Faleceu no dia 3 do corrente mês de agosto(de 2011), na cidade de Teresina, onde residia, o ex-deputado Afrânio Messias Alves Nunes. A Academia Piauiense de Letras por proposição minha e do acadêmico M. Paulo Nunes, aprovou voto de profundo pesar pelo infausto acontecimento. Afrânio Nunes prestou larga folha de serviço ao Estado do Piauí.

Nasceu em 15 de fevereiro de 1924, na cidade de Amarante. Era filho do farmacêutico e contador José Alves Nunes Filho, que o deixou órfão com menos de dez anos de idade, e de sua esposa, dona Etelvina Ribeiro Gonçalves Nunes, chamada Vinita, ambos oriundos de tradicionais famílias médio-parnaibanas. Iniciou as primeiras letras sob orientação da professora Nenen Rodrigues, em Amarante, e depois da professora Estefânia Conrado, em Floriano, para onde mudou-se no ano de 1928, cursando o primário no Grupo Escolar “Agrônomo Parentes”. Portanto, viveu a sua infância entre as cidades de Amarante e Floriano. Nessa última cidade contava com a orientação de seus tios Djalma Nunes, Osvaldo da Costa e Silva e Theodoro Sobral, todos figuras marcantes da política local e estadual. Em princípio de janeiro de 1937, aos treze anos de idade, mudou-se para Teresina, matriculando-se no Colégio Diocesano “São Francisco de Sales”, onde cursou o ginásio em regime de internato, ao lado de Petrônio e Lucídio Portella, Dirceu Arcoverde, Djalma Veloso, Alfredo Nunes, Expedito Resende, Raimundo Santana, Sebastião e Raimundo Leal, entre outros. Depois, cursou o ensino secundário no Colégio Estadual do Piauí, antigo Liceu Piauiense, concluindo-o no Colégio São João, de Fortaleza, onde esteve nos anos de 1944/45. De regresso a Teresina, matriculou-se na Faculdade de Direito do Piauí, onde bacharelou-se  na turma de 16 de dezembro de 1950, ao lado de A. Tito Filho, M. Paulo Nunes, Omar dos Santos Rocha e alguns outros.

Depois de formado inscreveu-se na OAB, exercendo a advocacia. Mas sua vocação mesma foi o magistério para o qual dedicou o maior esforço profissional, lecionando Geografia e História. Ainda em 1949, iniciou no magistério como examinador do Ginásio “Des. Antonio Costa”. Nesse tempo já exercia o cargo de postalista da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Em 1950, passou a lecionar no Colégio Diocesano “São Francisco de Sales”. No ano seguinte, passa a lecionar também no Colégio Estadual do Piauí, ministrando aulas de Geografia Geral para duas turmas. Em 1956, em substituição ao mestre Álvaro Ferreira, foi nomeado para a Escola Normal “Antonino Freire”, passando a dirigi-la a partir de 1958 até quando desincompatibilizou-se no ano de 1966, a fim de disputar as eleições de deputado estadual. Nesse ínterim, a convite do governador Chagas Rodrigues, exerceu o cargo de Secretário de Educação, Cultura e Saúde(1959), permanecendo também no governo Tibério Nunes.

Frise-se que o Prof.º Afrânio Nunes tentou morar no Rio de Janeiro, para onde mudou-se com a mulher e filhos no ano de 1953. Ali também foi professor. Porém, não adaptando-se retornou a Teresina ao fim de oito meses. Era casado com a senhora Camélia de Alencar Nunes, que lhe sobrevive. Do consórcio teve seis filhos: José Neto, Adolfo, Cassandra, Sônia, Luciene e Afrânio Filho, que faleceu prematuramente.

A outra grande vocação de Afrânio Nunes foi o esporte. Desportista autêntico, fundou ainda quando estudante em Floriano o Infantil Futebol Clube, de curta duração. Todavia, em 1947, com um grupo de amigos funda o Ríver Atlético Clube, de grande projeção no Estado, treinando inicialmente nas dependências de 25.º BC. Era um dos atletas do novo time. Em 1954, assume a presidência do clube, levando-o à conquista dos campeonatos estaduais de 1954/55, quando encerrou seu biênio. Retornou ao comando do tricolor piauiense em 1958, iniciando a construção da sede social e conquistando os campeonatos estaduais de 1958/59/60/61/62/63, quando o Ríver sagrou-se hexacampeão piauiense. Depois de dois biênios, retorna ao comando do time no biênio 67/68, quando concluiu a construção da sede social. Por fim, retornou ao comando do time em 1972, quando este amargava nove anos sem vitória, comandando-o nas conquistas de 1973 e 1975, esta última dividida com outro clube. É, portanto, um dos grandes nomes do esporte piauiense e justamente reverenciado pela torcida riverina.

Na política, iniciou-se no ano de 1946, quando filiou-se à União Democrática Nacional, seguindo os passos de seu tio e protetor, senador Luís Mendes Ribeiro Gonçalves. Assumiu o Departamento Estudantil da nova agremiação política, que então se organizava no período de redemocratização do país. Mais tarde, passou a integrar o diretório estadual, onde permaneceu desde 1950 e até sua extinção, quando filiou-se à ARENA, em 1966. Deputado estadual por quatro legislaturas, venceu os pleitos travados em 1966, 1970, 1974 e 1978, sempre com expressiva votação. Na Assembléia Legislativa participou de importantes comissões, presidindo a de educação durante seis anos; foi membro da mesa diretora nos biênios 1968/69 e 1977/78, como 1.º secretário, e 1973/74 como 2.º secretário, Líder da ARENA em 1975/76 e presidente da Assembléia Legislativa no biênio 1979/1980, tendo nessa qualidade assumido o governo do Estado em outubro de 1979. Foi um parlamentar dos mais atuantes naquela casa. Em 1982, abandonou a política partidária depois de ver frustrada uma tentativa de disputar a vice-governadoria do Piauí, porém, sendo nomeado pelo governador Lucídio Portella para Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, onde tomou posse em 04.02.1983 e permanecendo até a aposentadoria compulsória. Ainda quando deputado empreendeu viagem de estudo e intercâmbio à Europa, visitando Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Inglaterra. Na política, foi sucedido pelo filho Adolfo Nunes, que elegeu-se deputado posteriormente.

Dedicou-se também à literatura, publicando o livro Homens e fatos do meu tempo(1991). Fundou e presidiu por largos anos a Academia de Letras do Médio-Parnaíba, com sede em Amarante, de que foi titular.

Afrânio Nunes foi um político íntegro, correto e leal, lutando denodadamente pelas causas que abraçou. Deixa, pois, uma lacuna na sociedade piauiense. Com essas notas desejamos destacar a sua personalidade e enviar nossas condolências à família enlutada. O Piauí perde um grande filho.


(Parcialmente publicado no jornal Meio Norte, coluna Academia, edição de 26.8.2011).