Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 22 de maio de 2012

Adiante dos olhos suspensos

Adiante dos olhos suspensos
Adiante dos olhos suspensos

Informações sobre o livro

Textos
Operários da luz

Cibinga e Cidu
no terreiro em que pisam
pisam ferro brasa pisam
pisam no terreiro em que pisam
Cibinga e Cidu.

Raios e rugas desenferrujam
na velha usina e no mercado
ferve o vento e circulam
como o corpo do camaleão
Cibinga e Cidu.

No fole-força força põem
muita força pouca luz
velho ferro se traduz
em foice-faca e reluzem
Cibinga e Cidu.

Pouca força muita luz
em vermelho-ou-amarelo
toda peça se reduz
toda cor no fogo
de que vale
se no corpo se ilumina
a presença de muita luz.

Se o metal amola a bigorna
se berra no martelo
se brilha na bacia
a perfeição do operário
e a presença duma luz.

Nas alturas do mercado
ou no terreiro na usina
o passado se apagou.

Pinga-pinga a batida
do martelo de Cibinga.
Pinga-pinga a batida
do martelo de Cidu
no ouvido do menino

e a presença duma luz.

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