Amazonas: o Professor Agnello conta estórias de ribeirinhos

No livro Reminiscências do (lago do) Ayapuá, escrito em 1949 e publicado em 1966, A. Bittencourt contou quatro estórias de caboclos do interior do Amazonas.

 

Baixo Purus, Estado do Amazonas: barco de mercadorias e passageiros ancorado em flutuante

(http://www.internext.com.br/valois/clic/clic10.htm)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO JAGUAR (ONÇA PINTADA) EM CÉDULA BRASILEIRA DE 50 REAIS

(http://www.gardenal.org/trabalhosujo/2007/12/no-focinho-da-onca.html)

 

          À muito estimada prima Maria José, bisneta do pioneiro Manoel Nicolau de Mello e esposa, e à sua neta Carol [Anne Caroline Mello], tataraneta de Felicidade e Lourenço Nicolau de Mello, sogros de Agnello Bittencourt

 

8.1.2010 - Uma das estórias que Agnello Bittencourt magistralmente contou é a seguinte. [Contou-me esta estória, pessoalmente, meu saudoso avô Agnello, em inesquecível fim de semana em casa de campo em Petrópolis-RJ (bairro: Bingen), possivelmente em 1963, quando eu tinha 5 ou 6 anos de idade. Flávio Bittencourt - flabitten@bol.com.br]

"(...)      José Manoel Gomes [cunhado do Coronel Lourenço Mello (*)]

            Português hercúleo, honesto, destemido, profundamente leal. Sua palavra era uma garantia à semelhança de João de Barros, da história de sua pátria.

            Acudia pelo nome de José Guerra. Casou-se com Benvinda Mello, filha do Capitão Manoel Nicolau de Mello, conforme atrás registrei. Caixeiro ambulante do seu cunhado Lourenço, encarregava-se de abastecer de mercadorias e receber os respectivos gêneros, os postos de exploração, isto é, as feitorias de castanha, borracha e pirarucu. Realizava, por todas, um circuito até regressar ao barracão-matriz.

            José Guerra era analfabeto. Mas guardava de memória, por longos dias de viagem, tudo que entregava e tudo que recebia de cada freguês, em número elevado. Para a formação das contas de cada um, ditava ao caixeiro do balcão o movimento ocorrido. Jamais houve um engano, uma reclamação no balanço das contas, por omissão ou erro de lançamento. Nunca vi memória tão prodigiosa. Não consta que tivesse surrado alguém. No entanto, todos o respeitavam e estimavam. Contava-se que, sozinho, ao surpreender os ladrões de castanhas, nas propriedades do cunhado, expulsava-os e tomava-lhes o produto, tendo à mão apenas um terçado (facão). Preferia viajar sem companheiros, ele próprio remando, sempre com o rifle ao lado. Contou-me que, uma das vezes, quando subia o paraná do [lago do] Uauassu, teve necessidade de ir à terra. Saltou e, logo, foi surpreendido por uma grande onça, que se colocou entre ele e a igarité (**), pronta para agredi-lo. O animal levanta-se nas patas traseiras e procura subjugá-lo. José Guerra segura-o nas patas dianteiras, mantendo na posição vertical. A luta durou cerca de um quarto de hora. Mas o interessante era notar que o felino se esforçava por não consentir que seu adversário se aproximasse da embarcação, ora olhando-o de frente com a dentuça à mostra, ora virando a cabeça para trás, a fim de ver o rifle que estava à proa da igarité. Parecia compreender que ali se achava o instrumento de sua derrota. Mas José Guerra era, além de hercúleo, valente e destro. Foram os dois até a embarcação. A onça, já um tanto cansada, é sacudida para um lado e, rápido, o rifle entra em ação. Terminou o drama com a vitória de José Gomes. Ao finalizar sua narrativa, disse-me o saudoso amigo: 'O senhor bem sabe que a onça é um animal valente, atrevido e traiçoeiro, mas não é mais homem do que o homem'.

            Na minha muito longa vida de professor (52 anos de magistério), poucas vezes pude observar tão grande empenho de um analfabeto em prol do ensino e educação dos seus filhos, como naquele pai, de inteligência fechada para a cultura, mas de esperança alerta para a valorização de sua prole.  (...)" (p. 40).

BITTENCOURT, Agnello. Reminiscências do Ayapuá. Rio de Janeiro: ed. do Autor, 1966.

 

(*) - Personagem - que, a propósito, verdadeiramente existiu (sogro do Prof. Agnello Bittencourt, autor do referido livro) - do romance TEATRO AMAZONAS, do escritor, professor e teórico da literatura Rogel Samuel - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rogel_Samuel -, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

(**) - Canoa indígena e caboclo-ribeirinha.

 

(http://ricardo5150.blogspot.com/2008_07_01_archive.html)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CABOCLO EXIBE COURO DE ONÇA POR ELE MORTA

(Só a foto, sem a legenda acima redigida, encontra-se, na Web,

em: http://topicos.estadao.com.br/fotos-sobre-dida/joao-teofolo-exibe-couro-de-onca-pintada-morta-por-ele-na-reserva-cujubim,1c657970-9e21-40fc-ac3b-eed29304d10c)

 

JAGUAR = ONÇA

 

Foto: Divulgação

"Jaguar XK120

Lançado em Londres em 1948, o Jaguar XK 120 foi o primeiro carro da marca produzido após a Segunda Guerra Mundial e virou carro de celebridades como Clark Gable e Lauren Bacall (Foto: Divulgação)"

(http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL1206805-9658,00-REVISTA+FORBES+LISTA+OS+CARROS+QUE+MUDARAM+A+HISTORIA.html)

 

GABLE, UM ROMANCE E UM AUTOMÓVEL COM NOME DE ONÇA AMAZÔNICA

(Só a foto, sem a legenda que acima consta, está, na Web, em:

http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/wp-content/gallery/alguem-um-livro/clark_gable_reading_1940.jpg)

 

LAUREN BACALL

(http://www.clickautographs.com/detail.php?id=1000)

 

(http://downloads.open4group.com/download/wallpapers/onca-pintada-3649.html)