Dilson Lages Monteiro Sábado, 29 de abril de 2017
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Gisleno Feitosa

AMOSTRAGEM

Exame de Próstata no Matuto*
**Gisleno Feitosa

Coisa errada acontecia:
Eu mijando enviesado.
Cuma dizê pra Maria?
Matutei, desconfiado.

Ah! meu cumpade foi fogo.
Aperrei do satanás:
O pinto tando com gogo
E a xana correndo atrás.

Mas deixando de lorota,
Vamos direto pro caso:
Pingava mais na lajota
Que pingo dentro do vaso.

Se eu mijava no capim,
Era tudo diferente:
O mijo caía em mim,
Raramente ia pra frente.

O pensamento mandava;
A bicha num obedecia.
Muitas vezes eu chorava
Quando a bexiga enchia.

Doía até nos cabelos
Que iam se arrepiando.
Bebia que nem camelo
Mas mijar, só gotejando.

Urinava à prestação,
Numa vertida marota:
No banheiro, a precisão,
Era uma atrás da outra.

Depois de comer tampado
E de sentir tanta dor
Me senti encorajado
De procurar um doutor.

Só faria um pedido:
Aliviar o sofrimento.
Que me desse um comprimido
Ou me passasse um ungüento.

Mas moço, foi um vexame,
Depois de tanta agonia.
Era um montão de exame:
Sangue, urina, ecografia.

Com uma sonda no “bico”
Mandaram me ajoelhar
E urinar num penico
Pru mode num derramar.

Depois de tanta desfeita
E de tanta humilhação
Pensei sair c’a receita
Na palma da minha mão.

Mas tava muito enganado
E tomei até um choque
Quando ouvi encabulado
Que ia passar por um “toque”.

Minha cabeça num entendia,
Era grande o meu dilema:
Pra que mexer noutra via
Se é na piroca o problema?

Assuntei c’a minha mulher
E fui mudando meus planos.
Mas matuto nenhum quer
Ser futricado no ânus.

Relutei o mais que pude
Envergonhado e covarde.
Mas se é pro bem da saúde
Fazer o que, meu cumpade?

Digo com toda a verdade,
Que desse exame nojento,
Nunca vou sentir saudade
Um só tiquim de momento.

Mas, cá pra nós, meu amigo,
Ainda tive foi sorte.
Pru mode o exame tou vivo.
Melhor que a melhor morte.

O cabra tem que ter peito.
Botar a vergonha de lado
Enfrentar o preconceito
E viver desvirginado.

Esta trova é advertência
Aquele que não se importa
E não toma consciência
Que o câncer lhe bate à porta.

 *Baseado no poema “Dedo Bandido” de Mano Lima, nome artístico de Mário Rubens Battanoli de Lima (Itaqui, 26 de agosto de 1953) é um cantor brasileiro. Grande filósofo gaúcho adepto do ruralismo desmedido.
**Gisleno Feitosa é ginecologista.
"O Câncer da próstata tem cura e a cura depende do diagnóstico precoce".
O objetivo deste poema é sensibilizar e conscientizar os homens da importância do exame de próstata, que ainda é visto com preconceito por grande parte da população masculina.


 

A Arte de unir Sexo e Amor

“Sexo vem dos outros e vai embora; amor vem de nós e demora” (Rita Lee.).

*Gisleno Feitosa

Os homens devem procurar entender as diferenças e os temperamentos particulares da sexualidade feminina. Alguém já me disse, certa vez que "o chato das mulheres é não virem com manual de instruções".
Rotineiramente, chamamos o ato sexual de "fazer amor”. Trata-se de um equívoco. O sexo é importante em nossa vida; afinal não teríamos nascido machos e fêmeas para que nos envergonhássemos disso. Muito menos isso aconteceu por um acaso. A sexualidade vai além da simples procriação, caso contrário, não teríamos desejo sexual. Somos muito mais que um amontoado de ossos, músculos e nervos. Somos formados também de energia, espírito, sentimentos. O sexo pode proporcionar a união das polaridades positiva e negativa entre duas pessoas, como uma espécie de comunhão com a criação.
A vivência do amor através da sexualidade e do prazer dela decorrente não é sinônimo de pecado. Amor é mais do que uma simples “transa”, como se costuma falar. Ele envolve tanto a dimensão física quanto à dimensão espiritual. A vivencia da sexualidade realiza as pessoas que se amam. O mesmo não acontece com pessoas que praticam o sexo só pelo prazer que esse proporciona: cairão logo na frustração. Pessoas que “fazem sexo” com muitos parceiros, pensando encontrar o amor, tomam-se cada vez mais insatisfeitas e infelizes. Não é a quantidade ou a freqüência com que se “faz sexo” que garante a felicidade no amor.
Por isso, temos que desmistificar alguns estereótipos arcaicos, teimosamente reincidentes, sobretudo entre os homens nas sociedades latinas. Estejamos atentos para os efeitos perniciosos de reduzir o sexo a um mero exercício físico susceptível de ser quantificado em termos de performance intensidade e quantidade. O sexo não é uma competição olímpica, mas um ato de amor e partilha. O sexo transcende em muito o mero prazer físico. No patamar mais elevado, o ato sexual é uma libertação absoluta. Em particular, a libertação da ânsia de procurar prazer. Numa união completa o prazer deixa de nos preocupar, pois ele passa a ser uma conseqüência natural de estarmos juntos com a pessoa amada. Para ser sentido na sua plenitude, o sexo tem de ser acompanhado de um saudável envolvimento emocional.
A sexualidade humana é complexa, misteriosa, bela e, caprichosamente, irracional. É preciso possuir uma grande sensibilidade e requer uma longa aprendizagem que só a prática pode ensinar. Sexo é, por natureza, uma atividade exploratória, de novidade e descoberta repleta de prazer e perigos.
Por muito que se escreva e fale, o sexo será sempre um tópico tabu que escapa à compreensão definitiva.
Para a mulher, no sexo deve haver continuidade (uma história com um antes e um depois). A mulher gosta de ser desejada e de agradar de um modo continuo, o homem gosta de desligar-se.
O homem gosta da variedade (ter sexo com muitas), a mulher da permanência (fazer muito sexo, porém só com aquele que ama). Por isso ela é, em geral, mais possessiva, tenaz e fiel do que o homem. Quando ela abandona o homem em troca de outro, faz de uma forma muito mais decidida, pois, mais do que tudo, é o amor que a move.
Uma mulher gosta de ser lembrada, que ele pense nela, uma conversa, umas caricias, um abraço. Ela tem necessidade que lhe façam a corte, que o homem a procure e se mostre interessado. Por isso emite sinais ambíguos para aferir o interesse dele e a sua perseverança. A mulher quer ser envolvida em toda a sua feminilidade.
O homem precisa de sexo para viver bem e manter a auto-estima. A mulher também, mas acima disso precisa de carinho, companheirismo, segurança e estabilidade.
O erotismo masculino é privado, reservado. O da mulher é público, gosta de exibir ao mundo o seu corpo, a sua paixão. Ao contrário de um homem, para a mulher é muito difícil separar sexualidade e amor.
Necessitamos despertar a mente dos homens para compreender e respeitar a sexualidade feminina. A mudança proposta é a nível da mentalidade. A melhoria do ato sexual é uma mera conseqüência da mudança de mentalidade.

*Gisleno Feitosa é medico.
Nota do autor: este artigo foi escrito baseado em conceitos emitidos pelo livro "A Arte de Fazer Amor: como amar e fazer feliz uma mulher", de Armando Vieira editado pela Editora Ibrasa, Brasil.

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“Salve, Rainha!”

(Gisleno Feitosa - Teresina – Piauí)

Salve, Salvina; perpétua menina!
Salve, saudável mina:
Berço gestante de dois diamantes.
Amante; eternamente amante !

Salve, Salvina; suavemente feminina!
Cansado, me nina.
Menina, adorável menina, que é minha cachaça:
Quanto mais o tempo passa, Deus me deu esta graça, de te amar mais ainda. És linda !

Salve, Salvina !
Luz que ilumina minh’alma com fachos de amor.
És resplendor !
Anjo dourado. Querubim alado.
Tê-la sempre a meu lado, é meu sonho sagrado!

Salve, Mulher que sabe o que quer!
Decidida; és vida. Teu colo é guarida;
Aconchego; meu ninho. Sedução e carinho.
Flor em meu caminho: és rosa sem espinho!

Salve, Paixão.
Inebriante obsessão que me invade o coração!
Salve, Salvininha: és minha, eternamente, Rainha.
Salve, Rainha !   


ODE AO TRAUMATO-ORTOPEDISTA

*Gisleno Feitosa

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Vou declinar pra vocês
Nomes de gente capaz:
Pardini, Rodrigues e Reis,
Guerra, Machado e Arrais.

Guedes, Visco e Muniz,
Santilli, Carvalho e Queiroz.
Gente que sabe o que diz
E, agora, está entre nós.

Couto, Barreto e Santana,
Mesquita, Freire e Frazão,
São nomes da caravana
Deste time campeão.

Sousa, Câmara e Landim,
Barbosa, Rocha e Gregório,
Menezes, Sá e Brandim,
Dispensam o falatório.

Ferracini, Leite e Gil,
Manso, Fernandes, Godinho:
Respeitados no Brasil
E Piauí, nosso ninho.

Vasconcelos e Canuto,
Costa, Santos e Gouveia,
Nós lhes prestamos tributo,
Profissionais “de mão cheia”.

Moura, Pires e Ribeiro,
Miranda, Lima e Façanha;
Cada um é companheiro
Fiel a quem acompanha.

Suzuki, Krause e Monteiro,
Estewein e Maradei.
Não sei se são brasileiros,
Mas competentes, eu sei.
Colares, Borba e Limeira,
Couto, Souza e Leal.
Esta turma alvissareira
Tem um vasto cabedal.

Silva, Campos e Andrade,
Lopes, Mota e Capela,
Com as tintas da bondade,
Pintam, aqui, uma aquarela.

Colaggi, Cohen e Cortez
Soni, Viegas e Hungria.
Bem-vindos sejam vocês
Da Traumato-Ortopedia.

Uma homenagem sincera
A Zé Rodrigues, Professor
Desta turma que o venera
E respeita com amor.

Ao nobre Dr. Arlindo
Que preside a Sociedade
Emocionado, vos brindo
Com nossa cordialidade.

Para encerrar esta ode
Digo: Congresso é um fardo
Que só carrega quem pode.
PARABÉNS DR. LEONARDO!!!


*Gisleno Feitosa é ginecologista.


 

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