Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 01 de maio de 2017
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José de Arimathéa Tito Filho (A. Tito Filho)

FORTUNA CRÍTICA

Lembrando A. Tito Filho

Por Herculano Moraes

Há 13 anos desaparecia um dos mais notáveis intelectuais do nosso tempo, o professor José de Arimathéa Tito Filho, cuja presença no cenário cultural do Estado, por longas décadas, foi marcante e decisiva para a formação de nossa fisionomia cultural.

Apesar dos 13 anos de sua morte, ainda existe entre nós um certo sentimento de orfandade por tudo o que ele representava.

Tito Filho era uma expressão substantiva, dessas incomuns na sociedade. Jornalista, filólogo, cronista, orador de vastos recursos, dicionarista, intérprete do cotidiano, resumia-se nele o fulgor de uma inteligência brilhante, suprindo, com o seu estilo simples, todas as necessidades básicas de um intelectual, cujo principal instrumento de viver era a palavra.

Vejo-o na saudade de quem perde um ente querido, desses que realmente ocupam em nossos corações impreenchíveis espaços.

Vinícius de Moraes tem um poema dedicado aos amigos em que afirma que poderia perder, com muita dor, todos seus amores; mas não suportaria perder os seus amigos. A perda de um amigo é algo insuperável, mesmo se o tempo percorrido seja de 13 anos.

José de Arimathéa Tito Filho foi além de um grande e exuberante intelectual. Foi um homem que soube concentrar em si mesmo o estilo de um inconfundível talento para as letras, através das quais cresceu no respeito, na simpatia e na admiração dos seus contemporâneos. Era um homem comum, sem aura real, desses que as glórias de uma carreira esplendora não afetam sua conduta.

Na trajetória de sua existência estão presentes os elementos fundamentais da vida de qualquer homem de cultura. Foi boêmio e brincalhão na fase adolescente, sofreu os acidentes naturais no percurso de quem procura acertar nas escolhas amorosas, permeado de acontecimentos consagrados e momentos dolorosos.

“José de Arimathéa Tito Filho, como nos lembra Humberto Guimarães - ocidental, brasileiro, piauiense de Barras, teresinense por adoção, bacharel em direito, professor de português, combateu o bom combate para realizar a sua missão: ser bom na vida”. Pois é esta personalidade plural, inigualável sob o ponto-de-vista de uma cultura universal e díspare, cuja bibliografia, como indica Abdias Silva - chama a atenção pela diversidade dos temas que a compõem - que a Academia Piauiense de Letras homenageia neste mês, quando lembramos os 13 anos do seu falecimento.

A consagrada e inesquecível mestra de tantas gerações, Honorina de Castro Tito, irmã de seu pai, introduziu-o no intrincado labirinto das primeira letras. Mudando-se para Teresina, prosseguiu estudos no Colégio Diocesano, mas foi no velho Liceu Piauiense onde concluiu o clássico, que aprendeu, de velhos e talentosos mestres, as lições de humanidades que lhe enriqueceriam o irrequieto espírito, alicerçando as bases de um conhecimento amplo e diversificado da vida. Integrante daquela estirpe de jornalista combativos e corajosos, A.

Tito Filho era o articulista mordaz, aquela ironia própria dos iluminados. Sabia extrair o sumo de cada tema, e se tornava ainda maior quando o cutucavam com vara curta ou quando a problemática social projetava os dilemas das injustiças contra os que não tinham a quem recorrer.

Preocupava-se com o drama das crianças abandonadas, das meninas prostitutas, dos miseráveis das favelas, dos proscritos das ruas descalças, das habitações sub-humanas, dos que não tinham vez, nem voz.

Condenava a ostentação dos poderosos, a ganância sem fim dos empresários, o espetáculo circense do engodo político, a encenação tragicômica de uma sociedade decadente, a tola vaidade dos insensatos, o esvaziamento do espírito moral, a derrocada da decência, a impunidade crescente dos criminosos, a vitória da ignorância sobre a inteligência criadora.

Quando a vida parecia desmoronar sobre o chão estrelado de suas fantasias e o ideal de felicidade tombava juntamente com os seus sonhos de paz surge em seu destino a figura carismática, simples e singela de Delci Maria, porto, em torno do qual reconstruiu suas esperanças.



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