último sendo irmão dos padres Miguel e Inocêncio de Carvalho.

Da mesma forma, fica esclarecido que a família Carvalho teve ao menos três padres com o nome de Miguel, em homenagem a um ancestral comum, sedo que dois destes se vincularam ao Piauí.

Todavia, ainda não foi esclarecido o parentesco deste núcleo com dois outros colonizadores do Piauí: Bernardo de Carvalho e Aguiar (natural de Vila Pouca de Aguiar) e Manuel Carvalho de Almeida (natural de Linhares), este último casado com Clara da Cunha e Silva Castelo Branco. No que se refere ao primeiro, não temos dúvida do parentesco, pois Vila Pouca de Aguiar é fronteiriça com Ribeira de Pena, de forma que diversas famílias se dividem pelos dois concelhos, o que não seria diferente com os Carvalho, família antiguíssima na região (Carvalho era a mãe de Bernardo); da mesma forma, o sobrenome comum e o casamento na mesma família Castelo Branco, fazem presumir estreito parentesco entre Manuel Carvalho de Almeida com Antônio Carvalho de Almeida, embora, seguramente, não sejam irmãos, porque o último já tinha um irmão bacharel com esse prenome e foi atestado em autos judiciais que este era o único sobrinho do padre Tomé de Carvalho com prenome Manuel. Penso que esses dois eram primos de segundo ou terceiro grau dos pioneiros vigários, o que ainda vai se apurar. 

Não sabemos por quem ficou representada a descendência de Antônio Sanches de Carvalho, sobrinho e herdeiro do Pe. Tomé, que também se fixou no Piauí. Também, ficou esclarecido que o Pe. André da Silva, coadjutor em Oeiras, era sobrinho do Pe. Tomé de Carvalho e Silva.