Dilson Lages Monteiro Sábado, 04 de setembro de 2010
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Ovídio Saraiva

AMOSTRAGEM

SONETO XXIII

 

No sombrio painel da noite escura

Fiel te debuxei, Sendália bela,

Pintei-te as faces, que minha alma anela,

Com suco de jasmins, de rosa pura.

 

Teus olhos divinais em que fulgura

O mágico esplendor da Cípria estrela,

Quis também debuxar, mas oh! Que a tela

Indigna se julgou de tal pintura.

 

Teus lábios virginais dos Céus retrato,

Da papoula pintei co’as rubras cores,

Teus dentes, tuas mãos pintei sensato.

 

Quis teu peito pintar... porém, ó dores!

Nem tintas encontrei, nem pincel grato.

Próprio ao desenho desse horror de horrores.

 

 



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