Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 29 de maio de 2017

Conversa de Escritor - Resumo

Convidado: Poeta Nathan Sousa
Tema: A poesia em Nathan Sousa
Dia: 18/10/13
Horário: 20h00


(22:15:32) Dílson Lages saindo da conversa...
(22:15:15) Nathan Sousa saindo da conversa...
(22:15:04) Nathan Sousa Dia 18/11 no Projeto Música Para Todos, em Teresina. Um forte abraço e boa noite a todos!
(22:14:01) Dílson Lages Boa noite a todos. Peço ao poeta que reforce a data e o local do lançamento. Estarei presente com toda certeza.
(22:11:03) Nathan Sousa Agradeço pela oportunidade e meu novo livro (No Limiar do Absurdo) saiu recentemente pela Editora LiteraCidade, é um livro com poemas que representam um exercício de escrita-limite, ou seja, busquei explorar os limites da expressividade das palavras, beirando o absurdo tanto nas imagens quanto na forma de expressão. Tem o prefácio de Aloísio Brandão, escritor, jornalista e compositor (parceiro do Climério Ferreira, do Zeca Bahia...). O lançamento será no dia 18/11 no Projeto Música Para Todos.
(22:06:33) Dílson Lages Nathan, gostariamos de agradecer sua participação no bate-papo de Entretextos, pedindo ao amigo que falasse sobre seu novo livro, recentemente editado.
(22:05:31) Nathan Sousa Eu procuro fazer com que a minha linguagem consiga se aproximar do dizer. Graciliano Ramos ensinou que \"a palavra não ficou para brilhar como ouro falso\". Escrever a poesia é para mim um trabalho que se assemelha muito com o de um escultor: procuro as usar palavras que consigam exprimir fielmente o que a poesia \"quer dizer\".
(22:01:36) Dílson Lages O léxico de sua poesia é simples, sem rebuscamentos inúteis ou forçados, nem por isso sua poesia perde a sua dimensão de poesia. O que você diz sobre a escolha vocabular em sua poesia?
(22:01:04) Nathan Sousa No meu modo de ver é de suma importância que o poeta se atenha ao ritmo da poesia e à riqueza da ligação entre o significante e o significado. Penso que a teoria literária é condição de norteamento do fazer poético. Drummond já nos ensinou a respeito de como lidar com a poesia. Pelo menos essa é a lição que ficou mais marcada em mim.
(21:55:56) Dílson Lages Em termos de teoria literária, você citaria o quê? Ou acredita que ela não é condição necessária para o bom poeta?
(21:55:04) Nathan Sousa Citarei também um poeta de produção mais recente: Salgado Maranhão, com sua renovação linguística.
(21:52:39) Nathan Sousa Eu citaria quatro poetas fundamentais: Pessoa, Gullar, Drummond e Cabral
(21:51:26) Nathan Sousa A leitura dos poetas contemporâneos, as nova tendências da poesia, ancorados pelos clássicos. É o caminho mais seguro. Um pé no novo e outro na tradição.
(21:50:15) Nathan Sousa Este poema retrata um momento de nostalgia onde as lembranças da solidão e do peso dos dias, da distância da família, do enfrentamento do próprio destino na cidade grande - onde a literatura serviu e serve de bússola e, ao mesmo tempo, de pilastra - se entrelaçam com a própria cidade em si.
(21:47:24) Dílson Lages O que precisamente você cita como leitura fundamental para o aperfeiçoamento como poeta?
(21:47:11) Nathan Sousa É NOITE É noite, como todas as noites indecifráveis por onde arrastei minha sombra sinuosa (sinuosa e fragmentada tal as ruas e avenidas de Teresina) por onde eu temperei minha carne nos sais da distância em idade imprópria para o adeus. Esta noite povoada de silêncio e de vozes que se eternizam como música doída não é outra senão a mesma noite que outrora revelou para sempre o que na matéria se escondia. Noite noite de iluminação amarela noite sem vultos noite tão somente noite hoje ontem
(21:46:07) Nathan Sousa Sim. Na verdade leio mais sobre a literatura do que a literatura propriamente dita.
(21:45:15) Nathan Sousa Há um pouco de nostalgia e ao mesmo tempo de um insustentável presente. Foi assim que surgiu meu primeiro livro \"O Percurso das Horas\".
(21:45:01) Geovane O poeta poderia reproduzir um dos poemas (ou um fragmento de um deles) de que mais gosta? Ao fazê-lo, poderia falar de possíveis leituras, de sugestão da linguagem nela contida?
(21:44:53) Dílson Lages Nathan, a leitura de críticas literárias ou ensaios acadêmicos também fazem parte da sua rotina?
(21:43:44) Nathan Sousa Há muito de telúrico sim, mas a cidade não representa um tema em si. O que me instigou a escrever poemas sobre ou citando o ambiente urbano foi a forma como eu encontrei de delimitar meus sentimentos/percepções em relação à complexidade do homem vivendo sob as circunstâncias de sua própria cria. Essa relação é que me chama mais a atenção.
(21:39:34) Dílson Lages O que há de telúrico em sua poesia, Nathan? Sua poesia é também a poesia de uma cidade ou de cidades? Esse tema é uma decisão pessoal ou a cidade é sempre um tema do qual os poetas não fogem?
(21:37:21) Dílson Lages Outra canção de Nathan, em música de Sandro Moura : https://soundcloud.com/sandromoura-pi/coracao
(21:36:10) Nathan Sousa Em 2006 minha poesia mostrava traços de contracultura. Eu ainda não mostrava tanta preocupação com a forma enxuta e lapidada. A de hoje é, naturalmente, mais sucinta, menos preocupada em \"falar\", sem perder (é o que suponho) o entusiasmo da comunicação poética
(21:32:40) Geovane Como avaliar a poesia de Nathan escrita em 2006 em relação a produções recentes?
(21:31:30) Nathan Sousa De ambas, no entanto é comum que um tema fique como que \"pairando\" em minha mente. Como um algoz, perquiridor.
(21:30:06) Nathan Sousa Já me fiz essa pergunta várias vezes..rsrsrs. Cheguei à conclusão de que esse limite não existe, dado ao modo como eu encaro as coisas da vida. Tenho a poesia como minha forma de comunicação, embora eu tenha consciência de que ela é caótica.
(21:29:54) Dílson Lages Natham o seu fazer literário vem da intuição, da imagem, da palavra ou de uma ideia perseguida obsessivamente? Ou de ambas as situações?
(21:28:17) Geovane Qual o limite entre o poeta e o Nathan?
(21:27:08) Nathan Sousa Geovane, no ato da escrita do poema eu me atenho, unica e exclusivamente, a procurar uma linguagem que me cumpra a missão de se aproximar do dizer o que vejo ou o que percebo/sinto. Apenas isso. Nenhuma outra pretensão.
(21:26:57) Dílson Lages Para quem quiser participar do bate-papo ouvindo letra de Nathan Sousa na voz de Sandro Moura https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded
(21:25:45) Nathan Sousa Não, com a música não há relação direta. Escrevo poesia como quem se prepara para realizar uma anunciação. Tenho uma relação que assemelha a uma preparação de mantra ou oração.
(21:23:32) Geovane Ao escrever, o poeta tem algum objetivo definido em termos de pretensão literária?
(21:23:07) Nathan Sousa Definir um estilo eu não conseguiria. Confesso que ainda não parei para pensar em definições, nem sequer parei para analisar as técnicas que eu utilizo.
(21:22:53) Dílson Lages Você compõe músicas. Essa experiência impulsiona de alguma forma sua poesia, ou há uma fronteira definida entre elas?
(21:21:19) Geovane Como o poeta definiria o próprio estilo?
(21:20:49) Nathan Sousa Não há forma específica e nem momento. Sabemos que a poesia nasce do inusitado, mas ela surge de um susto, um despertar de espírito, mas normalmente vem em forma de imagens, daí o fato de ser comum você encontrar alusões a obras de arte. Já disse em poema que \"escrevo porque não sei pintar\"
(21:18:16) Geovane Como costuma nascer suas poesias?
(21:17:11) Nathan Sousa Geovane comecei a escrever poesia na segunda metade da década passada. Tive meus primeiros poemas publicados em 2006.
(21:16:21) Geovane Quando começou a ideia de escrever poesia?
(21:15:26) Nathan Sousa Me defino como um artesão da palavra; um desbravador incansável do ponto nevrálgico da palavra. Pelo menos me proponho a assumir esse viés.
(21:13:05) Geovane A poesia de Nathan Sousa dialoga com quais obras?
(21:12:56) Dílson Lages Como você se definiria como poeta?
(21:12:26) Nathan Sousa Minha formação como poeta se deu com base na poesia dos clássicos brasileiros e na poesia de Fernando Pessoa. Tenho uma constante preocupação em procurar expressar a minha poesia de modo que ela se aproxime do \"dizer as coisas\" sem brilho desnecessário. Talvez isso se dê devido a uma influência de João Cabral, mas nada disso acontece de forma consciente.
(21:11:23) Geovane entrando na conversa...
(21:09:03) cláudia barros entrando na conversa...
(21:08:30) Dílson Lages Sua poesia mantém permanente diálogo com as coisas simples do cotidiano e da natureza. O que você faz para que ele sejam tratados esteticamente e não se banalizem?
(21:07:21) Nathan Sousa Obrigado pelo convite!
(21:06:40) Nathan Sousa Boa noite, Dilson!
(21:06:17) Dílson Lages Boa noite, Nathan! Seja bem-vindo ao bate-papo de Entretextos!
(21:04:48) Nathan Sousa entrando na conversa...
(21:02:55) Dílson Lages entrando na conversa...
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