REVISTA LUSOFONIA
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Certos dirigentes do PT-Partido dos Trabalhadores não escondem as suas antecipadas pretensões: quando abandonar a Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva assumirá com toda a certeza um lugar de assessor especial de Dilma Rousseff, se esta não for derrotada pelo oposicionista José Serra.
E é o primeiro equívoco político, assinalando-se muitos outros: por exemplo, apóia ostensivamente, pois propagandeia a sua candidata antes de o poder fazer, de acordo com a legislação eleitoral. Já cometeu mais de meia dúzia de infrações à lei, assim como Dilma (o candidato Serra é o terceiro em faltas). Aliás, a posição do Presidente Lula é ambígua, porque se mostra à vontade, quando profere palavrões na TV. Não será por mal, embora se pondere que um Chefe de Estado e de Governo precisa de contenção, em especial quando fala para milhares de pessoas. A ex-ministra Dilma Rousseff também não se coíbe de fazer o que não pode: ainda há poucos dias, teve de se desculpar pela remessa ao Tribunal Superior Eleitoral de um programa do seu governo – e confessou que o assinou por engano – o texto era do seu partido político, que defende princípios radicais que a candidata não subscreve e que ela suprimiu no programa governamental nº 2… Dias antes, acusara o seu opositor de propósitos que o candidato Serra facilmente desmentiu, por serem falsos, o que provocou a demissão do chefe de imprensa da candidata “petista”.
Há certamente falhas do outro lado, mas José Serra age com maior cuidado quando opina. Entretanto, faltando pouco tempo para a eleição, os 2 candidatos presidenciais estariam tecnicamente empatados, mas tudo pode mudar. A consistência político-administrativa de Dilma Rousseff é mais frágil e ela não tem condições para responder à notícia acusatória da Veja (14-7-2010) – e a revista não foi desmentida ao informar: “Radicais e Incendiários – Marco Aurélio Garcia é o autor do programa autoritário, com a ajuda de Franklin, defensor do controle da imprensa e Paulo Vannuchi, o criador do PNDH”. (Os três são colaboradores muito próximos do Presidente Lula). Á publicação semanal diz abertamente que Dilma Rousseff foi “revolucionária comunista”, mas ser hoje do PC não é ilegal.
Por enquanto, as sondagens não apontam o possível vencedor, de modo que tudo pode acontecer. Os adversários de Lula dizem que, se ganhar Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores ficará no poder durante 12 anos (incluindo os 8 do presidente Lula).
Quer dizer, se Lula mantiver a popularidade que tem hoje, poderá ganhar a eleição de 2014 e nesta hipótese tentará nova reeleição. Isto é, o PT governaria, portanto 20 anos.
Tudo isto e muito mais acontece quando “a procissão” não chegou ao adro!
(*) O articulista é escritor e jornalista, vivendo no Brasil.
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