Tristes sucessos, casos lastimosos,

Desgraças nunca vistas, nem faladas.

São, ó Bahia, vésperas choradas

De outros que estão por vir estranhos

 

Sentimo-nos confusos e teimosos

Pois não damos remédios as já passadas,

Nem prevemos tampouco as esperadas

Como que estamos delas desejosos.

 

Levou-me o dinheiro, a má fortuna,

Ficamos sem tostão, real nem branca,

macutas, correão, novelos, molhos:

 

Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,

E é que quem o dinheiro nos arranca,

Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.