Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 01 de setembro de 2014
RECONTANDO ESTÓRIAS DO DOMÍNIO PÚBLICO - F. B.
Flávio Bittencourt
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A lenda da invenção do jogo de xadrez

 

A lenda da invenção do jogo de xadrez

Reza a lenda que Dahir al-Hindi inventou o jogo-arte-ciência e um rei indiano ficou agradecido.

 

Jogadores de xadrez de Cuba recontaram e enxadristas brasileiros traduziram a conhecidíssima lenda. Você já ouviu essa estória? Muitas vezes? Então, conte-a para filhos, netos e bisnetos! E, se tiver paciência para tanto, reconte-a pela Internet.

 

"03/01/2005 - A Origem

"Alguma vez os homens foram semideuses,
senão, não inventariam o xadrez".
Alexander Alekhine
     A invenção do jogo de xadrez se relaciona diretamente com a matemática, a partir de um antigo pergaminho que relata o seguinte:
     Estava enfermo certo Rei na Índia e lhe indicaram que deveria se distrair com algo agradável. Para ele Dahir al-Hindi elaborou o jogo de xadrez. Depois de ter expressado sua alegria pela invenção, o Rei disse: "Peça uma recompensa".
     Dahir al-Hindi pediu um dirhem (moeda de prata utilizada pelos árabes na Idade Média) para a primeira casa do tabuleiro e que fosse dobrando progressivamente este número a cada uma das casinhas restantes, a que o Rei comentou:"Me assombra que um homem como você, capaz de criar um jogo tão maravilhoso, aceite recompensa tão pequena. Que receba o que pede".
     Mas quendo o assunto chegou aos ouvidos de seu Vizir, este se apresentou diante o Rei e disse: " Precisas saber, oh Rei, que mesmo vivendo mil anos e recolhendo para ti todos os tesouros da Terra, não poderá pagar o que lhe foi pedido.
     A quantidade que resulta de dobrar o primeiro número para cada uma das casas do tabuleiro resulta em: 18.446.744.073.709.551.615.
     Esta lenda já foi contada de muitas maneiras, trocando os nomes dos protagonistas e até o motivo da recompensa. Porém, os ancentrais do xadrez provavelmente surgiu a 40 séculos antes de nossa era, dada a escrita pictórica e escultura, que servem para iniciar as investigações sobre o jogo. Ainda que a informação mais divulgada durante os últimos três séculos, sutenta que o xadrez foi inventado na Ásia Central, no noroeste da Índia.
     Foi no último período da Idade Média, que o xadrez rcebe sua denominação atual. O processo de difusão do jogo ocorre entre os séculos VI e IX quando chega a Europa com a invasão dos mouros pela península ibérica, Itália e Grécia. Na Espanha o jogo teve grande desenvolvimento e contou com apoio oficial. Como conseqüência da assimilação cultural entre os mulçumanos e os católicos. Nesta etapa se publica o Libro de ajedrez, em 1232, durante o reinado de Alfonso X, o Sábio, que fora o seu autor.
     A obra mais importante sobre o xadrez na Idade Média foi o Códice do mesmo Alfonso X, Sevilha 1283, cujo original se conserva no Monastério de Escorial. Também na Espanha aparecem outros livros de importância para a história do xadrez como o de Lucena (1497) que contém três movimentos das peças antigas e o livro da Invención Liberal y del juego de Ajedrez (1561) dos espanhos Ruy López de Segura.
     A Itália contribui com as obras de Carrera (1617) e de Greco (1688), que foram os precursores do xadrez moderno. No século XVII e princípios do século XVIII surgiram outros valores como o árabe Felipe Stamma (1735), o fancês André Danican Philidor (1740), e os italianos Ercole do Rio, Loky e Ponziani.
     Para o estudo do xadrez e sua melhor compreensão se propõem a divisão de sua história e desenvolvimento em dois grandes períodos: o antigo e o moderno.
     Antigo: desde sua origem até início do século XVII, quando se consolida as regras fundamentais. Moderno: se inicia na Espanha e comprende de 1600 até os nossos dias. Para seu estudo foi dividido em duas etapas, considerando as características técnicas do jogo. Romântica ou Clássica: (1600-1886), caracterizada pelos sacrifícios e combinações ao estilo de um dos mais representativos enxadrista desta etapa, o norte-americano Paul Charles Morphy, e Científica: (1886), definida tecnicamente pelo austrícaco Wilhelm Steinitz, que a partir de um estudo profundo da obra de Morphy e de outros famosos jogadores da etapa anterior, criou as bases para o estudo do xadrez com critérios formais.
     Wilhelm Steinitz (1886-1894) é oficialmente o primeiro campeão mundial de xadrez. O título de Campeã Mundial Feminino começou a ser disputado em 1927, em Londres, durante o Torneio das Nações, nome inicial das Olimpíadas de Xadrez. Vera Menchik foi a primeira campeã e reinou até a sua morte, em 1944.
Fonte: Ajedrez Para Todos - Curso Básico - ISLA
Instituto Superior Latino Americano de Ajedrez - Cuba".
(http://www.xadrezregional.com.br/histxadrez.html)
 
===
 
Armínio Santos publicou o que abaixo está transcrito, no excelente portal do Clube Conquistense de Xadrez (Xadrez de Vitória da Conquista e Região). Este colunista viu o ex-campeão mundial Max Euwe [abaixo citado] dando simultânea contra 40 jogadores [venceu 38 partidas e cedeu 2 empates] no Rio de Janeiro, no início dos anos 1970, quando o Dr. Euwe estava visitando o Brasil, para divulgar o xadrez [era ele o presidente da FIDE]. Outros dados sobre esse assunto você pode conferir, se tiver tempo e interesse, em: 
 
Há algo sobre xadrez, também, em:
 
A seguir, informações relevantes sobre o lendário campeão cubano J. R. Capablanca. [Proximamente, nesta Coluna... HISTÓRIA DO JOGO DE DAMAS NO BRASIL!]
 
 
"(01/07/2007)
 
José Raul Capablanca
 
Dentre as muitas definições de inteligência, uma delas é a “capacidade de se adquirir conhecimentos ou compreendê-los e usar em situações novas".Os psicólogos, contudo, diferem entre si sobre a própria definição e a função da inteligência.

Voltando os olhos para a história, nos deparamos com personagens de inteligências inexplicáveis, e quase somos tentados a convir com Platão que "conhecer" é apenas reaver  conhecimentos que já nos pertenciam. 

Arquimedes (287-212 a.C), praticamente encerrado em Siracusa, sozinho, sem nenhum interlocutor, foi capaz de inventar a bomba hidráulica, descobrir as leis da hidróstática e antecipar o cálculo integral. Os seus estudos de ótica permitiram adiar a invasão romana através de engenhosas lentes com as quais capturavam os raios do sol e os faziam incidir sobre os navios da frota romana, incendiando-os. E Leonardo da Vinci (1452-1519)? Como compreender a sua majestosa inteligência? Leonardo antecipou muitas descobertas dos tempos modernos: Em anatomia ele estudou a circulação do sangue e dos olhos, invadindo, clandestino, cemitérios à noite para dissecar cadáveres; determinou a função da lua nas marés, elaborou teorias sobre a formação dos continentes; desenhou metralhadoras, helicópteros, escafandros; estudou ainda, música("a música é a modelagem do invisível!"), botânica, entomologia (existe uma observação dele sobre as efemérides, insetos que têm um cico de vida de 24 horas: "volta e vai aprender a tua lição na natureza"!), pintura, escultura, engenharia, fisiologia, física, astronomia.  Em muitas áreas do conhecimento, essas "mentes luminescentes", surgiram inesperadamente: Gauss, na matemática, resolvendo um complicado cálculo com quatro anos de idade; Mozart, na música, compondo um minueto antes dos quatro anos!

“O bom jogador sempre tem sorte”! Capablanca.

capablanca_pai.jpg

No Xadrez, um dos dois maiores gênios (o outro foi Mikhail Tal) foi um cubano, nascido em 1888, na cidade de Havana, com o nome de José Raoul Capablanca. Seus principais dados biográficos falam por si mesmo: Aos 4 anos, vendo o pai jogar com um coronel espanhol, após três dias de observação chamou o pai e disse-lhe no ouvido que estava movendo o cavalo duma casa branca para outra de mesma cor e seu adversário não tinha observado. O pai, constrangido, pediu, então, ao coronel que jogasse com o filho, sendo aquele derrotado categoricamente pelo garoto. Sem conter o entusiasmo o coronel levou o menino para o Clube de Xadrez de Havana e o melhor jogador do clube, Iglesias, concordou em jogar com o garoto com a condição de dar-lhe a vantagem da dama. A partida segue abaixo:

Iglesias x Capablanca
(As brancas jogam sem a dama)
1.e4 e5 2.Cf3 Cf6 3.Cxe5 Cxe4 4.d4 d6 5.Cf3 Be7 6.Bd3 Cf6 7.c4 O-O 8.Cc3 Cc6 9.a3 a6 10.Bd2 b6 11.O-O-O Bd7 12.Rb1 Ca5 13.Tc1 Cb3 14.Tc2 c5 15.d5 Te8 16.h4 b5 17.g4 Cd4 18.Cxd4 cxd4 19.Ce4 bxc4 20.Cxf6+ Bxf6 21.Bxc4 Bxg4 22.Bd3 Bf3 23.Th3 Bxd5 24.h5 Be6 25.Tg3 g6 26.f4 Bh4 27.Tg1 Rh8 28.f5 Bxf5 29.Bxf5 gxf5 30.Bh6 Tg8 31.Tcg2 Txg2 32.Txg2 Df6 33.Bg7+ Dxg7 34.Txg7 Rxg7 35.Rc2 Rf6 36.Rd3 Re5 37.h6 f4 38.Re2 Re4 as brancas se rendem.

“O xadrez serve, como poucas coisas neste mundo, para distrair e esquecer momentaneamente, as preocupações da vida”. Capablanca.

Com seis anos de idade deu um mate num dos mais fortes enxadristas cubano. Conservou-se o final da partida e a mesma está publicada, na revista moscovita "El Noticiário de Xadrez", do ano de 1913, ano em que Capablanca visitou Moscou. 

capablanca_6anos.gif

Capablanca(com seis anos!) joga com as negras
1…. Ce3+ 2.Rh3 Td5 3.Txf4 Th5+ 4.Rg3 De1+ (se 4.Th4 Df1+ 5.Rg3 Cf5+) 5.Rf3 Th3+ 6.Tg3 Txh2 7.Dxe3 Dh1+ 8.Rg4 Th4+ 9.Rf5 Dd5+ 10.Rg6 Dg8+ 11.Rf5 Th5+ 12.Re4 Dd5+ mate.

Com doze anos venceu, num confronto o mestre Juan Corzo pelo placar de 7- 5. Em 1905, ele vai estudar engenharia na Universidade de Colúmbia, tornando-se objeto de suspeita entre os professores por nunca errar uma questão de cálculo e precisar de apenas um quarto do tempo requerido para responder as avaliações. No mesmo ano, ele visita o Manhattan Chess Club, em Nova Iorque e participa de uma sessão de exibição dada pelo Campeão Mundial, Dr. Emanuel Lasker, sendo o único jogador a vencê-lo, sendo cumprimentado por Lasker com as seguintes palavras históricas: “É notável, jovem! Você não cometeu nenhum erro”! No seu primeiro match internacional, enfrentou o mestre norte-americano Eugene Delmar ganhando todas as partidas. Entre fim de 1908 e início de 1909 participou de uma tournée pelos Estados Unidos. De um total de 734 partidas, ganhou 703, empatou 19 e sofreu somente doze derrotas.

capablanca_13anos.jpg

 Em 1908 decide abandonar a engenharia para se dedicar ao xadrez; nesse ano ele enfrenta o  campeão norte -americano, Frank Marshall e para surpresa geral, vence por 8×1! Devido a essa magnífica vitória é convidado para participar do Torneio Internacional de Mestres, em San Sebastian, 1911, sob o protesto de alguns jogadores pelo fato de ele não ter a qualificação de mestre. No final do torneio perdeu apenas uma  partida, sagrando-se campeão. Em 1913, o governo cubano deu-lhe um posto na diplomacia, pedindo-lhe que divulgasse o país, jogando xadrez! Nessa época ele já falava 5 idiomas.

“ Poucas partidas tenho aprendido tanto como a da maioria das minhas derrotas”. Capablanca.

Desafiou Lasker, em 1911, pelo título mundial. Lasker aceitou, no entanto, impôs dezessete condições e o match não foi realizado.

Em 1914  tira em segundo lugar no torneio de St. Petersburgo, assistido pelo Czar. Ainda em 1914, em Moscou, venceu a Bernstein numa partida famosa pela magnificência de uma jogada: Db2!! E também por ter fundado uma nova estratégia de peões colgantes. Também bateu Nimzowitsch num elegante final de bispo de cores opostas.

Em 1921 desafia o campeão mundial, Lasker e lhe toma o título, num match que se celebrou em Havana. A partir de 1917 ele estabelece um recorde jamais igualado: 8 anos sem perder uma só partida! E a sua arrogância intelectual atinge as alturas: No intervalo de um torneio, em Londres, passeando casualmente pela sala de jogos, viu os mestres ingleses e americanos, analisarem uma partida sua, tentando demonstrar que ele poderia ter perdido; irritado exclamou: Usted hace tentativas; Yo no, yo se!   

Sugere também que se acrescente mais duas colunas ao tabuleiro de xadrez e mais duas peças a fim de tornar o jogo mais complicado (ver imagem abaixo). Sua carreira de triunfos parece não ter fim. 

Xadrez

“O xadrez, como todas as coisas, pode-se aprender até um ponto e não mais. O resto depende da natureza da pessoa”. Capablanca.

Em 1925 é recebido como herói em Moscou e joga no Kremlin na presença de Stalin. Nesse mesmo ano vira ator de um filme russo, Chess Fever, uma história açucarada em que um jovem soldado e a sua amada resolvem se casar inspirados pelo campeão, durante a sua estadia em Moscou.

Os seus dias de glória, entretanto, estavam se findando e a sua perdição, (justificando plenamente uma máxima do filósofo pré-socrático, Hesíodo, que dissera: “Aonde estiver a origem do que é, aí estará o seu fim. As coisas pagam umas as outras, castigo e pena, conforme a sentença do tempo”) foi, paradoxalmente, a sua inteligência! Em 1927, vindo de uma exibição no Brasil, ele chega a Buenos Aires, Argentina, para colocar o seu título de campeão mundial em jogo contra o apátrida russo, Alexandre Alekhine. Este nunca tinha lhe ganho uma só partida, em todos os confrontos anteriores. Ele impedira, ainda, os organizadores de colocar uma cláusula, obrigando Alekhine a um novo confronto, em caso de uma derrota sua, por considerar tal hipótese, improvável! O match terminou com uma inesperada derrota! 6-3 a favor de Alekhine e 33 empates. O novo campeão jamais concedeu-lhe uma oportunidade de revanche. Capablanca, então, deu-se conta que o mundo do xadrez não era formado, propriamente, por nobres. Uma das pré-condições que o novo campeão exigia para participar de torneios era que Capablanca não fosse convidado. Alekhine, tinha dito sobre Capablanca em 1914: “nunca, nem antes e nem depois encontrei alguém que pensasse a uma velocidade tão fantástica como ele naquela época. Nem sequer podia imaginar algo parecido. É suficiente dizer que ganhou todas as partidas rápidas que jogou contra os mestres de São Petersburgo, com uma relação de tempo de 1:5”. Depois de ter um lance criticado por Capablanca, na modalidade de xadrez rápido, Nimzowitsch se ofendeu: “os jogadores sem trajetória deveriam manter a boca fechada na presença de seus superiores!” Capablanca , em resposta, desafiou-o a enfrentá-lo numa série de jogos rápidos, ganhando facilmente todas as partidas. Os mestres presentes concluíram que Capablanca não podia ser superado no xadrez relâmpago. Esta distinção se manteve até o final de sua vida.

capablanca_euwe.jpg

Em 1931, num match contra Euwe para uma suposta revanche contra Alekhine, Capablanca foi criticado por desconhecer a famosa cilada de Monticelli e ter caído nela. Nesta cilada se perde uma qualidade. Capablanca, porém demonstrou que a posição não era irrefutável! Quando argüido por Euwe, declarou que encontrara a solução na própria partida.

“Quando vocês vêem uma posição se perguntam o que sucede e o que sucederá. Eu não pergunto. Eu sei”! Capablanca.

Os convites para torneios começaram a rarear. E ele afastou-se, para a consternação geral dos aficionados. Em 1934 começou de novo a jogar seriamente. Olga Chagoda (ver foto), com quem  se casou em 1938, lhe inspirou o retorno.

Capablanca e sua esposa

O seu retorno triunfal, o canto do cisne, deu-se em 1936 no torneio de Moscou, onde tirou o primeiro lugar, sendo ovacionado longamente pelos circunstantes. Neste torneio ele vencera Alekhine. Partindo de uma posição inferior, conseguiu plantar uma cilada sutilmente elaborada que não foi percebida por nenhum dos mestres presentes, à exceção de Lasker. No mesmo ano, tira segundo lugar no torneio de Nottingham, ganhando um prêmio de beleza pela sua partida contra o arquiinimigo Alekhine. Primeiro lugar em Paris 1938; segundo em Margate, 1939 e primeiro em Buenos Aires, 1939. Capablanca conquistou o primeiro ou o segundo lugar em trinta dos 35 torneios de que participou e perdeu apenas 35 partidas em matches e torneios de um total de 567 em toda a sua vida.

Botvinnik considerou “Os Fundamentos do Xadrez”, de Capablanca, o melhor livro de xadrez que já fora escrito. Neste livro estão alguns dos princípios essenciais deste jogo milenar: “o bispo é geralmente mais forte do que o cavalo”; “a junção da dama com o cavalo é superior a combinação da dama e bispo”. A explicação: o movimento diagonal do bispo sobrepõe ao da dama, ao passo que o movimento do cavalo o complementa, alcançando imediatamente posições que estão vedadas à dama, isoladamente. Botvinnik credita a Capablanca como o primeiro a fazer esta observação.

capablanca_domino.jpg

Ele era, possivelmente, o melhor jogador de dominó do mundo! Um parente seu, em Havana, César Revuelta Capablanca, conta: “o jogo de dominó em Cuba, tem 55 pedras e a maior pontuação por pedra é nove e a menor zero. Cada jogador pega dez pedras e ganha o jogador que colocar todas as suas. No caso de bloqueio, ganha aquele que tem menos pontos. Neste  momento histórico, jogavam meu tio Enrique Capablanca, a minha tia Lupe Capablanca, meu padrinho César Graupera Capablanca e o mestre José Raúl Capablanca e Graupera. De cada 20 partidas, Capablanca ganhava de 18 a 19. Numa determinada partida, o meu tio Enrique fez um de seus comentários que ofendeu a Capablanca: “que lástima, me equivoqué en mi penúltima jugada, pues si hubiese jugado esta ficha, en lugar de la que jugué, hubiese ganado”. Capablanca, o contestou: “você não sabe o que está dizendo”. Os demais jogadores já estavam distribuindo as pedras para a próxima rodada. “Vamos reproduzir o jogo anterior”! Todos se quedaram mudos e inclusive os que jogavam xadrez próximos, interromperam as suas partidas e se levantaram para assistir o incidente, algo  assim como um ato de magia. Com assombro, os presentes viram Capablanca distribuir as pedras viradas para cada um, num total de 4 x 10= 40 pedras. Para si, separou as quinze pedras restantes, tudo isso numa velocidade supersônica! Então diante dos olhos de todos começou a reproduzir a partida e disse assim: “ eu abri com duplo sete, fulano  jogou tal coisa, este passou e aquele não jogava, etc”., até reproduzir o jogo completo ante a vista e a aprovação de todos. Então ao chegar ao momento do comentário do tio Enrique, disse a este: “ao seu ver, qual é a variante ganhadora”? Meu tio ficou mudo. O maestro disse, então: “Bom, eu  te ajudo. Há três variantes possíveis: a primeira é esta, e ao que parece foi a que você comentou e como pode ver, o jogo continua assim e ganho eu! Com a segunda variante o jogo se bloqueia aqui e novamente ganho eu, por ter a menor quantidade de pontos! A terceira variante foi a que você comentou e na qual eu ganhei a partida! A partir daí todos se recusaram a jogar com ele, com receio de terem as suas limitações avaliadas.

"En ajedrez cuando juegas con un fuerte jugador las dos armas disponibles para vencerlo deben ser lógica y imaginación" . Capablanca.

Capablanca era bastante sensível às críticas e também muito vaidoso. Ninguém procurou a simplicidade no xadrez mais do que ele. A crítica mais comum que ele recebia era a de que se não  pudesse, no tabuleiro, conseguir objetivos por meios simples, nem sequer tentava outros caminhos. Num torneio jogado no auge do seu extraordinário período de invencibilidade de oito anos, ele chegou numa posição no qual o ganho poderia ser obtido por um vistoso sacrifício de dama. Para a frustração dos presentes ele optou por uma variante diferente. No final da partida, perguntaram-lhe se ele não tinha visto o sacrifício. A resposta: “foi a primeira coisa que eu vi! Porém, não era o mais simples”! “O jogo de Capablanca produzia e segue produzindo um irresistível efeito artístico. Em suas partidas predominava uma tendência a simplicidade e nesta simplicidade existia uma beleza única e genuinamente profunda”! (Botvinnik). “Por que eu sempre gostei de Capablanca? Porque jogava de um modo muito simples e muito claro. Sempre se há dito que a simplicidade é a irmã do talento. Quando um homem com talento escreve versos, faz fotos artísticas ou alguma outra coisa, todos dizem: ”eu também posso fazer o mesmo”. Porém, não podem. Só alguém com um verdadeiro talento é capaz de fazê-lo. Da mesma maneira, quando a gente vê hoje em dia as partidas de Capablanca, diz: “eu podia jogar assim”. Porém, por que só Capablanca foi capaz de jogar deste modo? A sua grandeza reside precisamente nesta simplicidade e nesta claridade do seu estilo”.(Petrossian). Em 8 de março de 1942, o seu maior adversário  o "desafia" para uma partida de xadrez, num hospital de Nova Iorque, no qual todos os seus geniais recursos foram em vão. "O seu jogo magnífico deveria ter memorial perpétuo"- Marshall. "O maior jogador de todos os tempos" – Kasparov. "Chess Machine" – Réti.

Poema a Capablanca
Así pues, Capablanca
no está en su trono, sino que anda,
camina, ejerce su gobierno
en las calles del mundo.
Bien está que nos lleve
de Noruega a Zanzíbar,
de Cáncer a la Nieve.
Va en un caballo blanco,
caracoleando
sobre puentes y ríos
junto a torres y alfiles,
el sombrero en la mano
(para las damas)
la sonrisa en el aire
(para los caballeros)
y su caballo blanco
sacando chispas puras
del empedrado…

por el poeta Nicolás Guillén

“Posso adivinhar num momento o que se oculta detrás de uma posição, assim como o que pode ocorrer e o que vai ocorrer. Não preciso de análise. Bastam uns instantes”! Capablanca.

Observação: Eu usei neste artigo de forma extensiva, informações da reportagem do canal h, cubano". (http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/)

 

===

EZIO FLAVIO BAZZO (IX)

"Por que, afinal, o Presidente do Irã não acredita no holocausto?

 

"Até os cachaceiros gordinhos e hedonistas de Ipanema estão se manifestando contra a vinda de M. Ahmadinejad ao Brasil. Talvez seja a primeira vez na história que um representante da Antiga Pérsia e da terra de Zaratustra coloque os pés por aqui. Sabemos que esse homem, que parece uma miniatura, caiu na desgraça internacional depois de colocar em dúvida a existência do holocausto. Eu, que sempre estive com as orelhas em pé com relação aos historiadores e à história, tenho uma curiosidade imensa em conhecer suas razões, seus dados e suas fontes para tal afirmativa.

Há pelo menos uns dez anos que o ouço fazer publicamente a afirmação de que não existiu holocausto nenhum, e que tudo seria manipulação de uma imprensa cortesã. Apesar disso ninguém, nem a mídia internacional, nem a mídia tupiniquim, nem as universidades se atrevem a conceder-lhe duas ou três horas para que desenvolva e demonstre sua tese. Se suas fontes forem sólidas, densas, fundamentadas, que bom, todo aquele horror não existiu e a humanidade se livrará de uma mentira. Se seus argumentos forem religiosos, ideológicos, fúteis, vazios e delirantes, ele próprio se sentirá na obrigação de silenciar para sempre e deixará de encher-nos o saco com essa temática. Qual TV, qual jornal, qual universidade se candidata? Ele está aí.

Ezio Flavio Bazzo". (http://eziobazzo.blogspot.com/search?updated-max=2009-11-30T12%3A39%3A00-02%3A00&max-results=3)
 
[TEXTO TRANSCRITO COM A AUTORIZAÇÃO DO AUTOR, CITADA A FONTE.]

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