Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 24 de abril de 2017
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Haroldo Lages Gonzalez

AMOSTRAGEM

O marataoã vive glorioso
com suas canoas antigas,
quintas esparramadas pela margem
e um sol quentinho
por cima da sombra das moitas.
Nesse reino inteiro
(onde os pássaros eram um vôo
manso para o outro lado)
O mistério não era mais
que um banho quente,
um corpo nu
dentro de um mundo
sem nome algum
onde a lavadeira
esqueceu sobre a laje
um resto de sabão.
Muitos avisos me chegam
em gotas que se assomam
nesse rio que não pára.
Quando fico de cócoras
vendo a correnteza passar
meu coração se renova
sem dizer nada,
vou pescando as palavras
em absoluto silêncio,
peixes que nadam escondidos,
piaus que pesquei
em dias trêmulos.

 

__________________

 

Um leve murmurio
de noite
silencia dentro da casa.
A porta aberta
dialoga com a rua.
A geladeira
faz barulhos
vez em quando.
Minha mãe
ainda está no quarto
e o cheiro de cuscuz
enche a casa de amarelo
que reverbera
nas paredes
diárias de sonho.

 

______________

 


A distância da estrada
caindo em pó,
a imensidão da luz
clareando as coisas,
assombrando os olhos.
Barras é apenas
um fio de rua
pairando suave
na manhã do tempo.

 



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