SONETO XXIII
No sombrio painel da noite escura
Fiel te debuxei, Sendália bela,
Pintei-te as faces, que minha alma anela,
Com suco de jasmins, de rosa pura.
Teus olhos divinais em que fulgura
O mágico esplendor da Cípria estrela,
Quis também debuxar, mas oh! Que a tela
Indigna se julgou de tal pintura.
Teus lábios virginais dos Céus retrato,
Da papoula pintei co’as rubras cores,
Teus dentes, tuas mãos pintei sensato.
Quis teu peito pintar... porém, ó dores!
Nem tintas encontrei, nem pincel grato.
Próprio ao desenho desse horror de horrores.
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