Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 22 de julho de 2014
RECONTANDO ESTÓRIAS DO DOMÍNIO PÚBLICO - F. B.
Flávio Bittencourt
Tamanho da letra A +A

O Prof. Leonardo Castro apresenta resumo ilustrado sobre o tráfico de escravos

 

[Flávio Bittencourt]

O Prof. Leonardo Castro apresenta resumo ilustrado sobre o tráfico de escravos

Pede-se a atenção do leitor para a importância das ilustrações desse resumo, com o mapa das rotas do tráfico de escravos africanos para as Américas e Brasil.

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor da fotografia: Christiano Júnior, José [1832 - 1902]
Escravo da Nação Africana Olunan , ca. 1865

(http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2283&cd_item=18&cd_idioma=28555)

 

 

 

 

 

"(...) Nestas páginas [DO DICIONÁRIO DA ESCRAVIDÃO, DE ALAÔR EDUARDO SCISÍNIO], por entre seus 2.000 verbetes, o leitor encontrará referências que vão do inicio do tráfico de escravos à abolição; da submissão às insurreições e quilombos (particularizando o de Palmares, até com sua cronologia própria); das crenças ancestrais ao sincretismo religioso; das doenças à farmacopéia escrava e catimbó; dos usos, costumes e castigos à legislação; da culinária aos folguedos; da música às particularidades da alma inquebrável desses secularmente injustiçados construtores anônimos da riqueza nacional e elemento preponderante no amálgama da nação brasileira. (...)".

(LÉO CHRISTIANO EDITORIAL, na Apresentação do Dicionário da Escravidão

[RIO DE JANEIRO, 1997])

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Christiano Júnior, José
Escravo Confeccionando um Cesto , ca. 1865
albúmen e cartão de visita
Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro, RJ)

(http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2283&cd_item=18&cd_idioma=28555)

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(http://biblioafrogriot.blogspot.com/2009/08/escravos-brasileiros-do-seculo-xix-na.html)

 

 

 

 

(http://www.sebodomessias.com.br/sebo/(S(kvlk5jvkt3ucks453jkyg155))/detalheproduto.aspx?idItem=310544)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O SAUDOSO DR. ALAÔR SCISÍNIO,

AUTOR DO DICIONÁRIO DA ESCRAVIDÃO,

TRABALHANDO

(http://www.leochristiano.com.br/lcr/detalhes_dicescrav.htm)

 

 

 

TÍTULOS SOBRE O ASSUNTO, 

RECOMENDADOS:

[OBS. - TRATA-SE DE RECOMENDAÇÃO DESTA

COLUNA "Recontando...", OU SEJA, NÃO SE MENCIONA

A BIBLIOGRAFIA DO ARTIGO ADIANTE TRANSCRITO]

COUTY, Louis. A escravidão no Brasil.  Trad. Maria Helena Rouanet (1ª ed. 1988). Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1988.
 
COSTA E SILVA, Alberto da. Um rio chamado Atlântico: a África no Brasil e o Brasil na África. Rio de Janeiro: Nova Fronteira / Ed. UFRJ, 2003.

 

FLORENTINO, Manolo Garcia. Em costas negras: uma história do Tráfico Atlântico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro (Séculos XVIII e XIX). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.  
 

KARASCH, Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808-1850). São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

 

VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo: do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos dos séculos XVII a XIX. São Paulo: Corrupio, 1987.  

 

 

 

 

LIVRO ONDE ESTÃO FOTOS E IMAGEM DA CAPA

ACIMA REPRODUZIDAS: 

 

LISSOVSKY, Maurício (org.); DE AZEVEDO, Paulo César (org.). Escravos brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Júnior. São Paulo: Editora Ex-Libris Ltda, 1988.

 

OBRA ENCICLOPÉDICA (alentado livro de referência): 
 

SCISÍNIO, Alaôr Eduardo. Dicionário da Escravidão. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial, 1997.

 

 

 

LINKS (outras referências bibliográficas concernentes):

 

http://www.reporterbrasil.org.br/conteudo.php?id=71

 

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/livros_escravidao_brasil.htm

 

http://www.historia.uff.br/curias/modules/tinyd0/index.php?id=17

 

http://biblioafrogriot.blogspot.com/2009/08/escravos-brasileiros-do-seculo-xix-na.html

 

 

ARTIGO (link):

RIBEIRO, Alexandre Vieira. Estimativas sobre o volume do tráfico Transatlântico de escravos para a Bahia, 1582-1851. 

O REFERIDO TEXTO PODE SER ENCONTRADO, NA WEB, EM:  

http://www.historia.ricafonte.com/textos/historiografia/Tr%C3%A1fco%20transatl%C3%A2ntico%20de%20escravos%20para%20a%20Bahia.pdf

  

 

VEJA TAMBÉM, POR FAVOR:

"ESCRAVOS ERAM BASE DA ECONOMIA COLONIAL E IMPERIAL",

UOL / EDUCAÇÃO:

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1702u62.jhtm

 

 

 

 

 

 

                            AGRADECENDO AO PROF. LEONARDO CASTRO

                            PELA APRESENTAÇÃO DE EXCELENTE RESUMO ILUSTRADO,

                            QUE POSSIVELMENTE TERÁ SIDO ELABORADO

                            PARA OS SEUS ALUNOS, MAS QUE ELE, FELIZMENTE, DECIDIU QUE

                            FICARIA TAMBÉM DISPONÍVEL A TODOS NÓS QUE

                            NÃO TEMOS O PRIVILÉGIO DE COM ELE PODER APRENDER,

                            NA SALA DE AULA E EM PALESTRAS EVENTUALMENTE

                            MINISTRADAS, HOMENAGEANDO AS MEMÓRIAS DOS

                            EMINENTES PROFESSOR DR. ALAÔR EDUARDO SCISÍNIO,

                            DA UFF, UFRJ E SUESC, E

                            FOTÓGRAFO SR. JOSÉ CHRISTIANO JÚNIOR

                      

 

 

 

16.3.2011 - Dar a acesso a conhecimento histórico ultranecessário é contribuir para a consolidação da democracia, no Brasil - Parabéns e muito obrigado, Prof. Leonardo Castro!  F. A. L. Bittencourt (flabitten@bol.com.br)

 

 

 

 

O PROFESSOR LEONARDO CASTRO PRODUZIU

A SEGUINTE PEÇA DIDÁTICA, EXEMPLAR E

MAGNIFICAMENTE ILUSTRADA:

 

 

"Escravidão e Resistência no Brasil

 

 
Prof. Leonardo Castro
 
 
O Tráfico Negreiro

A partir da segunda metade do século XVI, começaram a ser trazidos para a América os africanos como escravos em número expressivo para a exploração sistemática de sua mão-de-obra.

 

Escravos à venda no mercado do Valongo, junto ao porto do Rio de Janeiro. Gravura de W. Read, século XIX.

 




A opção pelo africano se deu por algumas supostas vantagens: maior resistência física às epidemias e maiores conhecimentos em trabalhos artesanais e agrícolas. A opção pelo escravo africano se deu também porque o tráfico dava lucros, era uma das atividades mais lucrativas do sistema colonial. Para facilitar, nem o Estado nem a igreja católica condenavam a imposição da escravidão aos africanos.

 
 
 
 



 

Porão de Navio Negreiro. Gravura de Rugendas, 1835.


 

 

Os portugueses transportavam os escravos em suas caravelas vindas da África. Os holandeses também realizavam o tráfico de escravos para o Brasil. O número de escravos embarcados dependia da capacidade da embarcação. Nas caravelas, os portugueses transportavam até 500 cativos. Um pequeno navio podia transportar até 200 escravos, um navio grande até 700.


A bordo, todos os escravos eram marcados a ferro no ombro ou na coxa. Embarcados, os cativos são acorrentados até que se perca de vista a costa da África. Os navios negreiros embarcavam mais homens do que mulheres. O número de crianças era inferior, de 3% a 6% dos embarcados.


Angola (África Centro-Ocidental) e a Costa da Mina (todo o litoral do Golfo da Guiné) eram até o século XVIII os principais fornecedores de escravos ao Brasil. Os principais grupos étnicos africanos trazidos ao Brasil foram os bantos, oriundos de Angola, Golfo da Guiné e Congo; os sudaneses, originários do Golfo da Guiné e do Sudão; e os maleses, sudaneses islamizados.
 
 



As rotas do tráfico de Escravos africanos para as Américas e Brasil.


 
 
 
 
Durante o século XVI e o XVII, os escravos eram trazidos principalmente ao Nordeste para a atividade açucareira, sobretudo, para fazendas na Bahia e em Pernambuco. Em menor número eram enviados ao Pará, Maranhão e Rio de Janeiro. No final do século XVII, a descoberta do ouro na província de Minas Gerais eleva o volume do tráfico, que passa a levar os cativos para a região das minas. No século XVIII, o ouro sucede o açúcar na demanda de escravos, o café substitui o ouro e o açúcar no século XIX.


Entre a segunda metade do século XVI e 1850, data do fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queiroz), o número de escravos vindos para o Brasil é estimado entre 3 500 000 e 3 900 000. O Brasil teria importado 38% dos escravos trazidos da África para o Novo Mundo.


Os escravos a bordo estavam sujeitos a todos os riscos. Sua alimentação era escassa. Não fazia exercícios físicos durante a viagem. A higiene a bordo era muito medíocre. Havia ainda os maus-tratos a bordo e a superlotação dos porões insalubres e infectos.


Trinta e cinco dias durava a viagem de Angola a Pernambuco, quarenta até a Bahia, cinqüenta até o Rio de Janeiro. A mortalidade era alta a bordo. 20% dos escravos morriam durante essa longa viagem.


A partir da década de 1840, a Inglaterra começa a sua guerra contra o tráfico de escravos para o Novo Mundo, alegando razões humanitárias, mas na verdade com a finalidade de ampliar o mercado consumidor de seus produtos industrializados. É aprovada na Inglaterra a lei conhecida como Bill Aberdeen, que dava direito a Marinha de Guerra britânica de prender navios negreiros no Atlântico e julgar seus tripulantes.


Sob pressão inglesa, o governo imperial brasileiro promulga a 4 de setembro de 1850, a lei Eusébio de Queiroz, que extinguia o tráfico de africanos para o Brasil. Com a ilegalidade do tráfico, a alternativa foi a intensificação do tráfico inter-regional e interprovincial de escravos. Assim, no século XIX, os cativos vinham principalmente das províncias do Norte e Nordeste para suprir as necessidades de mão-de-obra do Sudeste cafeeiro.





Ser escravo no Brasil

A característica mais marcante da escravidão é o fato do escravo ser propriedade de outro ser humano. O escravo é uma “propriedade viva”, sujeita ao senhor a quem pertence. Nesta situação, o escravo é uma coisa, um “bem” objeto.


Sendo um bem objeto ou coisa do senhor, ou seja, sua propriedade, o escravo se tornava mercadoria de todos os tipos de transações nas relações mercantis. Assim, pelo direito de propriedade, o senhor podia vender seus escravos, alugá-los, emprestá-los, doá-los, transmiti-los por herança ou legado, penhorá-los, hipotecá-los, exercendo, enfim, todos os direitos legítimos de dono e proprietário.


Assim, o senhor tinha o direito de utilizar a força de trabalho do escravo pelo modo que lhe conviesse, de modo a conseguir dele o maior proveito possível, assegurando em troca a subsistência necessária para sua manutenção.


Equiparando-se às coisas e propriedade de outra pessoa, o escravo não era cidadão, sendo privado de quaisquer direitos civis. O escravo podia constituir família, mas continuava marido, mulher e filhos propriedade do senhor, que não podia, no entanto, separar os cônjuges e os filhos menores de 15 anos.




Texto e Contexto

“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda.”
(Do jesuíta italiano André João Antonil, Cultura e opulência do Brasil, 1711.)



A escravidão no Brasil estava voltada, sobretudo, para as atividades agrárias. A força de trabalho escrava destinava-se aos estabelecimentos agrícolas nas regiões rurais onde residiam, habitando em senzalas. O escravo rural assenzalado foi predominante no Brasil.


Na economia canavieira, a maioria dos escravos trabalhava em todo o processo de produção, na lavoura e na produção do açúcar. No engenho, onde se fabricava o açúcar, trabalhavam na moenda, na casa das caldeiras e na casa de purgar. Além do setor da produção de açúcar, foi empregado também na agricultura de abastecimento interno, na criação de gado e nas pequenas manufaturas. Trabalhavam muito, de quatorze a dezesseis horas.


 


Escravos na moenda de açúcar. Gravura de Jean Baptiste Debret, 1835.


 

Nas cidades, a sorte para o escravo parece ter sido menos dura, e o seu emprego se diversificava. Nas ruas, alguns possuíam liberdade de locomoção, o que era negado a todos os escravos rurais. Podiam até, mediante negociação com seu senhor, residir em domicílio separado.


Nas cidades, eram os escravos que se encarregavam do transporte de objetos, dejetos e pessoas, além de serem responsáveis por uma considerável parcela da distribuição do alimento que abastecia pequenos e grandes centros urbanos.


Alguns trabalhavam na residência do senhor, a serviço da família em serviços domésticos. Nas cidades, mestres artesãos utilizavam também escravos treinados em trabalhos artesanais, por isso tais escravos eram geralmente mais caros.


Havia ainda aqueles escravos que trabalhavam nas ruas, prestando serviços, realizando trabalhos manuais ou vendendo artigos, alimentos, etc. Até o século XIX, nos portos das cidades, os escravos organizados em grupos de dez ou vinte eram muito utilizados nas atividades de manuseio e transporte de carga.


Escravos vendedores ambulantes e quitandeiros, sobretudo mulheres, povoavam as ruas de Recife, Salvador, Ouro Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e outras cidades. No Brasil, esses escravos eram chamados de escravos de ganho, que percorriam as ruas das cidades atrás de ocupação para prover as necessidades de seu senhor e suas próprias. Estes escravos entregavam uma renda fixa por dia para seu senhor, fruto de seu trabalho, e o restante podiam guardar consigo. Os escravos podiam possuir bens móveis e dinheiro. A renda adquirida podia ser utilizada para a compra da alforria (a liberdade) pelo escravo, a chamada manumissão. Esta podia ser comprada ou doada do senhor, se está fosse sua vontade, ou seja, a liberdade através da manumissão era um ato que dependia da boa vontade do senhor, salvo em alguns casos determinados por lei.



 


 

Escravos de ganho no Rio de Janeiro, 1860.


 

 



 

Castigos e violência

Uma das características do regime escravocrata é o que confere ao senhor o direito privado de castigar fisicamente o escravo. A exploração da força de trabalho escrava requeria necessariamente mecanismos de coerção que garantissem a continuidade do trabalho. A relação entre senhor e escravo era, assim, marcada pela violência. Do ponto de vista da escravidão, o castigo do escravo era necessário e justo.



 
 
 
 
Texto e Contexto

 
 
“É lamentável, em todo caso, a sorte desses negros. Eles sabem que são espoliados e isso deve tornar-lhes ainda mais amargos os espancamentos e outros maus tratos que sofrem. Também é preciso ter em mente que muitos negros deixam de trabalhar bem se não foram convenientemente espancados. E se desprezássemos a primeira iniqüidade a que os sujeitam, isto é, sua introdução e submissão forçada, teríamos de considerar em grande parte merecidos os castigos que lhes impõem os seus senhores.”
(Do colono suíço Thomas Davatz, sobre o castigo sofrido pelos escravos no século XIX. DAVATZ, Thomas. Memórias de um Colono no Brasil. 2ª Ed. São Paulo: Livraria Martins Ed., 1951. pp. 62-63)

 

O sistema escravocrata possuía os mais bárbaros instrumentos de tortura como forma de manter, pelo terror, a dominação sobre os negros. A palmatória foi instrumento de castigo aplicado nas casas-grandes e senzalas, em escravos, assim como nas crianças, sendo um método pedagógico utilizado para moldar comportamentos e hábitos.


 
 
 
 



Escravo no pelourinho sendo açoitado. Gravura de Debret, 1835.


 

 

O açoite era a pena aplicada ao escravo, usava-se para isso do “bacalhau”, chicote feito com cabo de madeira e de cinco tiras de couro retorcidos ou com nós. Nas fazendas era utilizado para punir pequenas faltas ou acelerar o ritmo de trabalho, com algumas lambadas. Nos casos de delitos graves, o castigo era exemplar, sendo assistido pelos demais escravos. Era comum a surra-de-carro, no qual ficava o negro amarrado em um carro de boi, de bruços e braços abertos para receber as chicotadas.

 
 
 
 



Escravos no tronco. Debret, 1835.

 

As execuções oficiais eram feitas em praça pública, no pelourinho – coluna de pedra com argolas onde eram presos os escravos. Procurava-se fazer da punição um exemplo que intimidasse a escravaria.

 
 
 
 




O tronco. Acervo do Museu Imperial, Rio de Janeiro.


 

 

 

O tronco foi outro instrumento e tortura, consistia num grande retângulo de madeira dividido em duas partes entre as quais havia buracos destinados a prender a cabeça, os pulsos e os tornozelos do escravo. Preso, o escravo permanecia imóvel, indefeso aos ataques de insetos e ratos, em contato com sua urina e fezes, isolado num barracão, até o seu senhor resolver soltá-lo.

A mascara de flandres era usada para punição de furto de alimentos, alcoolismo, ingestão de terra, e, na mineração de diamantes, para impedir que os negros extraviassem as pedras, engolindo-as. A mascara podia cobrir todo o rosto ou apenas a boca, sendo fechada a cadeados por trás da cabeça.

 
 



Escravo com mascara de flandres. Debret, 1835.


 

Usados para prender, transportar, maltratar ou sujeitar os escravos, os instrumentos de ferro faziam parte do patrimônio das fazendas e das casas. Eram correntes, algemas, cadeados, grilhões, colares, tudo para garantir a submissão dos negros escravos pela tortura e degradação.


 



Os instrumentos de ferro de “castigos e penitências” usados para punir e submeter os escravos: algemas, palmatórias, gargalheiras (espécie de coleira presa ao pescoço do cativo), etc. Acervo do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.

 

 

 




 

Texto e Contexto

“Ver que os senhores têm cuidado de dar alguma coisa dos sobejos da mesa aos seus filhos pequenos, é causa de que os escravos os sirvam de boa vontade, e que se alegrem de lhes multiplicarem servos e servas. Pelo contrário, algumas escravas procuram de propósito aborto, para que não cheguem os filhos de suas entranhas a padecer o que elas padecem.”
(De André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil, 1711.)





 
Rebeldia e Resistência negra no Brasil

A violência legal e sistematicamente utilizada pelo branco como meio de submeter o escravo, gerava o medo, mas também a revolta e formas de resistência por parte dos escravos submetidos a tais castigos cruéis. A reação do escravo assumiu várias formas.


O aborto foi freqüentemente provocado pelas escravas para não verem seus filhos na mesma situação degradante delas e também como meio de prejudicar o senhor, sempre interessado no aumento do número de crias.


 


Texto e Contexto

“O homem, porém, por mais abatido e rebaixado que seja em sua dignidade, em sua vontade e liberdade, pela prepotência de seu semelhante, tende sempre a sacudir o jugo. O livre promove as revoluções, transforma a sociedade, modifica a organização social. O escravo revolta-se parcialmente contra os senhores...”
(Perdigão Malheiro, A escravidão no Brasil, 1867.)



A reação pelo suicídio era uma forma do escravo em se libertar das condições subumanas em que vivia. O suicídio estava geralmente ligado a um momento de medo ou impasse em que o escravo se via indefeso diante da repressão do branco, sendo comum escravos se matarem após terem agredido ou matado um branco.


A rebeldia consistia a resposta do negro à violência do sistema escravista. Rebeldia está também respondida com violência pelos escravos. Eram comuns os casos em que feitores, senhores e seus familiares são estrangulados, asfixiados, esfaqueados ou simplesmente mortos a pancada pelos escravos.


O ódio do escravo era pelo senhor e pelo feitor, mas também por suas famílias, pois era um modo indireto de atingi-los. A freqüência de ataques e homicídios cometidos por escravos levou muitas vezes o governo brasileiro a promulgar leis duras, inclusive a pena de morte.




Texto e Contexto

“Serão punidos com pena de morte os escravos ou escravas, que matarem por qualquer maneira que seja, propinarem veneno, ferirem gravemente ou fizerem qualquer outra grave ofensa física, a seu senhor, a sua mulher, a descendentes ou ascendentes que em sua companhia morar, a administrador, feitor, e as suas mulheres que com eles viverem. Se o ferimento ou ofensa física forem leves, a pena será de açoites, a proporção das circunstâncias , mais ou menos agravantes.”
(Artigo 1°, da lei de 10 de junho de 1835, Governo Regencial.)



 


Escravos matam senhor. Desenho do século XIX, de Arago.




 

 
 
 

 
 
Os quilombos como espaço de resistência e liberdade

A forma de resistência escrava mais temida pelos senhores era a fuga seguida da formação de aldeamentos coletivos, os quilombos. A fuga era para o escravo a solução mais simples contra a violência da dominação branca. O trabalho compulsório e excessivo, as precárias condições de subsistência, a degradação e o controle constante a que estavam submetidos predispunham os escravos a evasão, facilitada pela grande extensão de terras sem ocupação efetiva no país.

 




Texto e Contexto

 

“Fugiu no dia 29 de junho passado uma preta de nação mina, ladina, bem falante, com os sinais seguintes: alta, magra, proporcionada, bonita, bem feita, e com bons dentes, levou camisa de algodão americano, vestido de riscadinho escuro, um lenço no pescoço e outro amarrado na cabeça, à maneira das pretas da Bahia, e um pano de riscado a costa com que se costuma embrulhar; ela anda pela cidade porque foi encontrada na rua do Ouvidor e no largo do Capim em companhia de uma outra preta mina que vende galinhas no largo do Capim e tem casa no Valongo, onde mora.”

(Diário do Rio de Janeiro, 16/07/1836.)


 

 

Muitos fugitivos iam para a cidade, onde eram empregados por outros senhores em serviços esporádicos, como se fossem escravos forros. O pequeno comércio ambulante era uma atividade que empregava esses escravos fugidos. Outros escravos fugidos eram capturados ou convencidos por outros negros para viverem em quilombos.

Anuncio da Fuga do escravo Fortunato. Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1854.



 

Erguidos nas matas ou em áreas de difícil acesso que oferecessem segurança e meios naturais de sobrevivência, os quilombos eram o grande refúgio dos escravos que conseguiam escapar da opressão. Os quilombos também abrigavam negros forros, índios, mulatos e caboclos.




Texto e Contexto

“Os escravos pretos lá, Quando dão com maus senhores, Fogem, são salteadores, e Nossos contrários são. Entranham-se pelos matos, E como criam e plantam, Divertem-se, brincam e cantam, De nada têm precisão.
Vêm de noite aos arraiais, E com indústrias e tretas, Seduzem algumas pretas, Com promessas de casar. Eis que a notícia se espalha, Do crime e do desacato, Caem-lhe os capitães-do-mato, E destroem tudo enfim.”
(De Joaquim José Lisboa, 1806; In: REIS, João J; GOMES, Flavio. Liberdade por um fio – história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 164-65.)
 
 

 
 



 
Os quilombos surgiram e cresceram em desafio aberto à sociedade e à autoridade colonial. Para enfrentar a repressão, os escravos aquilombados precisaram recorrer à violência e à luta armada. Os negros dos quilombos faziam freqüentemente incursões para prover, através do roubo ou escambo, suas necessidades de alimentos, utensílios, armas e também para conseguir, pelo rapto ou persuasão, mais negros para o quilombo. Outros buscavam desenvolver até mesmo relações com as povoações próximas, estabelecendo com elas um comércio regular com troca de alimentos, animais e lenha por tecidos, utensílios e ferramentas.


No século XVII, a desorganização da colônia portuguesa no Brasil causada pelas invasões holandesas no Nordeste canavieiro facilitou as fugas dos negros, intensificadas a partir de 1630. O quilombo era a melhor alternativa de defesa e sobrevivência do negro escravo fugido.

 
 
 
 
 
 
Os quilombos surgiram em todas as áreas do território português. Em Minas Gerais era grande a concentração de quilombos no Alto São Francisco, o mais famoso dele chamava-se Ambrósio. No século XIX, no Rio de Janeiro, o mais conhecido quilombo foi o liderado pelo escravo Manoel Congo, em Vassouras. Na região norte, no Grão-Pará, os quilombos surgiram sobretudo a partir do século XVIII, espalhando-se pelo baixo amazonas (atual região de Oriximiná, Óbidos, Alenquer), no Tocantins, na Ilha do Marajó e, principalmente, a leste da capital Belém.

 
 
 

 

O Quilombo dos Palmares.
 

 

 


 

Entre todos os quilombos do período colonial, os maiores e mais afamados foram os da região de Palmares, no sul da capitania de Pernambuco (hoje, norte de Alagoas). O quilombo de Palmares surgiu por voltada de 1602. Em seus vários mocambos (aldeamentos), espalhados por uma área de 150 km, chegaram a reunir, segundo estimativas, mais de vinte mil pessoas.


No quilombo, os negros africanos procuraram se organizar de acordo com antigas regras tribais baseadas na autoridade local do chefe de cada um dos mocambos. Esses chefes estavam submetidos a Ganga-Zumba, em cujo mocambo se reuniam. Com a morte Ganga-Zumba, assumiu o poder em Palmares seu sobrinho, Zumbi.

 

 
 
 
 

Zumbi, líder negro de Palmares. Tela de Antônio Parreiras, Museu Antônio Parreiras, Niterói, RJ.


 

 

Tanto por pressão dos senhores de terra preocupados em recuperar seus escravos, quanto por interesse das autoridades, o quilombo de Palmares foi destruído em 1694 pelas tropas do pernambucano Bernardo Vieira de Melo e do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, após quase um século de guerras.


Os quilombos tornaram-se o símbolo de uma resistência ameaçadora para os grupos dominantes do Brasil e alvo permanente da repressão oficial, dando origem inclusive a leis violentas.




Texto e Contexto

“Eu El-Rei faço saber aos que este Alvará em forma de lei virem, que sendo-me presente, os insultos que no Brasil cometem os escravos fugidos, a que vulgarmente chama de calhambolas, passando a fazer o excesso de se juntar em quilombos... hei por bem que a todos os negros, que forem achados em quilombos, estando neles vulgarmente, se lhes ponha uma marca em uma espádua com a letra F... se quando se for executar esta pena for achado já com a mesma marca se lhe cortará uma orelha; tudo por simples mandado do Juiz de Fora... sem processo algum...”
(Alvará de 03 de março de 1741.)



 


Texto Complementar


 

Tráfico Negreiro

Quando a escravatura trazida de muitas partes aos portos marítimos da África, aí é segunda vez permutada por fazenda e gêneros a comerciantes que ali têm casa de negócio assentada para este fim.


Nesta situação, a economia se conserva por semanas, e por meses a escravatura, e é grande a quantidade que dela morre; de sorte que, descendo a Luanda em cada ano de dez a doze mil escravos, muitas vezes sucede que só chegam a ser transportados de seis a sete mil para o Brasil.


Em primeiro lugar, sendo metidos duzentos e trezentos escravos na coberta e na escotilha, lhes falta a respiração, porque nada mais tem por onde o ar se lhes possa comunicar, senão pela grade da escotilha, e por umas pequenas frestas.


Em segundo lugar, a escravatura embarcada tem curtíssima ração de água, e esta amornada pela ardência do clima.


Em terceiro lugar, são maltratados os escravos porque tem uma escassa ração de mantimentos pela maior parte de torna-viajem.
(Luís Antônio de Oliveira Mendes. Memória a respeito dos escravos e tráfico da escravatura entre a Costa d’África e o Brasil, 1793. In: INÁCIO, Inês; LUCCA, Tânia Regina de. Documentos do Brasil Colonial. São Paulo: Ática, 1993. pp. 70-73.)


 

Herança Cultural Negra e Racismo

A contribuição cultural de escravos-negros é enorme. Na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar da repressão que sofreram as suas manifestações culturais mais cotidianas.




Influência religiosa

No campo religioso, a contribuição negra é inestimável, principalmente porque os africanos, ao invés de se isolarem, aprenderam a conviver com outros setores da sociedade.


Mas, nos primeiros séculos de sua existência no Brasil, os africanos não tiveram liberdade para praticar os seus cultos religiosos. No período colonial, a religião negra era vista como arte do Diabo; no Brasil-Império, como desordem pública e atentado contra a civilização.


A tolerância com os batuques religiosos, entretanto, devia-se à conveniência política: era mantida mais como um antídoto à ameaça que a sua proibição representava, do que por aceitação das diferenças culturais.


Outras manifestações culturais negras também foram alvo da repressão. Estão neste caso o samba, revira, capoeira e lundú negros.

 




O racismo

Na sociedade brasileira do século XIX, havia um ambiente favorável ao preconceito racial, dificultando enormemente a integração do negro. De fato, no Brasil republicano predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que tinha como modelo a cultura européia, onde não havia a participação senão da raça branca. Este ideal, portanto, contribuía para a existência de um sentimento contrário aos negros, pardos, mestiços ou crioulos, sentimento este que se manifestava de várias formas: pela repressão às suas atividades culturais, pela restrição de acesso a certas profissões, as “profissões de branco” (profissionais liberais, por exemplo), também pela restrição de acesso a logradouros públicos, à moradia em áreas de brancos, à participação política, e muitas outras formas de rejeição ao negro.
 

Contra o preconceito e em defesa dos direitos civis e políticos da população afro-brasileira surgiram jornais, como A Voz da Raça, O Clarim da Alvorada; clubes sociais negros e, em especial, a Frente Negra Brasileira, que tendo sido criada em 1931, foi fechada em 1937 pelo Estado Novo.



 

O samba e a capoeira

Durante o período da revolução de 30, os próprios núcleos de cultura negra se movimentaram para ganhar espaço. A criação das escolas de samba no final dos anos vinte já representara um passo importante nessa direção. Elas, que durante a República Velha foram sistematicamente afastadas de participação do desfile oficial do carnaval carioca, dominado pelas grandes sociedades carnavalescas, terminaram sendo plenamente aceitas posteriormente.


No rastro do samba, a capoeira e as religiões afro-brasileiras também ganharam terreno. Antes considerada atividade de marginais, a capoeira seria alçada a autêntico esporte nacional, para o que muito contribuiu a atuação do baiano Mestre Bimba, criador da chamada capoeira regional. Tal como os sambistas alojaram o samba em “escolas”, Bimba abrigaria a capoeira em “academias”, que aos poucos passaram a ser freqüentadas pelos filhos da classe média baiana, inclusive muitos estudantes universitários.
 

 

[*] - EM OUTRA MATÉRIA JORNALÍSTICA (publicada na revista Isto É Gente, adiante transcrita), CONSTA QUE O DR. ALAÔR NASCEU EM CORDEIRO (Interior do Estado do Rio): ESTAMOS, NESTE EXATO MOMENTO, PESQUISANDO A RESPEITO, PARA TRAZER A INFORMAÇÃO PRECISA A ESTA COLUNA.

 

 

Em http://www.leochristiano.com.br/lcr/detalhes_dicescrav.htm

(site de Léo Christiano Editorial

[CASA EDITORA QUE PUBLICOU O DICIONÁRIO DA ESCRAVIDÃO],

onde está reproduzida a foto que logo acima se pode contemplar),

pode-se ler:

"DICIONÁRIO DA ESCRAVIDÃO

Com este trabalho do Dr. ALAOR EDUARDO SCISÍNIO, eleva-se e amplia-se o alcance da Bibliografia de Estudos Brasileiros, pelo que ele traz de preciosos subsidios e informações, não apenas aos historiadores, juristas, etnólogos, antropólogos, professores e alunos universitários e de todos os graus e das mais diferentes disciplinas, mas, também, a todos os interessados pelos problemas de nossa formação histórica, étnica, sociológica, econômica, moral e artistica.

Trata-se de criteriosa, exaustiva e apaixonada realização do primeiro e, até agora, único Dicionário da Escravidão. Obra da mais complexa abrangência, nutrida por visão enciclopédica, fundada na doçura e meiguice, na beleza e operosidade, no valor e saber do homem africano transplantado para o continente americano, em seus vários estágios de adaptação e miscigenação.

Nestas páginas, por entre seus 2.000 verbetes, o leitor encontrará referências que vão do inicio do tráfico de escravos à abolição; da submissão às insurreições e quilombos (particularizando o de Palmares, até com sua cronologia própria); das crenças ancestrais ao sincretismo religioso; das doenças à farmacopéia escrava e catimbó; dos usos, costumes e castigos à legislação; da culinária aos folguedos; da música às particularidades da alma inquebrável desses secularmente injustiçados construtores anônimos da riqueza nacional e elemento preponderante no amálgama da nação brasileira.

Com justa medida de valor que não exclui a marca da modéstia, o Autor afirma no Preâmbulo de sua obra: Só com este Dicionário 'não se poderá saber tudo sobre a escravidão negra no Brasil, mas ele será útil para quem queira saber tudo sobre ela' ".

 

 

===

 

 

ISTO É Gente,

[DATA DA PUBLICAÇÃO: === em edição === (data sendo levantada)]

 


"Alaôr Scisínio
Neto de escravos, ex-secretário de Cultura e autor do Dicionário da Escravidão, Alaôr morre aos 72 anos

FOTO: Reprodução/Leo Editorial

Alaôr Eduardo Scisínio chamava a avó, escrava em um canavial em Itaocara (RJ) na metade do século passado, pelo apelido de "Sinhá". "Era uma homenagem que meu marido fazia a ela", explica Elza, esposa do advogado, historiador e escritor. Outra homenagem à avó e seus antepassados é o Dicionário da Escravidão, obra de 2 mil verbetes que ele escreveu para contar 350 anos da trajetória dos negros no País. Nascido em Cordeiro (RJ), ele ficou órfão de pai e mãe aos 14 anos. "Apesar disso e de ser muito pobre, ele nunca se entregou", conta Elza. Formou-se em Direito depois de casado - foi escolhido orador da turma -, lecionou na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e na Universidade Federal Fluminense, (UFF) foi procurador-geral de Niterói e escreveu 19 livros. A cidade de Niterói, onde foi secretário da Cultura e procurador-geral, decretou três dias de luto oficial. Seu corpo foi sepultado na segunda-feira 25, no Cemitério Parque da Colina, no Rio. Deixa esposa, quatro filhos e cinco netos.

Payne Stewart, campeão do Aberto de Golfe dos Estados Unidos, morreu na segunda-feira 25 na queda de seu jatinho, aos 42 anos.

Ele viajava entre Miami e Dallas quando o avião saiu da rota, voou sem controle por mais de 2 mil quilômetros e caiu, no Estado de Dakota do Sul. Nenhum dos cinco passageiros sobreviveu. Autoridades aeronáuticas suspeitam que tenha havido falha de pressurização da cabine do Learjet, o que deixou os ocupantes inconscientes pela falta de oxigênio. Stewart era facilmente reconhecido nos gramados ao redor do mundo por vestir bermudas e chapéus de cores exageradas. Ele deixa esposa e dois filhos adolescentes.

Penelope Mortimer, escritora galesa mais conhecida por sua biografia de Elizabeth,
a Rainha-Mãe britânica, morreu de câncer na terça-feira 19, aos 81 anos.

Em seus 11 livros, ao longo de 50 anos de carreira, ela descreveu a vida de mulheres solitárias. Teve infância torturada, na qual não aprendeu a brincar nem teve amigos. Sua mãe foi uma mulher omissa e seu pai, decano da igreja anglicana, tentou violentá-la aos 17 anos. Durante a década de 60, ela e um dos quatro homens com que casou, John, formaram um dos casais mais descolados de Londres. Deixa seis filhos.

Homero José dos Santos, o "Tinguinha", fundador da bateria da Mangueira, morreu na madrugada da terça-feira 26 de insuficiência cardíaca, aos 81 anos.

Nascido e criado no morro que dá nome à escola de samba carioca, Tinguinha fundou a bateria em 1959, quando tinha 85 membros. Era pai de Elmo dos Santos, o atual presidente. Ele foi sepultado na terça-feira 26, no Memorial do Carmo, no Rio. Deixa esposa e oito filhos.

Andras Hegedues, ex-primeiro-ministro e o mais conhecido dissidente da Hungria, morreu no sábado 23 de ataque cardíaco, em Budapeste, aos 76 anos.

Nascido em uma família de camponeses pobres de Szilsarkany, Hegedues juntou-se ao Partido Comunista na adolescência e, aos 33 anos, tornou-se o mais jovem líder do país. Foi crítico da invasão soviética à Checoslováquia em 1968 e, em 1973, foi expulso do partido. Apesar de ter assinado o Pacto de Varsóvia, o bloco militar do Leste, tornou-se um celebrado opositor dos métodos burocráticos do partido".

 

 (http://www.terra.com.br/istoegente/13/tributo/index.htm)

 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

05.07.2014 - A lenda das Cataratas do Iguaçu

30.06.2014 - Ninhada de jacarés em Manaus

24.06.2014 - Pequenidade é pequeneza?

21.06.2014 - O filme Dona Flor (1976)

13.06.2014 - The Mamas and the Papas no Programa do Jô Soares

10.06.2014 - Teatro: o amor em Vinicius de Moraes

04.06.2014 - Festa no céu / Coleção Disquinho (partes 1 e 2)

29.05.2014 - Os zuni

27.05.2014 - Eu e o governador, de Adelaide Carraro

26.05.2014 - De acordo com nota do blog de Iago José, Tom Zé é um gênio

19.05.2014 - Alegria, alegria, síntese dos anos 60 no Brasil

14.05.2014 - Paz e amor

13.05.2014 - Um melão caboclo

06.05.2014 - Tema de amor do filme Les parapluies de Cherbourg (França / Alemanha Ocidental, 1964)

02.05.2014 - Egiptologia: Universidade de Amsterdã, Holanda

Ver mais
Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

(Dê)pois, poema de Dílson Lages


O macho-e-fêmea, de Rivanildo Feitosa


Listar todos
Livraria online
Últimas matérias

21.07.2014 - Genocídio no ar

Não dá para acreditar

21.07.2014 - OS GANSOS DA VÁRZEA DO SIMÃO

Erguiam a cabeça e estufavam o peito, orgulhosos de sua força e beleza, conscientes da nobreza de seu próprio ser. Acaso essa aristocrática altivez remontasse aos seus ancestrais devotados a Júpiter, guardiães do Capitólio da cidade eterna.

20.07.2014 - SOPRO: poema de Jefferson Bessa

poesia

18.07.2014 - Rita Pavone, cantora, artista, mãe, pessoa

Ela aproveita a vida! Entrevista no Youtube

18.07.2014 - Até onde pode levar o tédio

Resenha de

17.07.2014 - O olhar de um jovem mendigo

Ao sair da vetustíssima

17.07.2014 - As bandeiras congeladas

Holderlin vê as heras amarelas e as rosas.

16.07.2014 - VOCÊ JÁ POSTOU O SEU COMENTÁRIO NO MEU ARTIGO?

Não deixe de ler

16.07.2014 - DE REPENTE, A COPA SE FOI

DE REPENTE, A COPA SE FOI

15.07.2014 - Polêmicas literárias no Brasil: alguns recortes históricos

As polêmicas surgem

15.07.2014 - Tennessee Ernie Ford & Johnny Cash - Juntos!

Youtube

14.07.2014 - Copa no Brasil injeta 30 bilhões na economia

Copa no Brasil injeta 30 bilhões na economia

13.07.2014 - Quando o choro não consola

A Copa Mundial

13.07.2014 - Ferreira Gullar oficializa candidatura à Academia Brasileira de Letras

Ferreira Gullar oficializa candidatura à Academia Brasileira de Letras Ferreira Gullar oficializa candidatura à Academia Brasileira de Letras Poeta mandou carta À ABL. Ele almeja vaga deixada por Ivan Junqueira e não tem concorrentes de peso

11.07.2014 - ESTRASBURGO, PARIS, MANAUS

ESTRASBURGO, PARIS, MANAUS

LABORATÓRIO DE REDAÇÃO PROF. DÍLSON LAGES
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br