REVISTA LUSOFONIA
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João Alves das Neves (*)
Por não haver estudos sobre as tradições da quadra festiva que está a aproximar-se projectámos, na Beira para cá da Estrela, a divulgação de alguns poemas, crônicas e contos alusivos, mas poucas contribuições recebemos, até agora. E não obstante têm aparecido na imprensa regional alguns textos que poderiam ser colectados.
Recordamos as excelentes evocações do prof. António Gonçalves Matoso de Veiga Simões, de Monsenhor Augusto Nunes Pereira e de outros autores que nos últimos tempos se interessaram pelo tema, mas desta vez não chegamos aonde queríamos.
Quem sabe se, persistindo, poderemos organizar a antologia que ainda não temos, abrindo-a hoje com 3 trabalhos, todos de inegável interesse para a Cultura da Beira-Serra e que ficarão ao dispor de quem quiser repeti-los, desde que refira as fontes – o que nem sempre acontece.
Antecedemos o “Natal na Beira-Serra” com o belo poema A noite de Natal, de José Simões Dias, que foi primeiro para o livro “Canções Meridionaes”, antes de passar para as obras completas de “As Peninsulares”. O poema começa evocando a Benfeita (sem a citar nominalmente), conforme se deduz da abertura:
“Filha do meu povoado. É meia noite,
E um canto festival
Atroa os ares e se repercute
Nas quebradas do vale.
São os ranchos que vêm cantando
As loas do Natal.
O poema é extenso e canta, quase no fim, a referência inaugural:
A meia noite é dada, ao templo, ao templo
Vamos ouvir cantar
Os pastores que estão no adro à espera
Que o padre suba ao altar” (…)
Oportuno seria reproduzir o texto por inteiro, mas é forçoso lembrar o conto “Manuel Maria”, do lousanense “João Luso”, pseudônimo de Armando Erse de Figueiredo, que emigrou para o Brasil em 1893 e se notabilizou como jornalista na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como na Literatura, através de cerca de duas dezenas de livros de ficção e de crônicas, abordando muitos dos temas da emigração e dos países natal e de adopção (nasceu em 12-6-1874 e morreu no Rio de Janeiro em 6-2-1950).
Finalmente, escolhemos para representar o Natal na Beira-Serra a crônica O Natal na minha aldeia, de António Lopes Machado, que está no livro “Crônicas Regionalistas (Arganil)”. Lembrança mais do que necessária, porque o autor dedicou boa parte da sua vida ao jornalismo, além de ter já editado perto de vinte livros sobre as terras que conheceu no mundo e, em especial, as terras da Beira.
Com Simões Dias, que foi um dos poetas mais populares do seu tempo, de João Luso e de António Lopes Machado ilustram bem o Natal da Beira-Serra. (Os 3 textos serão divulgados por inteiro nos blogs www.joaoalvesdasneves.blogspot.com e www.revistalusofonia.wordpress.com, nos próximos dias).
(*) O articulista é escritor português, jornalista e professor universitário; vive no Brasil e publicou mais de 30 livros – os últimos foram “Dicionário de Autores da Beira-Serra”, “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo” e o volume “90 anos do Clube Português (de São Paulo)”. E continua a colaborar na imprensa portuguesa e brasileira.
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