Dilson Lages Monteiro Sábado, 11 de fevereiro de 2012
REVISTA LITERÁRIA DO AMAZONAS
Evaldo Ferreira
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O alemão que subiu o rio

 

Revista Literária
Evaldo Ferreira, editor – evaldo.am@hotmail.com
Manaus – Amazonas – BRASIL, sexta-feira, 16 de outubro de 2009
 
24 de outubro – 1 ano da Revista Literária
29 de outubro – dia nacional do livro
 
CONVITE
 
Homenagem aos 85 anos da morte de Theodor Koch-Grünberg
 
                A EDUA (Editora da Universidade Federal do Amazonas) e o IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) têm a satisfação de convidá-lo (a) para o lançamento do livro Começos da Arte na Selva, de Theodor Koch-Grünberg, com tradução do padre Casimiro Beksta.
 
                Na ocasião serão relançados dois outros livros de Koch-Grünberg: A Distribuição dos Povos entre Rio Branco, Orinoco, Rio Negro e Yapurá; e Dois Anos entre os Indígenas.
 
Onde: IGHA, rua Bernardo Ramos, ao lado da antiga prefeitura (Manaus – AM)
Quando: 17 de outubro de 2009 (sábado)
Horas: 10 horas
 
O alemão que subiu o rio
 
O antropólogo alemão Theodor Koch-Grünberg (1872/1924) veio para o Brasil em abril de 1903, enviado pelo Museu de Etnologia de Berlim para fazer pesquisas na região do rio Amazonas. Ele escolheu as áreas de fronteira entre o Brasil, a Colômbia e a Venezuela.
Em junho de 1903, a bordo do vapor Solimões, subiu o rio Negro e perambulou entre os vários povos do alto rio Negro até dezembro de 1904 numa fantástica aventura.
Além de borboletas, plantas e amostras de pedras, Grünberg trouxe grande quantidade de material etnográfico, todo levado para o Museu, em Berlim, que patrocinara sua expedição. Uma coleção menor foi entregue ao Museu Goeldi, de Belém.
Grünberg voltou à Amazônia entre 1911 e 1913 e, em 1924, iria acompanhar a expedição do americano Hamilton Rice ao rio Branco, mas morreu de malária, em Vista Alegre, no dia 8 de outubro, aguardando a expedição chegar naquela localidade às margens do Branco, onde foi enterrado. Anos depois seus despojos foram transferidos para o cemitério de São João Batista, em Manaus, onde se encontram até hoje.
O IGHA é depositário de um baú com alguns pertences pessoais de Grünberg.
 
CONVITE
 
RG Editores e Livraria Martins Fontes convidam para o lançamento do livro Dias Contados, de Eunice Arruda (poetaeunicearruda@bol.com.br), com leitura de Inês Pereira.
 
Onde: Livraria Martins Fontes, Av. Paulista, 509 (São Paulo – SP)
(próximo à Estação Brigadeiro do Metrô)
Convênio com estacionamentos: Rua Manoel da Nóbrega, 95 ou 88
Quando: 17 de outubro de 2009 (sábado)
Horas: 15 às 17:30 horas
 
Thiago de Mello
 
O poeta Thiago de Mello estará em São Paulo neste fim de semana, participando do Corredor Cultural, na Casa das Rosas, um local cult, em plena Avenida Paulista.
No dia 17 ocorrerá o lançamento do livro de Thiago, Coleção Melhores Poemas, da Global, seleção e estudo de Marcos Frederico Krüger. Em seguida, dentro do Sarau Chama Poética, que terá como tema "O coração latino-americano", Thiago de Mello e Pollyanna Furtado farão uma homenagem ao poeta Anibal Beça, recém falecido.
No dia 18 de outubro, Thiago participa de uma mesa redonda com o professor Antônio Lázaro de Almeida Prado - poeta, ensaísta e tradutor -, sobre o tema "Livros que marcaram a minha vida". Na sequência, participará do já tradicional Sarau Chama Poética, que terá como tema "Alegria de ser". Tudo isso sob a direção de Fernanda de Almeida Prado, que Thiago define como uma "padroeira da poesia". @
 
Fernando Pessoa
O poeta do Orpheu
 
De 19 a 21 de outubro, no Auditório Solimões, no ICHL/UFAM (Manaus – AM)
 
            FernandoAntónio Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935) é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa. O crítico literário Harold Bloom, considerou-o o mais representativo poeta do século 20.
A figura enigmática em que se tornou, movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o centro irradiador da heteronímia.
Morreu de cólica hepática aos 47 anos na mesma cidade onde nasceu, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa: “I know not watch tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”).
A Revista Identidade elaborou este evento que marca o início das homenagens na UFAM em memória aos 75 anos da morte do poeta, que será completado em 2010.
 
Programação:
Dia 19 de outubro de 2009:

17h – Credenciamento;
18h – Abertura oficial, Lançamento da Revista e composição da mesa – José Farias (Coordenador de Eventos da Livraria e Editora Valer);
18h e 30min – Palestra com Professor Msc. Otávio Rios (UEA)
“Que farei quando tudo arde?” (Re)ler Florbela.
20h – Palestra com a Professora Prof. Msc. Nícia Zucolo
“Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.
21h e 30min – Encerramento e Coquetel.

Dia 20 de outubro de 2009:

18h - Apresentação – José Farias;
18h e 10min – Leitura Interpretativa – Dori Carvalho
18h e 30min – Palestra com Prof.Dr. Gabriel Albuquerque (UFAM)
Pessanha, Pessoa - A poesia e o mar.
19h e 30min – Sorteio de livros.
20h – Encerramento.

Dia 21 de outubro de 2009:

18h e 30min – Palestra com o Prof. Dr. Maurício Matos (UFRJ)
Investigação sobre a morte de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa entre Si e seu Oposto.
20h e 30min – Sorteio de livros.
20h e 40min - Entrega dos Certificados
21h - Encerramento Oficial do Evento.
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Blogs do Zemaria Pinto
 
http://palavradofingidor.blogspot.com
http://ofingidor2008.blogspot.com
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Poesia
Tenho tudo o que quero
Inácio Oliveira, inaciobidos@hotmail.com
 
Tenho tudo o que quero
amigos - alegria.
as vezes companhia.

Tenho tudo o que quero
mulheres - sexo,
as vezes amor.

Tenho tudo o que quero
emprego - dinheiro,
as vezes felicidade.

Tenho tudo o que quero,
mas vez enquanto dói estar no mundo
as vezes quero ser um vagabundo.

Tenho tudo o que quero,
mas não estou conformado
quero a grandeza de um revoltado.
 
Concurso Literário
 
As inscrições para o Concurso de Contos e Poesias "Prêmio Cataratas" estão abertas até 30 de outubro de 2009.
Podem participar escritores que encaminharem à Fundação Cultural de Foz do Iguaçu 1 (um) conto e/ou 1(uma) poesia, escritos em português ou espanhol.
Premiação para cada uma das categorias:
1º lugar R$ 1.000,00 (um mil reais);
2º lugar R$ 700,00 (setecentos reais);
3º lugar R$ 500,00 (quinhentos reais);
Mais informações:
Regulamento
fundacaocultural@fozdoiguacu.pr.gov.br
http://www.fozdoiguacu.pr.gov.br
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Blog do Ismael Benigno
 
http://oavesso.com.br
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Livro
Arquitetura do Poder
 
            Dois anos e três meses e dez longas entrevistas com o personagem principal entre São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. Esse foi o tempo e o trabalho gastos pela professora, doutora em antropologia social e pesquisadora de políticas públicas, Iraildes Caldas Torres, da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) para concluir o livro Arquitetura do Poder – memória de Gilberto Mestrinho, que, como o nome já diz, mostra um pouco do que a memória de Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo lembrou, ou quis lembrar, em sua trajetória política de 50 anos no Amazonas e fora do Estado.
            “Enquanto fazia a trabalho, verifiquei que não se tratava de uma biografia de Mestrinho. Numa biografia só se escrevem coisas boas sobre o personagem. Eu queria tocar em alguns pontos delicados sobre a vida política dele e ele, para minha surpresa, concordou. Por isso Arquitetura do Poder é um livro de memórias”, esclareceu Iraildes.
            A idéia de se escrever um livro sobre Mestrinho partiu de Hindemberg Frota, então reitor da UFAM. “Ele tinha um dívida de gratidão com Mestrinho que, enquanto foi senador (1999 a 2007), à frente da Comissão Mista do Orçamento, contribuiu muito com a UFAM priorizando emendas para a instituição. Daí surgiram os prédios da Faculdade de Direito, de Estudos Sociais e do ICE, no campus, sem falar que a Universidade se expandiu no interior do Estado”, disse.
            Numa reunião com a professora, Hindemberg a indicou para fazer o livro. Menos de um mês depois dessa reunião, pouco antes do Natal de 2006, Iraildes se encontrou com Mestrinho e em março do ano seguinte teve início a primeira entrevista com o ex-senador, isso depois de pesquisar o seu passado em 15 jornais, sendo treze oficiais incluindo um de circulação nacional, e dois alternativos. “Do político só tinha a imagem do populista, do início da carreira, em fins da década de 1950; e do assistencialista, quando do seu retorno à política, de 1982 em diante. Nas entrevistas cara a cara com ele, descobri um Mestrinho totalmente diferente daquele que conhecia, que deixou ser publicados alguns fatos negativos de sua vida pública. Por isso a professora Marilene (Corrêa, reitora da UEA, Universidade do Estado do Amazonas) disse que o livro “é extremamente oportuno (...) espelha o resultado de um trabalho sério e ousado (...), que passa a ter importância para a história do pensamento político”.
 
Uma liderança natural
            Iraildes explica que Arquitetura do Poder mostra o panorama da política amazonense do final da década de 1950 até o fim político de Mestrinho em 2007, quando não conseguiu se reeleger senador no ano anterior. Inicia com sua infância na pequena Lábrea de 1928, filho de uma professora primária com um abastado comerciante que, de uma hora para outra, perdeu tudo. Ainda naquela cidade principiou a sua raiva contra os jacarés (que revoltaria ecologistas pelo mundo a partir da década de 1990 ao pregar a caça de tais anfíbios) ao ver um desses animais abocanhar e comer uma criança.
            Adolescente na década de 1940, já em Manaus, estudando no Colégio Estadual, e depois no Dom Bosco, conheceu e se apaixonou pela política, que resultaria em sua indicação para prefeito de Manaus com apenas 27 anos de idade.
            O livro detalha as suas fugas durante a ditadura pós 1964, cassado e ameaçado de prisão e morte, e o seu retorno em grande estilo ao governo do Amazonas, em 1982.
            “Concluí que Mestrinho nasceu com uma liderança natural e seu nome pode ser escrito ao lado dos de outros dois governadores que deixaram seus nomes na história da política amazonense: Eduardo Ribeiro e Álvaro Maia. Pontos positivos: a preocupação com a saúde da população com a construção dos hospitais Getúlio Vargas, 28 de Agosto, Dr. Fajardo, Casa da Criança, maternidade Balbina Mestrinho e ampliação do Instituto de Medicina Tropical, além das escolas. Ponto negativo: a intolerância com os movimentos sociais, mandando agredir grevistas no Distrito Industrial e professores, no seu segundo governo”, acrescentou.
            Doente, em março deste ano, Mestrinho ainda teve tempo de ler os originais do livro e aprovar tudo o que havia sido escrito por Iraildes. “Ele fez poucas correções. Disse que esperava uma coisa e veio outra, mas estava satisfeito com o resultado”. E viu o livro pronto. “Em 30 de junho o Luiz Costa levou um exemplar para ele”.
No dia 3 de julho Mestrinho foi hospitalizado, com vários problemas de saúde, morrendo no dia 19. @
 
- Arquitetura do Poder – memória de Gilberto Mestrinho, de Iraildes Caldas
Solicitações: iraildes.caldas@gmail.com
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Site do Affonso Romano de Sant’Anna
 
www.affonsoromano.com.br
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Outras artes – Artes Plásticas
 
Exposição: Nas Janelas
De: Márcio Matias
Onde: Museu Amazônico, rua Ramos Ferreira, 1036, centro (Manaus – AM)
Quando: até 31 de outubro de 2009
Horas: 19 horas
 
Concursos Literários
 
1º Encontro Nacional de Poesia de São Fidélis - Tema único para todas as modalidades: São Fidélis “Cidade Poema”. Nas trovas basta constar o termo “Cidade Poema”. Nos sonetos e poesias, além de “Cidade Poema” deve constar " São Fidélis”. A fonte de consulta está disponibilizada no site www.saofidelisrj.com.br, podendo ser pesquisado, também, em qualquer outra fonte como sites oficiais, google etc.
Os trabalhos enviados terão que ser postados até o dia 15 de outubro 2009.
Premiação: R$ 5.000,00, troféu e diploma para os primeiros colocados em todas as categorias; R$ 3.000,00 e diploma para os segundos colocados em todas as categorias e R$ 2.000,00 (dois mil reais) e diploma para os terceiros colocados em todas as categorias.
A solenidade de entrega da premiação ocorrerá em festa programada para o dia 29 de novembro de 2009, na Igreja Matriz de São Fidélis, que este ano está comemorando os seus 200 anos de construção, durante o I Encontro Nacional de Poesia e Literatura.
Mais informações:
Regulamento
Fonte de consulta
saofideliscidadepoemarj@gmail.com
 
Concurso Literário da Editora Novitas. Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra, sendo que tal obra deverá formar um conjunto de no mínimo 50 páginas e no máximo 110 páginas, sendo livre a quantidade de textos incluídos.
As inscrições podem ser feitas até 15 de outubro de 2009.
O resultado do Prêmio será divulgado em abril de 2010 e o vencedor terá sua obra publicada e distribuída para todo o Brasil.
O autor vencedor terá direito a 10% do valor de capa de sua obra sobre uma tiragem de 500 exemplares além de cinco exemplares impressos.
Regulamento, inscrição e outras informações:
Regulamento e ficha de inscrição (em Adobe PDF)
contato@editoranovitas.com.br
http://www.editoranovitas.com.br
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Site da Leila Miccolis
 
http://www.blocosonline.com.br/home/index.php
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Notícias da EDUA
 
            Os próximos lançamentos da EDUA (Editora da Universidade Federal do Amazonas):
            • Começos da Arte na Selva (lançamento), Dois Anos Entre os Indígenas (relançamento), A Distribuição dos Povos Entre Rio Branco, Orinoco, Rio Negro e Yapurá (relançamento), de Theodor Koch-Grünberg.
Revista Somanlu, organizada pelo professor Nelson Noronha.
Amazônia Território, Povos Tradicionais e Ambiente, de Elenise Scherer e José Aldemir de Oliveira.
            • Comidas Tradicionais Indígenas do Alto Rio Negro, de Luiza Garnelo.
            • O Saber Fazer dos Assistentes Sociais, de Simone Baçal.
            • La Belle Vitrine, de Otoni Mesquita.
 
            Bibliotecas, museus, universidades e instituições culturais podem solicitar gratuitamente (mas pagando as despesas de remessa) o livro 100 Anos da UFAM, de Rosa Mendonça de Brito, pelos e-mails:
edua_ufam@yahoo.com.br e
edua@ufam.edu.br
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Sebo O Alienista
Praça da Polícia (diariamente) e Feira da Eduardo Ribeiro (aos domingos)
8831-6698
 
 
Artigo
Novo Acordo Ortográfico
Pedro Silva, ps77@aeiou.pt
 
Ao contrário do que muitos saberão, a discussão para um acordo ortográfico que unificasse a vertente idiomática dos vários países de língua oficial portuguesa é assaz antiga. Um longo caminho percorrido que, ao que parece, terá agora obtido o consenso. Vejamos como tal foi possível.
 
O Acordo
Apesar de todo o mediatismo que a crise económica tem tido, a par da profusão de notícias que igualmente abordam as mais diversas competições desportivas, a cultura tem sido, recentemente, também alvo do interesse da comunicação social. Na realidade, não se trata do lançamento de mais um best-seller nem tampouco o outorgar do Prémio Nobel da Literatura. Curiosamente, todo o alarido surge em redor de um Tratado Internacional. Estranho? Nem por isso. Trata-se do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e, efectivamente, irá afectar directamente o quotidiano de mais de 200 milhões de pessoas – mais ou menos o universo de falantes desta maravilhosa língua que une países em todo o globo.
Como poucas vezes acontece, este novo acordo teve o condão de despertar interesse dos mais diversos quadrantes, desde a política à vida universitária, assim como desde o comum cidadão ao intelectual. Para alguns está em causa a preservação da tradição linguística, ao passo que, do lado de lá da barricada, encontram-se os que defendem de forma acérrima que, para evitar que o português se torne uma língua defunta é crucial que se modernize.
Mas concentremo-nos nos pontos principais, de modo a que possamos tirar as nossas próprias ilações. Basicamente, este Acordo Ortográfico pode ser definido como um tratado que tem em vista a unificação da língua falada, e escrita, nos diversos países onde o português é o idioma oficial, a saber: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste (neste caso, apenas em 2004, após ter obtido a independência).
A assinatura deste acordo teve lugar em Lisboa, a 16 de Dezembro de 1990, numa reunião alargada que teve a presença dos países acima citados, excepto o caso de Timor pelas razões políticas conhecidas de todos.
Estava em causa, primordialmente, a unificação das duas grandes vertentes da língua portuguesa, no caso em concreto aquela utilizada por Portugal e pelos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e a outra existente no Brasil. A ideia era uma aproximação ao que Espanha e a América Hispânica haviam feito, isto é, tornar possível a existência de uma só escrita unificada.
No primeiro estudo ao assunto, datado de 1990, de uma lista de 110 mil palavras, apenas 1,6% seriam alteradas em Portugal e PALOP, sendo que no Brasil tal percentagem baixava para apenas 0,5. Porém, mais recentemente, em 2008, uma análise mais alargada, no caso em concreto a 135 mil palavras, efectuada pelo “Instituto de Linguística Teórica e Computacional de Lisboa”, já se falava em 4% de alterações no global.
Como se vê, pese embora a participação activa de linguistas, académicos, jornalistas, tradutores, escritores ou professores, entre tantos outros, não existe consenso quanto a este tratado da língua portuguesa, havendo quem aponte várias falhas e alguma ambiguidade na feitura do próprio texto do acordo. Continua no final da página.
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Blog do Simão Pessoa
 
www.simaopessoa.blogspot.com
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Poesia
Bem-Aventurados
Mário Quintana
 
Bem-aventurados os pintores escondendo luz
Que se expressam em verde
Azul
Ocre
Cinza
Zarcão!
Bem-aventurados os músicos...
E os bailarinos
E os mímicos
E os matemáticos...
Cada qual na sua expressão!
Só o poeta é que tem que lidar com a ingrata linguagem alheia...
A impura linguagem dos homens!
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Blog do Floriano Martins
 
http://florianomartins.blogspot.com
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Concurso Literário
 
O Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro é uma promoção da Via Literária Produtora Cultural.
Na edição de 2009, contos curtos. Prêmio de R$ 1.000,00 para a prosa vencedora.
Prazo final das inscrições:31 de outubro.
Regulamento: http://www.vialiteraria.com/inicial.php
 
O passeio da Bíblia
 
A chegada de uma versão especial da Bíblia Sagrada provocou uma verdadeira mobilização em Manaus, durante toda a segunda-feira, dia 28 de setembro. A Bíblia, escrita em 66 idiomas, pesa aproximadamente 20 quilos, tem 1.500 páginas e foi escrita por mais de 3.500 pessoas.
            O livro chegou às 11:30h, ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. De lá foi levado em carreata pelas ruas da cidade. O ponto final da programação foi um evento no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, na Bola da Suframa, que reuniu mais de 20 mil pessoas.
            A chegada da Bíblia faz parte do projeto Siga a Bíblia, realizado em virtude de o ano de 2009 ser comemorado como o Ano Mundial da Bíblia. A passagem do livro sagrado pelo mundo começou no mês de julho, na cidade de Manila, nas Filipinas, já tendo percorrido dezenas de cidades na Europa e Ásia. No total a Bíblia passará por 204 países.
            A cidade amazonense é a primeira da América do Sul a recebê-la. Daqui a Bíblia segue para Belém e São Luiz. No Brasil, a passagem do livro sagrado é uma realização da Sociedade Bíblica do Brasil.
            O ponto final dessa excursão mundial será na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos, em julho do ano que vem. @
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_No Tempo dos Seringais_ e _Maria Menina_,
de Evaldo Ferreira
Agora nas livrarias Valer, Nacional, Nobel e Concorde
ou pelo e-mail: evaldo.am@hotmail.com
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Livro
Lendas Amazônicas
 
O livro As Lendas Amazônicas em Sala de Aulaé o resultado dos estudos desenvolvidos pela professora Anervina Souza durante seu mestrado em Educação na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas, contemplando os pontos considerados como base para uma reflexão sobre a importância da cultura de tradição oral da Região Amazônica e sua aplicação na escola, buscando a indicação da diversidade de enredos e temas das lendas amazônicas para que sejam explorados, de modo a levar as crianças a se interessarem pela leitura, deixando que sua imaginação criativa se encarregue de fantasiar e recriar as histórias, verificando a maneira como as influências socioculturais e a imaginação criativa das crianças interfere nessa recriação.
Para Anervina, apontando essas histórias como elemento auxiliar na formação educacional e cultural, estaremos oferecendo base para a criança que, por meio da lenda, poderá ser ajudada a perceber conflitos internos. Poderemos perceber a força imaginativa que pode surgir com essas histórias. Heróis são apresentados dotados de poderes divinos, sobre-humanos, levando a criança a atribuir confiança nessa personagem, sendo possível que, acreditando na resolução dos conflitos apresentados na história, essa resolução poderá se refletir na sua condição psicológica, a partir do momento em que está em contato com a mesma. Explicações racionais da vida, da existência da criança, daquilo que a cerca, são, por vezes, menos compreendidas por ela do que quando essas explicações vêm por meio de um mito ou lenda. Assim, é mais fácil para a criança acreditar na explicação de que a Terra está em cima das costas de uma tartaruga ou foi criada por uma cobra gigante ou, ainda, ser sustentada por um gigante, do que passar horas a fio ouvindo explicações científicas que não conseguem sequer prender sua atenção, como: ‘A terra é um planeta, cercado por uma vastidão inimaginável...’, para a criança, é uma explicação que não representa o que é visto por ela na vida real.
Quatro capítulos compõem este trabalho. No capítulo intitulado O mito e as abordagens socioculturais aborda-se a questão da identidade e da valorização cultural, temáticas possíveis de serem trabalhadas por meio da utilização das lendas amazônicas na escola. Trata-se, ainda, neste capítulo, como as lendas, enquanto mitos de origem podem tornar a explicação da realidade mais compreensível para as crianças. Aborda-se também a explicação do que é o “ser sobrenatural” que permite o renascer da personagem-herói em nova forma, encontrando-se presente nas várias lendas de vários povos de culturas diversas. E por último, discute-se acerca da criatividade que o professor (principalmente aquele que está no ensino fundamental) pode recorrer para, utilizando as lendas, chamar atenção dos alunos, ajudando-os a se tornarem mais participativos na leitura e na escrita.
O capítulo seguinte, O sobrenatural nas histórias das crianças, é aquele em que se procede à sistematização da forma de representação do ser sobrenatural nas histórias que os alunos reproduzem por escrito, após terem ouvido as três lendas narradas pelos professores.
O próximo capítulo, Análise da interpretação criativa das crianças, trata da verificação de como as crianças, ao reproduzirem as lendas por escrito, vão projetando a figura do ser sobrenatural, buscando-se, com isso, interpretar os termos, expressões utilizadas como influência dos planos socioculturais.
O último capítulo, As lendas como um jogo de leitura e escrita, têm como base a análise da importância da presença das lendas no contexto escolar, como forma de incentivo a leitura e a escrita na perspectiva de desenvolvimento da capacidade criadora. @
 
- As Lendas Amazônicas em Sala de Aula, de Anervina Souza
Solicitações: ane_li@ig.com.br
 
Livro
Zona Franca
 
Na busca por uma definição de cenários sobre a Zona Franca de Manaus e de fatores que condicionariam esse futuro, Ronaldo Bomfim e Lissandro Botelho lançaram o livro Zona Franca de Manaus – Condicionantes do Futuro, pela Editora Valer.
O livro surgiu de um projeto elaborado para as entidades empresariais do Amazonas sobre fatores que podem afetar as empresas do Pólo Industrial de Manaus (PIM). Com base nesse estudo, os autores desenvolveram seus argumentos e formataram as idéias que embasaram a obra. Ronaldo Bomfim e Lissandro Botelho empreenderam uma das mais consistentes reflexões sobre o processo de desenvolvimento regional contemporâneo, com ênfase no Pólo Industrial de Manaus.
Com sólida formação teórica e amplo conhecimento dos fundamentos que engendraram a criação da Zona Franca de Manaus, os autores apresentam um painel crítico e desmistificador sobre a realidade dessa experiência econômica. Não o fazem de forma isolada, mas situando-a no contexto histórico Amazônico, ao mesmo tempo em que detalham os fatores que asseguraram a continuidade e a competitividade desse modelo econômico.
Zona Franca de Manaus – Condicionantes do Futuro é um ensaio de leitura obrigatória, não só pelos estudiosos dos processos econômicos, mas também pelos planejadores públicos, legisladores, intelectuais e cidadãos preocupados com o futuro da Amazônia.
As reflexões de Ronaldo Bomfim e Lissandro Botelho são esclarecedoras. Têm um caráter de diagnóstico de uma realidade econômica determinada, ao mesmo tempo em que oferecem subsídios para fazer avançar e aprimorar os processos do modelo analisado.
 
Os Autores
Ronaldo Bomfim é amazonense, formado em Economia pela Ufam, com M.B.A. em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Vanderbilt nos EUA. Foi professor da Ufam no curso de Economia. Para Ronaldo, o livro resultou da busca pela qualificação, cada vez mais essencial em nosso mundo contemporâneo. "Precisamos ter um diagnóstico realista, que expresse os problemas que estão vindo pela frente. Fica patente a importância da qualificação como um fator-chave para o verdadeiro desenvolvimento econômico”, afirma.
Lissandro Botelho é formado em Economia pela Ufam, em Administração pela UEA, com mestrado em Planejamento do Desenvolvimento pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – NAEA, da Universidade Federal do Pará. Segundo Lissandro, entre as abordagens está a de que o Norte tem uma média educacional baixa. “Por isso, muitas vezes engenheiros de outras partes do País são chamados para trabalhar aqui”, disse. @
 
Reenvie a Revista Literária para um amigo seu que seja amante da boa literatura
 
Crônica
O meu Zahir
Inácio Oliveira, inaciobidos@hotmail.com
 
            O escritor Jorge Luiz Borges, num belo conto, nos apresenta o conceito de “Zahir”. O Zahir seria algo que uma vez que entremos em contato com ele jamais conseguiremos esquecê-lo e remonta à tradição árabe; pode ser qualquer coisa: um objeto, uma obra de arte, uma pessoa, qualquer coisa. Até o famigerado Paulo Coelho abordou o tema no seu homônimo e lamentável O Zahir.
            Pois bem, eu tenho um Zahir, o meu Zahir é um poema. Ele está intacto, petrificado em minha memória, intocável ao tempo e ao esquecimento. Basta eu “querer” lembrar. Cada verso, cada palavra, cada sílaba organizada segundo a arbitrária vontade de seu autor. Lembro tanto que posso transcrevê-lo aqui sem precisar recorrer ao seu suporte impresso.
            O poema chama-se “Desejo”.
           
Um homem sentado à mesa,
sozinho em seu mundo
faz distraidamente um barquinho de papel
e o barquinho vai crescendo, crescendo
até transforma-se em um soberbo navio.
O homem embarca apressado
e o navio parte vagarosamente
deixando o tédio sobre a mesa.
O homem tem agora uma expressão aventureira,
suas mãos se transformam em mares
para a viagem impossível do barquinho de papel.
 
            Eu deveria ter por volta de 15, ou 16 anos, não lembro, quando peguei ao acaso um livro na biblioteca da escola aonde estudava; uma edição antiga de capa negra, abri-o, ao acaso também, e li o poema acima. Nunca mais o esqueci, porém, não lembro o nome do seu poeta, nem o título daquele livro. Quando se é jovem não ligamos muito para essas coisas.
            É claro que a tradição poética é abundante em muitos outros exemplos de igual ou maior beleza literária que este, e é claro também que eu tenho outros poemas na memória e posso dizê-los a qualquer momento, mas acontece que estes eu os li várias vezes com a intenção de decorá-los, e aquele eu o li uma única vez sem jamais esquecê-lo. Não sei explicar porque este poema me é inesquecível, mesmo eu o tendo lido há tanto tempo e uma única vez. Às vezes penso que sou aquele “homem sentado à mesa,/sozinho em seu mundo”, esse incrível poder de empatia que a poesia nos pode causar.
            Foi a partir desse momento que senti o desejo de escrever poemas, poder eternizar em palavras as coisas mais efêmeras do mundo; pensamentos, instantes, imagens e emoções. A maior das ambições humanas, a arte, no fundo, é uma grande ambição, é a luta do homem para transcender tudo aquilo que ele nega e teme: o tempo, a morte, o esquecimento, a sua própria condição. É também aquele momento em que o homem está mais próximo de Deus e por meio da sua arte também aproxima seus semelhantes. Como escreveu o genial Mario Quintana.
 
Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!
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Blog do Rogel Samuel
 
http://literaturarogelsamuel.blogspot.com/
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História da Medicina
 
O que: XIV Congresso Brasileiro de História da Medicina
1ª Réunion Franco-Brézilienne d’Histoire de la Médicine
Onde: Auditório da UEA (Manaus)
Quando: 5, 6 e 7 de novembro
Outras informações: joaoboscobotelho@gmail.com
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Programa Literatura em Foco
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Todas as terças-feiras, às 21h e 45m, no Amazonsat,
Apresentação Abrahim Baze
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Continuação do artigo Novo Acordo Ortográfico
Precedentes
Por mais incrível que tal facto possa parecer podemos remontar a génese deste novo acordo ortográfico a um período temporalmente tão longínquo quanto o início do século XX, mais concretamente o ano de 1911 quando, seguindo-se à implantação da República no nosso país, se fez grandes mudanças a todos os níveis, incluindo a parte escrita. A partir desse momento, a ortografia nacional mudou radicalmente, deixando-se para trás a redacção de palavras como lyrio, Thomar ou ortographia para passarmos a lírio, Tomar e ortografia. Deste modo, libertava-se a grafia da sua íntima ligação que tinha por base os étimos latino e grego. A esta remodelação chamou-se “Reforma Ortográfica de 1911”.
Por seu turno o Brasil prosseguiu utilizando a escrita antiga, o que levou, nos anos seguintes, a tentativas – sempre frustradas – de entendimento entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, no tocante a uma reunificação linguística. Após a impossibilidade de um acordo em 1931, o ano de 1940 marca uma primeira decisão em Portugal, a que veio a suceder-se, no Brasil algo similar três anos depois. Como tal, Portugal ratificou o “Acordo Ortográfico de 1945”. Porém, no país-irmão tal não sucede tendo em conta o chumbo que o Congresso Nacional Brasileiro deu ao diploma, optando ao invés pelo “Formulário Ortográfico de 1943”.
Porém, e como a desunião linguística prosseguia, novas tentativas tiveram lugar, tal como o acordo alcançado em 1971 (Brasil) e 1973 (Portugal), no qual se suprimiram os acentos gráficos responsáveis por uma elevada percentagem das diferenças linguísticas (por exemplo, a palavra somente perdia o acento que envergara até então).
Mas a ambição não havia sido satisfeita na sua plenitude e ocorreram duas novas tentativas, que falharam redondamente. A de 1975 não teve seguimento devido à convulsão política e social relacionado com o período do pós-25 de Abril de 1974, ao passo que a proposta de 1986 foi rejeitada por elementos dos dois países devido à supressão de acentuação gráficas nas palavras esdrúxulas.
Por aqui podemos facilmente perceber as dificuldades inerentes a qualquer mudança na ortografia da língua portuguesa, pelo que a consequência foi a manutenção das múltiplas diferenças. Apenas em 1988, o “Anteprojecto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa” pareceu dar novo alento ao processo de unificação e, de certo modo, foi a antecâmara do acordo que teve lugar dois anos depois.
Reunidos na Academia das Ciências de Lisboa, entre 6 e 12 de Outubro de 1990, estiveram os vários países falantes do português, chegando-se a um acordo há muito ansiado. Uma cláusula em particular, do texto final, levantava porém algumas dúvidas. No artigo 3º previa-se a entrada do novo acordo ortográfico a 1 de Janeiro de 1994. No entanto, o facto de apenas três países o terem ratificado – no caso, Portugal (1991), Brasil (1995) e Cabo Verde – tal intenção foi novamente adiada.
Oito anos após o acordo, nova reunião, desta feita na cidade da Praia (Cabo Verde), de onde surgiu um “Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, o qual prescindia de uma data concreta para a sua entrada em vigor. No entanto, e apesar desta crucial alteração, apenas três países o ratificaram – exactamente os mesmos que o haviam feito anteriormente.
Quiçá provocado pelo arrastamento deste processo negocial, o próximo encontro, que teve lugar em Julho de 2004, terminou com uma nova indicação: desta vez seria necessária apenas a ratificação de três membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que o acordo fosse uma realidade. Num texto conhecido como “Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa”, de realçar ainda a adesão de Timor-Leste.
Estava aberto o caminho para que as mudanças ortográficas se efectivassem. E é aqui que se reacende a polémica, havendo quem defendesse que tal era incorrecto, pois a obrigatoriedade, de todos os países signatários o ratificarem, era total, ao passo que outra visão teórica acreditava que o acordo não possuía nenhuma incorrecção na sua feitura.
Ora, atendendo que o Brasil o ratifica logo em Outubro de 2004, secundado por Cabo Verde em Abril de 2005 e São Tomé e Príncipe a 17 de Novembro de 2006, pensar-se-ia que não tardaria até que a sua aplicação sucedesse. Porém, de forma unânime entendeu-se que não faria sentido avançar-se para algo envolvendo a língua portuguesa sem a ratificação de Portugal.
Como tal, a 16 de Maio de 2008, a Assembleia da República nacional ratificou este “Segundo Protocolo Modificativo”, possibilitando então um consenso mais generalizado (refira-se que também Angola dava, ao mesmo tempo, os primeiros passos no sentido de prepara-se para a entrada em vigor no novo acordo). O tal passo final para a entrada em vigor do tratado acontece a 15 de Novembro de 1008, após uma reunião com a presença dos chefes de estado e do governo dos PALOP.
Logo em Março de 2009, a Academia Brasileira de Letras publicou o “Vocabulário da Língua Portuguesa” (VOLP), com 381 mil entradas, algo considerado fundamental enquanto texto explicativo. Em Portugal, enquanto se aguarda por igual fonte de informação a publicar, provavelmente, pela Academia das Ciências de Lisboa, algumas editoras vão dando à estampa pequenas obras de pesquisa relativamente a este novo acordo ortográfico.
 
As alterações mais importantes
Apesar das 21 bases ortográficas que constam do texto do acordo, existem algumas que, pela sua frequência de utilização, se tornam mais relevantes para o dia-a-dia de todos nós. Vejamos então algumas dessas mudanças que surgirão com o novo acordo.
Em primeiro lugar, o alfabeto passa de 23 para 26 letras, incluindo W, K e Y (ainda que de uso restringido a abreviaturas e palavras de origem estrangeira e seus derivados). Em segundo lugar, os meses do ano e os pontos cardeais passam a ser redigidos em letras minúsculas. Para além disso, poder-se-á usar maiúsculas ou minúsculas nos títulos de livros, excepto na primeira palavra que terá de ser escrita obrigatoriamente com letra maiúscula. O mesmo sucede nas expressões de tratamento, nos nomes de sítios públicos (como “praça da república”) e nos nomes de disciplinas científicas.
Em quarto lugar, e apesar da distinção entre ch e x, mantém-se a diferença nas palavras que a tradição consignou, como champô e xampô. Outro aspecto relevante é a supressão do trema, excepto em nomes próprios e seus derivados. Entre as excepções mais importantes encontram-se palavras que mantêm dupla grafia (como caráter e carácter) ou dupla acentuação (económico/econômico). Um sétimo aspecto a ressalvar é a supressão de acentos gráficos em palavras como pára ou pêlo. Já no Brasil, termos como abençoo ou ideia deixam se ser acentuados.
No que diz respeito à hifenização, as mudanças também são notórias. Este mantém-se nas seguintes situações: nos compostos, locuções e encadeamentos vocabulares, assim como quando o segundo elemento da frase começa por H, quando tem a mesma primeira letra ou quando o falso prefixo termina com M e o segundo elemento começa por M ou N. Alguns exemplos são: anti-higiénico, hiper-resistente ou circum-navegação. O hífen é ainda suprimido em expressões como hei-de ou hás-de, dado que neste caso ali a preposição funciona como mero elemento de ligação ao infinitivo com que se forma a perífrase verbal. Por último, o hífen desaparece quanto o pseudo-prefixo termina em vogal R ou S, em que dobra a consoante. Exemplo: antirreligioso.
Em suma, algumas mudanças serão: óptimo que passa a ótimo; Egipto tornado em Egito e fim-de-semana transformado em fim de semana. Porém, facto/fato e génio/gênio continuaram a ter dupla grafia.
 
Prós e Contras
Tendo em conta as duas visões opostas, quanto ao acordo, conheçamos os seus principais argumentos. Aqueles que defendem a nova ortografia acreditam piamente que esta unificação de 98% do léxico é essencial para evitar a deriva actual. Crêem ainda na diminuição de custos das edições em ambos os países que agora se tornam unívocas. Procuram, com o acordo, evitar a fragmentação de um idioma que na realidade é comum, a par de uma aproximação da oralidade à escrita e, consequentemente, à necessária evolução da língua.
Para além disso deixa de haver necessidade de textos duplicados nos documentos oficiais. Julga-se que um aumento de circulação de livros poderá ser uma realidade, tal como a utilização de um vocabulário técnico-científico comum, o que permitirá maiores parcerias entre institutos académicos e científicos em geral.
A juntar a todos estes argumentos, os defensores da aplicação do novo acordo informam a necessidade, para organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, de uma uniformidade da grafia, ao passo que Portugal e Brasil poderão dar, em conjunto, um novo impulso à difusão da língua portuguesa a nível mundial e, obviamente, ao seu fortalecimento junto dos PALOP.
Em suma, acreditam que esta modernização era, acima de tudo, uma inevitabilidade, tal como sucedeu com outras línguas, como a espanhola, a francesa ou mesmo o árabe.
Já no tocante aos que estão contra a aplicação do novo acordo ortográfico, apoiam-se nos seguintes fundamentos: antes de mais, a proposta, nos seus moldes actuais, é insuficiente para atingir os seus reais propósitos, atendendo ao grande número de excepções à regra. Defendem tratar-se de uma evolução contranatura da língua. Frisam ainda da não necessidade de tal facto pois, ao longo dos anos, o entendimento linguístico entre Portugal e Brasil havia sido perfeito. Na vertente económica, frisam que os custos a suportar serão tremendos, incluindo a confecção de novos dicionários, gramáticas e livros escolares, para além da forçosa reaprendizagem da nova grafia por milhões de pessoas e do necessário reajustamento dos livros das editoras. Apontam ainda que o inglês, apesar de não ser unificado, continua a ser a língua internacional usada prioritariamente.
 
Ponto da situação
Em termos gerais, o novo acordo ortográfico já se encontra em vigor em países como Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, pelo facto de terem sido signatários do tratado. No Brasil, inclusivamente, pretende-se que os livros didácticos de 2010 contenham todas as mudanças ortográficas estipuladas, com uma adaptação plena, no máximo, até 2012. Órgãos de comunicação social como a “Folha de São Paulo” ou “O Estado de São Paulo” já se encontram totalmente adaptados à nova grafia.
Já em Portugal, a polémica continua. Apesar de prevista a entrada em vigor do novo acordo para finais de 2007, só em Maio de 2008 o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva se empenhou na prossecução do estipulado, ratificando, então, o protocolo a 21 de Julho de 2008, e prevendo a adaptação, em Portugal, ao novo acordo num prazo de seis anos.
Apesar das divergências, entre as quais destacaríamos a petição online intitulada “Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico” – a qual obteve enorme adesão – o certo é que alguns órgãos de comunicação social já se encontram a utilizar a nova grafia, no caso o jornal desportivo “Record”, o diário regional conimbricense “Despertar” e o matutino “Correio da Manhã” (neste último caso, porém, de forma gradual).
Recentemente, o Ministro de Cultura, José António Pinto Ribeiro, desejou que a aplicação do acordo fosse uma realidade, em termos oficiais (assim como em todos os meios de comunicação social) já a partir de 1 de Janeiro de 2010, sendo que nas escolas tal sucederá após o ano lectivo de 2010-2011.
Apesar de faltar, ainda, a edição de um Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, entre Portugal e Brasil – o que deverá ocorrer antes do final do presente ano – o certo é que já poucos terão dúvidas quanto à inevitabilidade, a curto prazo, destas mudanças linguísticas. @
 
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