Dilson Lages Monteiro Sábado, 29 de abril de 2017
RECONTANDO ESTÓRIAS DO DOMÍNIO PÚBLICO - F. B.
Flávio Bittencourt
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O Bloco carnavalesco Chave de Ouro

 

[Flávio Bittencourt]

O Bloco carnavalesco Chave de Ouro

Por Omar Blanco

 

 

 

 

 

28.11.2014 -                F.

 

 

 

 

 

 

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"O Bloco carnavalesco Chave de Ouro

fevereiro 24, 2013

Patrimônio intangível e material do Carnaval no Rio de Janeiro

Por Omar Blanco

A Quarta-feira de cinzas não foi fechada com chave de ouro. O Bloco carnavalesco Chave de Ouro estaria anunciado, na maioria dos meios de comunicação, para sair neste Carnaval. Contudo, o antigo grupo de moradores da região de Engenho de Dentro,que tenta retomar a tradição iniciada desde 1943, não teve a logística necessária! Em contrapartida, a mídiae a Prefeitura afirmaram que houve, neste ano mais um record de inscrição dos blocos da Zona Norte do Rio. O Carnaval de rua bombou!!

O certo é que os fatos não permitem afirmar que o balanço, o sucesso, da política de Participação cidadã é o que a Prefeitura apregoa. Foi, sem dúvida, um sucesso comercial. Mas, não é esse o balanço mais importante. A história do Bloco Chave de Ouro e sua ausência na quarta-feira de cinzas passada servem para argumentar o que é a política pública para o lazer popular. Ao contrário do que afirma a Prefeitura, a cultura e o lazer popular estão em um processo de esgotamento do patrimônio intangível e material do Carnaval no Rio de Janeiro. Pelo menos, na região do Grande Méier.

A história do Chave de Ouro é a de um movimento cultural contestatório das medidas de proibição, derivadas da junção Igreja-Estado, impostas pela polícia. Na primeira metade do seculo XX, era delito sambar ou possuir instrumento musical para tocar samba. Na segunda metade do seculo XX, surgiram os foliões do bloco, os quais eram proibidos de sair na quarta-feira de cinzas, e, por isso, o Bloco era tratado como organização criminosa.

O carnaval era centralizado, as ruas do centro histórico do Rio sediavam os momentos mais importantes do Carnaval daquele tempo. Seguramente, muitos dos foliões, trabalhadores negros na sua maioria, eram detidos nos primeiros dias e só liberados na quarta-feira. Logo, querendo carnavalear, aproveitavam, também, as sessões de cinema do antigo teatro, localizado na Rua Adolfo Bergamini, esquina com Dr Niemeyer. O festejo, na quarta-feira, queria marcar o final do Carnaval com “chave de ouro”,enquanto que a polícia tentava dispersar os foliões agrupados na interseção da Adolfo Bergamini com a rua Dias da Cruz, ponto próximo aos bairros da atual zona da Rua Camarista Méier, os Morros dos Pretos Forros e Ouro Preto.

Segundo diferentes fontes, o Bloco foi perseguido até finais de 1970, quando suspenderam seu desfile. Na década de 1980, o Bloco tentou sair novamente, só que desfilou vigiado pela polícia. Essa nova condição fez com que sua dinâmica diminuísse até esgotar-se. O argumento usado pela polícia para vigiá-lo foi a bandidagem, os arrastões contra os comerciantes, entre outros delitos. Na realidade, os foliões coletavam dinheiro para suas fantasias, bonecos, instrumentos etc. Pela condição de trabalhadores bem pobres, eles eram obrigados a pedir até para os comerciantes da Rua Adolfo Bergamini, que, por sua vez, não deveriam ser muito simpáticos e, menos ainda, com o Carnaval, tradição cultural negra numa cidade racista.

Enfim, o Bloco Chave de Ouro não desfilou no carnaval de 2013. Segundo alguns de seus membros, divididos para responder, ele não se apresentou porque não teve a logística mínima para sair. Foliões? Havia. Permissão? Havia. Mas, instrumentos e carro de som?

O esgotamento do processo histórico cultural e o lazer popular, que fazem parte do patrimônio intangível do Carnaval, estão atrelados à falta de recursos logísticos da prefeitura. Temos como exemplo deste processo os blocos de rua, as agremiações, as escolas de samba dos grupos C e D. Atualmente, o domínio da clientela eleitoral determina uso de recursos. Sendo folião, posso mostrar como, no Grande Méier, essa dependência clientelar é mantida majoritariamente pelo vereador Sebastião Lopes Ferraz (PMDB) e André Ferraz, seu filho e administrador da Regional Administrativa XIII. (Ver fotografias)

Uma política que valorize o patrimônio intangível é aquela que garanta os elementos materiais mínimos de uso logístico, instrumentos musicais e carro de som. Esses materiais deveriam ser garantidos pela prefeitura e não dispostos pela “vontade” de qualquer vereador, que só espera, em troca, propaganda eleitoral fora de época. Igualmente, a política de valorizar o patrimônio não deve acontecer somente em fevereiro. Tem de ocorrer durante o ano todo nas escolas públicas, largos e praças dos bairros. Para isso, que sejam contratados professores de música para as escolas públicas; que profissionais, estudantes e moradores participem de trabalhos de antropologia musical, de oficinas nos bairros. Com essas, entre outras medidas, haverá um verdadeiro balanço de sucesso nos próximos carnavais.

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 Apresento a continuação da entrevista com Hermínio Marques, um dos compositores do samba de 2013 do Bloco Sepulta Carnaval. Ele e o Bloco são a expressão do patrimônio material que é necessário fomentar para sua permanente renovação. Ele apresenta um depoimento que sintetiza a situação histórica do Carnaval na zona do Engenho de Dentro, na região do Grande Méier.

http://www.4shared.com/mp3/SobrS-G4/Hermnio_Marques_Sepulta_carnav.html

Reportagem do Jornal das 7 em 1981 sobre o Bloco Chave de Ouro. Importante destacar a critica contra Riotur, a quantidade de pessoas, a presença da Turma dos Bonecos (releitura do palhaço “sacarrolha”?). A repórter informa que é Engenho Novo, seguramente querendo falar de Engenho de Dentro.

Fonte: mofotv.blogspot.com.br"

(http://terraypraxis.wordpress.com/2013/02/24/o-bloco-carnavalesco-chave-de-ouro-2/)

 

 

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