“Deixai vir a mim as criancinhas e não as embaraceis, porque delas é o Reino dos Céus”.
 Esta exortação feita pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, repassada por meio do evangelista Marcos (S. Marcos 10-14), deixa claro o apreço do Salvador pelos pequeninos.
 E não poderia ser de outra forma. Estaríamos diante de uma grande confusão, mesmo uma injustiça, se não lhes déssemos o valor que merecem.  Entretanto, por aqui, infelizmente, o que se observa com uma freqüência triste e assustadora é a escalada criminosa de atos e fatos que deturpam toda preocupação que deveria ser dispensada aos infantes. Deprecia-se a desmesurada valia que temos de atribuir àqueles que um dia nos substituirão na condução de nossos destinos.  Velhos e jovens, ninguém tem dúvida, merecem ser bem tratados, mas como querer progresso estável, futuro promissor, se, entre nós, às crianças é, comprovadamente, dispensado tratamento inferior ao que se dá aos idosos? Nossa base de sustentação, inegavelmente, está sendo mal preparada.
 Estão sofrendo nas ruas, pelas calçadas, nas escolas, no recinto familiar.  Uma das desculpas apontadas como mantenedora dessa situação é a falta de recursos estatais específicos disponibilizados nos diversos e reiterados orçamentos anuais e plurianuais. Verdade seja dita: eles são insuficientes. Pior, no entanto, é que, ainda assim, há desvios estupendos e cíclicos do pouco que existe. Não fossem as participações filantrópicas ou de pessoas abnegadas – às vezes, visando tirar algum proveito de suas ações - e a situação poderia ser muito pior.
 Somos um país-menino, temos uma população infantil enorme, um imenso território, água por todos os quadrantes, elevado potencial econômico, todavia, não conseguimos resolver a contento parte das mazelas que envolvem e vitimam nossas crianças.  Desnutrição, fome, doenças já erradicadas de lugares mais desenvolvidos teimam em ceifar, precocemente, vidas inocentes por aqui.
 Mas há esperança e nada melhor do que ela para renovar o ânimo dos que acreditam que vamos chegar lá.  Criaremos condições e envidaremos esforços no sentido de não permitir que o sonho desvaneça.  Um país sem crianças, nunca poderá ser rico, muito menos feliz.  O riso dela amaina as tormentas e suaviza a tempestade; sua alegria contagiante alivia qualquer tensão. O prazer que nos proporciona vale cada centavo investido, cada minuto que lhe dedicarmos.
 No Brasil, onde reside o maior contingente de católicos da face da Terra, a criança tem como marco festivo um de grandiosidade divina. Também em doze de outubro comemoramos e louvamos a festa de Nossa Padroeira,  Senhora Aparecida.
 A Mãe do Salvador faz-lhes companhia e esparge benevolência de modo mais natural, como se isso não fosse óbvio, no instante em que nossos meninos e meninas brincam e se divertem, num congraçamento especial.
 O mundo está a reclamar cuidados e a exigir uma sacudidela a fim de acordarmos para obras verdadeiramente importantes e necessárias. Somente estaremos seguros a partir do momento em que determinados povos, livres de sua ganância e egoísmo exacerbados, pararem de brigar por futilidades ou para se autoproclamarem poderosos. As vidas já sacrificadas são um preço muito alto que estamos pagando, desnecessariamente.
 Olhemos nosso presente com vistas no futuro, que não será tão maravilhoso para nossos filhos, se nos propusermos a matar todo tipo de esperança.  Não sejamos mesquinhos a ponto de solaparmos de todas as crianças a possibilidade de crescerem e viverem num lugar feliz. Depende muito mais de nós do que delas, cada sorriso, lágrima ou choro que ouvirmos ou virmos daqui para frente.
 Imitemos o Pai: acolhamos os pequeninos e não os embaracemos, porque eles é que nos conduzirão ao Reino dos Céus.  Senhora Aparecida, vele por nossas crianças que elas merecem. 

                                    Antônio Francisco Sousa – Auditor-Fiscal e escritor piauiense

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