POIESIS
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Não escrevas versos sobre amores banais
Não há certeza e nem glória perante o fugaz.
Na ânsia da procura, o amor é um abismo vazio,
que nunca se completa e nem se eterniza.
As junções efêmeras da carne, os acasos do ser:
Isso tudo nunca será amor, muito menos poesia.
Não construas amor com o corpo
O corpo é anatomia sem essência.
O Amor é o canto inaudível,
a maldição dos poetas.
Amor elide carne e pequenez
Ele esconde-se na alma sem alarde.
Por isso confundem-se amor e brevidade.
Mas o AMOR, esse buraco escuro e impenetrável,
é o que os poetas racionais nomearam:
o abraço da eternidade que não se toca.
Afinal, “o amor da humanidade é uma mentira”.
Porém, que sei eu dessas coisas,
se minha alma é o cântico negro,
o poço de lesões, a pedra e o nada?
Que saberei poetar sobre a palavra AMOR,
um substantivo ímpar e sem sinonímia?
Como pode uma criatura como eu
senão amar, se o amor, essa sede infinita,
é uma pedra que se disfarça ao rimar com FLOR?
Amor é o teatro e o palco dos poetas:
fingem tão bem e tão intensamente,
que chega ser amor o que deveras sente.
Mas o que sabem os poetas do mundo inteiro
senão dissimular e persuadir a quem se ama?
E o que saberei eu depois de ler a palavra AMOR
dançando no firmamento com um bilhete de luz?
“POESIA E AMOR SÃO DUAS PORTAS
SOMENTE OS POETAS TÊM A CHAVE.
SÓ A POESIA É PURA E VERDADEIRA
O RESTO É AUSÊNCIA E INCOMPLETUDE”.
- Melquisedeque de Castro Viana
- Adélia Prado
- Alphonsus de Guimarães
- Cunha e Silva Filho
- Humberto de Campos
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E a estória JABUTI - O metereologista, da coletânea Estórias Amazônicas (Ed. O Cruzeiro, 1974)
Regional Centro-Oeste/Norte (Recorte) / FORMOSA/GO, 20 de maio de 2013
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